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No 1º debate do 2º turno, Lula exalta legado econômico e Flávio foca em preços e dívidas

No 1º debate do 2º turno, Lula exalta legado econômico e Flávio foca em preços e dívidas
Imagem ilustrativa

No primeiro confronto televisionado do segundo turno, em São Paulo, Lula (PT) citou crescimento, rating e inclusão; Flávio (PL) atacou carestia, juros e dívida pública de R$ 11 trilhões.

Foto: Rô Acunha (Pexels)

No primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado neste domingo (18) no estúdio da TV Bandeirantes, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) dividiram o palco com narrativas econômicas opostas. O petista enfatizou conquistas e trajetória de crescimento; o candidato do PL colocou no centro o bolso do eleitor, o endividamento e o volume da dívida pública.

Para Lula, inclusão social e circulação de renda seriam motor do avanço do país. Flávio abriu com perguntas diretas ao telespectador sobre se a vida melhorou, se a comida está mais cara e há quanto tempo não se coloca carne no freezer, antes de ligar juros e gastos do governo atual à pressão sobre as famílias.

O embate incluiu ainda provocação sobre o modelo argentino de Javier Milei e troca de acusações sobre quem carrega a responsabilidade pelo endividamento do Estado.

O que aconteceu

Lula disse ter orgulho de ter conquistado dois graus de investimento em seus governos e afirmou que o Brasil hoje tem risco baixo e está perto de recuperar a nota. Citou que, no primeiro mandato, ajudou o país a crescer 10,5% e que, depois que deixou o cargo em 2010, o PIB só voltou a avançar acima de 3% após o retorno ao Planalto, em 2023.

O presidente defendeu fazer “o dinheiro circular na mão das pessoas” e contrastou concentração de recursos com distribuição de riqueza. Na mesma linha, mencionou a Lei Geral da Pequena e Média Empresa e disse que o governo discute formas de incentivar os MEIs a gerar mais empregos e crescimento.

Lula também afirmou ter herdado uma dívida de US$ 30 bilhões com o FMI e um país sem reservas, e que seu governo quitou o débito, acumulou US$ 270 bilhões em reservas e bancarizou 22 milhões de brasileiros.

Flávio Bolsonaro afirmou que o fato de ter saído na frente no primeiro turno fez a taxa de juros futuros recuar 2%. Criticou a dívida pública de R$ 11 trilhões, que chamou de “mais um recorde negativo”, e disse que um eventual governo seu abriria espaço de mais de R$ 200 bilhões no Orçamento para ajudar a pagar a dívida do governo e, com isso, o cidadão a quitar a sua.

O senador acusou a gestão atual de gastar “de forma desenfreada” para tentar se reeleger e afirmou que isso pressiona os juros pagos pelas famílias. “Essa dívida não é sua. Essa dívida é do atual governo, que gasta, gasta de uma forma desenfreada”, disse.

Em meio às acusações, Lula perguntou se Flávio abraçaria, se eleito, a política econômica de Milei, conhecido pelos cortes de gastos na Argentina: “E o Milei? Vai pegar emprestada a motoserra do Milei? Responde”. Flávio não respondeu e perguntou qual seria o modelo de Lula. O presidente respondeu: “O meu. É o modelo em que a economia cresce e que tem o maior programa de inclusão social da história desse país.”

Impacto na prática

As falas expõem duas leituras que podem orientar a decisão de eleitores ainda indecisos ou que não votaram no primeiro turno: de um lado, legado de crescimento, reservas e inclusão; de outro, inflação de alimentos, juros e dívida pública em patamar recorde citado pelo candidato do PL.

A menção de Flávio à queda de 2% nos juros futuros após o primeiro turno sugere que o mercado financeiro pode continuar reagindo a sinais eleitorais e a promessas fiscais ao longo da última semana de campanha, em tese com reflexos em crédito e custo de financiamento para famílias e empresas.

O valor de R$ 200 bilhões citado como espaço orçamentário e o debate sobre pagamento da dívida pública indicam que a disputa pelo Planalto pode manter no centro do noticiário econômico a sustentabilidade das contas públicas e o equilíbrio entre gasto social e ajuste fiscal, sem que o debate tenha detalhado neste encontro um plano fechado de cada lado.

A provocação sobre Milei, por sua vez, pode reforçar no eleitorado a pergunta sobre qual ajuste de gastos ou qual modelo de distribuição de renda cada candidato associaria a um novo mandato, embora a resposta tenha ficado em aberto naquele momento do confronto.

Com o segundo turno em curso, o primeiro debate televisionado tende a alimentar a campanha com números e imagens contrastantes — crescimento e rating de um lado, freezer e trilhões de dívida do outro — e pode influenciar o tom dos próximos dias até a votação, caso os eleitores retomem essas mensagens ao avaliar propostas econômicas.

Fontes: Folha de S.Paulo

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