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Nasa monitora El Niño com 83% de chance de intensidade histórica até dezembro

Há 3 h
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Satélites da Nasa e dados da NOAA apontam fortalecimento do fenômeno no Pacífico; no Brasil, o Inmet prevê mais chuva no Sul e seca em partes do Norte e do Nordeste.

Redação Mundo dos Negócios · 17/10/2026

Foto: Legend Eddie (Pexels)

Uma massa de água quente atravessou o Pacífico e elevou o nível do mar em até 40 centímetros em algumas áreas. Em outras regiões, o oceano ficou mais azul, com redução de organismos microscópicos que dependem de águas ricas em nutrientes. Vistos do espaço, esses sinais ajudam a Nasa a acompanhar um El Niño que pode se tornar o mais intenso desde 1950 e alterar a distribuição das chuvas muito além do oceano onde se forma.

No boletim de outubro, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calculou probabilidade de 83% de intensidade histórica no trimestre de outubro a dezembro — ou seja, acima dos eventos registrados desde 1950 nesse período. O recorde ainda é uma possibilidade; o fenômeno, porém, já está estabelecido e se fortalecendo, segundo a agência americana.

No Brasil, a preocupação envolve efeitos que podem ocorrer ao mesmo tempo em regiões diferentes. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuvas acima da média no Sul e condições mais secas em partes do Norte e do Nordeste, com implicações para cidades, lavouras e o monitoramento de riscos.

O que aconteceu

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento de partes do Pacífico equatorial. A mudança interfere na circulação da atmosfera e redistribui calor e umidade, alterando condições de chuva longe da região de origem.

Os satélites Sentinel-6 medem a altura da superfície dos oceanos a cada dez dias. Como a água se expande quando aquece, essas observações ajudam a acompanhar o deslocamento das massas quentes e a evolução do fenômeno. Outro satélite, o PACE, registra mudanças na cor do oceano: em áreas do Pacífico equatorial, tons mais azuis indicam redução do fitoplâncton. Durante o El Niño, o enfraquecimento da subida de águas profundas pode reduzir o abastecimento de nutrientes.

A projeção da NOAA usa o índice RONI (temperatura relativa do Pacífico), calculado para janelas de três meses. A probabilidade de 83% refere-se à intensidade prevista entre outubro e dezembro, e não à chance de o El Niño existir — ele já está em curso. A incerteza permanece no patamar final e na forma como os efeitos se combinarão com outras condições climáticas; mesmo um evento muito intenso não determina, sozinho, o tempo em cada município.

O boletim agroclimatológico do Inmet, publicado em outubro, detalha tendências até dezembro. Na Região Sul, a previsão é de chuvas acima da média, com destaque para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e áreas do sul e do leste do Paraná. No Norte, predomina chuva abaixo da média, com exceções locais. No Nordeste, o oeste tende a ter menos precipitação; áreas do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas podem registrar volumes ligeiramente superiores à média. No Centro-Oeste, condições mais secas podem ocorrer no centro-norte de Mato Grosso, no norte de Goiás e no Distrito Federal, enquanto Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás podem ter maior precipitação. No Sudeste, há tendência de mais chuva em São Paulo, no Rio de Janeiro e no centro-sul de Minas Gerais.

Impacto na prática

Se o trimestre se confirmar conforme as projeções, o excesso de umidade no Sul pode, em tese, dificultar operações agrícolas e exigir atenção a episódios de chuva intensa, conforme o Inmet. Em paralelo, restrições hídricas em partes do Norte e do Nordeste podem afetar o uso da água e o manejo de riscos em áreas urbanas e rurais — sempre com variação local, já que a previsão sazonal não substitui alertas de curto prazo.

A redistribuição das chuvas pode, em hipótese, interferir no calendário de plantio, nas condições de colheita e na disponibilidade de água. Efeitos sobre a produção agrícola poderiam, em alguns cenários, repercutir nos preços de alimentos, embora uma previsão climática não permita calcular antecipadamente a variação que chegaria ao consumidor, como ressalta o contexto da análise agroclimatológica.

Fora do Brasil, o aquecimento no Pacífico equatorial e a elevação do nível do mar em trechos do oceano ilustram como o fenômeno é monitorado em escala global. Países costeiros e cadeias que dependem de pesca ou logística marítima podem sentir, conforme os casos históricos sugerem, pressões distintas — sem que o boletim de outubro da NOAA fixe impactos econômicos país a país.

O acompanhamento preciso combina a tendência para o trimestre com alertas meteorológicos imediatos: o mapa sazonal ajuda a planejar, enquanto a previsão dos próximos dias orienta decisões diante de tempestades, ondas de calor ou estiagens. À medida que outubro avança, novos boletins da NOAA e do Inmet podem refinar se o El Niño de 2026 se aproxima ou não do patamar recorde desde 1950 — e como essa combinação de chuvas e secas regionais no Brasil se desenhará até dezembro.

Fontes: Exame

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