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OCDE aponta que 39,1% das PMEs com IA compensam lacunas de habilidades

OCDE aponta que 39,1% das PMEs com IA compensam lacunas de habilidades

Levantamento da OCDE com mais de 5 mil empresas em sete países indica que a IA generativa pode aliviar faltas de competências e carga de trabalho, sem eliminar a demanda por profissionais qualificados.

Ilustração: Yaroslav Shuraev (Pexels)

Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado em novembro de 2025 e repercutido pela Exame nesta sexta-feira (24), mostra que 39,1% das pequenas e médias empresas (PMEs) que usam inteligência artificial generativa e enfrentaram lacunas de habilidades afirmam que a tecnologia ajudou a compensar essa deficiência. O estudo ouviu mais de 5 mil empresas de sete países, com dados coletados em 2024.

A pesquisa descreve um cenário em que equipes enxutas e recursos limitados tornam difícil reunir todas as competências necessárias no dia a dia. Segundo o recorte divulgado, a inteligência artificial (IA) generativa pode apoiar a execução de atividades para as quais o time não dispõe de todas as habilidades, sem substituir a experiência profissional nem eliminar a necessidade de capacitação.

Os resultados se referem a empresas dos sete países cobertos pelo levantamento e, conforme a própria leitura da Exame sobre o material da OCDE, não devem ser lidos como estimativa específica para o Brasil.

O que aconteceu

De acordo com a OCDE, 32,7% das PMEs usuárias de IA generativa relataram redução na carga de trabalho. A tecnologia pode contribuir para esse efeito ao automatizar tarefas repetitivas, organizar informações e acelerar a produção de textos e documentos.

Há também um sinal no uso de serviços externos. Cerca de 14,3% das empresas disseram ter passado a depender menos de prestadores terceirizados após adotar a ferramenta. Uma possível explicação, apontada no material, é que parte das atividades antes delegadas a fornecedores tenha sido internalizada com apoio da IA.

Sobre o emprego, o impacto imediato aparece limitado. Para 83% das empresas pesquisadas, o uso da IA generativa não alterou a necessidade total de funcionários. Enquanto 9,1% relataram redução dessa necessidade, 5,5% indicaram aumento. Os números sugerem que ganhos de produtividade não se traduzem automaticamente em cortes de vagas e que a tecnologia pode modificar tarefas e rotinas sem mudança imediata no tamanho das equipes.

Ao mesmo tempo, a adoção parece deslocar o perfil de competências pedidas. Entre as PMEs pesquisadas, 19,7% afirmaram que a IA generativa aumentou a necessidade de trabalhadores com habilidades mais avançadas — aproximadamente o dobro da proporção que relatou uma redução. Entre as competências cuja importância mais cresceu estão a análise e a interpretação de dados, mencionadas por 46,4% dos entrevistados, e a criatividade e a inovação, apontadas por 41,9%.

O material também destaca o papel da supervisão humana. A IA pode produzir uma análise inicial, mas cabe às pessoas avaliar respostas, identificar erros e decidir o que fazer com as informações no contexto do negócio.

Entre as PMEs que ainda não utilizam IA generativa, 49,8% apontaram a falta de habilidades dos funcionários como barreira. Preocupações jurídicas, regulatórias e ligadas a direitos autorais também figuram entre os entraves identificados pela OCDE.

Impacto na prática

Na vida das pessoas, os achados sugerem que a rotina de trabalho em empresas menores pode mudar mais pela redistribuição de tarefas — rascunhos, organização de informações, apoio a pesquisas — do que por demissões em massa no curto prazo. Em hipótese, profissionais podem sentir maior pressão por competências de leitura crítica de dados e de validação do que a máquina entrega, enquanto a demanda total por cabeça, nos casos medidos, permanece estável na maioria das firmas.

Em tese, nos sete países cobertos pelo estudo, o quadro pode afetar a dinâmica de contratação e de terceirização. Se uma parcela das PMEs internaliza atividades antes compradas de fora e outra parte ainda não adota a tecnologia por falta de capacitação, o efeito líquido sobre emprego, freelancers e prestadores de serviço pode variar conforme o setor e a regulação local — sem que os dados autorizem projetar o mesmo resultado para o Brasil ou para qualquer economia fora da amostra.

O levantamento da OCDE, lido a partir da Exame, deixa em aberto se a combinação de automação parcial, nova demanda por habilidades avançadas e barreiras de capacitação se consolidará como padrão nos próximos ciclos. Por ora, os números indicam apoio possível a equipes enxutas, com supervisão humana e formação contínua ainda no centro da equação.

Fontes: Exame

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