Paris Hilton reúne 200 criadores com TDAH em cúpula na mansão de Beverly Hills

Primeira Unstoppable ADHD Creator Summit mistura palestras, áreas sensoriais e clima de parque na casa da socialite, com Lizzo e outros nomes.
Foto: Karina Rymarchuk (Pexels)
Na semana passada, cerca de 200 influenciadores, empreendedores, atores, músicos, autores e outras figuras públicas neurodivergentes se reuniram na mansão de Paris Hilton, em Beverly Hills, para marcar o Mês de Conscientização sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O encontro, batizado de primeira Unstoppable ADHD Creator Summit anual, misturou palestras, áreas sensoriais e clima de parque de diversões sob o lema de “sliving” — expressão da própria anfitriã para “slaying at living”, ou viver no auge.
Segundo a Fast Company, a socialite e empresária, ela mesma com TDAH e defensora da neurodivergência, descreveu o encontro como mais do que uma festa. Hilton disse à revista que conhece muitos artistas e criadores com o transtorno e sentia falta de um espaço que os representasse de forma coletiva.
O que aconteceu
O carnaval para criadores hiperativos ocupou a casa e os arredores da residência, descrita pela reportagem como um cruzamento entre mansão de Beverly Hills, château francês e a Casa dos Sonhos da Barbie. Havia alpacas, piscina de bolinhas, escorregador gigante, castelo inflável e merchandising gratuito com a marca Paris Hilton — velas perfumadas, garrafas d’água, camisetas e bonés com slogans como “ADHD Princess” e “I’m Iconic”.
Na lista de convidados figuraram a musicista Lizzo, a influenciadora Haley Baylee, a youtuber Rebecca Zamolo, a atriz e comediante Whitney Cummings, a atriz e cantora Miranda Cosgrove, Tanner Smith, conhecido por Love on the Spectrum, entre outros. Patrocinadores como JBL e Loop distribuíram fones sem fio, máscaras para os olhos e outros brindes.
Cada participante foi escolhido à mão pela anfitriã, que enviou convites online diretamente. Muitos, depois, admitiram ter achado falsa a mensagem inesperada de Paris Hilton chamando-os para sua casa. Hilton foi diagnosticada com TDAH no fim dos 20 anos, mas só passou a falar abertamente da condição e de seus efeitos em 2024. Desde então, atua com sua organização sem fins lucrativos 11:11 Impact Media para ampliar conscientização e advocacy sobre o transtorno.
“Achei que seria incrível reunir todas essas pessoas, ter conversas, ter áreas sensoriais incríveis e fazer com que parecesse o Sliving Land — porque sou uma criança de coração”, afirmou Hilton à Fast Company. Ela disse ainda que pensava em organizar um evento assim há vários anos, por sentir que faltava algo que representasse esse conjunto de criativos.
O que isso pode mudar
O formato — cúpula de criadores com TDAH ancorada em uma celebridade com alcance global — pode, em tese, deslocar o tema da periferia do entretenimento para o centro da conversa sobre marca pessoal, bem-estar e inclusão no mercado de influência. Ao unir nomes de música, comedy, YouTube e reality sob o mesmo teto, o encontro sugere um modelo em que neurodivergência deixa de ser apenas diagnóstico privado e passa a ser pauta de networking e de posicionamento público.
Se a Unstoppable ADHD Creator Summit se consolidar como evento anual, como o próprio nome “first annual” indica, é possível que marcas e organizações de saúde mental vejam valor em patrocinar experiências sensoriais e merchandising voltados a esse público, no rastro do que JBL e Loop já fizeram no local. A hipótese é de que a visibilidade de Hilton e o tom lúdico do “Sliving Land” reduzam estigma e, ao mesmo tempo, abram espaço para conversas mais estruturadas — palestras, advocacy via 11:11 Impact Media — sobre como o TDAH molda carreiras criativas. O risco, que a reportagem não quantifica, é o de o carnaval ofuscar o conteúdo; o ganho potencial é o de normalizar o transtorno entre quem vive de inventar, performar e empreender sob os holofotes.
Fontes: Fast Company
Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br