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Pesquisa do BCE aponta inflação percebida a 3,6% e piora nas expectativas de crescimento

Pesquisa do BCE aponta inflação percebida a 3,6% e piora nas expectativas de crescimento

Em setembro, consumidores da área do euro viram inflação de curto prazo um pouco mais alta, renda e gasto nominais em alta e crescimento econômico esperado em -1,5%.

Foto: Masood Aslami (Pexels)

O Banco Central Europeu (BCE) divulgou nesta sexta-feira (23) os resultados da Pesquisa de Expectativas dos Consumidores referentes a setembro de 2026. Em relação a agosto, a mediana da inflação percebida nos últimos 12 meses e a expectativa para os próximos 12 meses subiram levemente, enquanto as projeções para três e cinco anos permaneceram estáveis.

Ao mesmo tempo, as famílias da área do euro passaram a prever renda e gasto nominais um pouco maiores, mas revisaram para baixo o crescimento econômico e elevaram a taxa de desemprego esperada daqui a um ano. A pesquisa ouviu cerca de 19 mil adultos em 11 países da zona do euro.

O que aconteceu

Segundo o comunicado do BCE, a mediana da inflação percebida nos 12 meses anteriores avançou para 3,6%, ante 3,5% em agosto. A expectativa mediana de inflação para os próximos 12 meses também subiu, para 3,1%, vindos de 3,0%. Já as medianas para três e cinco anos à frente ficaram inalteradas em 2,9% e 2,5%, respectivamente.

A incerteza em torno da inflação de curto prazo aumentou um pouco e segue acima do nível registrado antes do início do conflito no Oriente Médio, aponta a instituição. Em média, o quintil de renda mais baixo continuou a reportar percepções e expectativas de inflação mais altas do que o quintil superior. Jovens de 18 a 34 anos seguiram com leituras mais baixas do que os grupos de 35 a 54 e de 55 a 70 anos.

Nas contas das famílias, a expectativa de crescimento da renda nominal nos próximos 12 meses passou a 1,1%, de 1,0%. Como em meses anteriores, a média foi maior no quintil inferior (1,5%) do que no superior (1,2%). O crescimento nominal do gasto percebido nos últimos 12 meses avançou para 5,3%, de 5,2%, e o esperado para os próximos 12 meses foi a 3,7%, de 3,6%.

O quadro na ótica dos consumidores piorou: a expectativa de crescimento econômico nos próximos 12 meses recuou para -1,5%, de -1,2% em agosto. A taxa de desemprego esperada daqui a um ano subiu para 11,3%, de 11,0%. O quintil de renda mais baixo projetou o desemprego mais alto (13,6%), e o mais alto, o mais baixo (9,7%). Os consumidores ainda veem o desemprego futuro só um pouco acima do nível atual percebido (10,6%), o que o BCE interpreta como mercado de trabalho amplamente estável.

No imóvel e no crédito, a alta esperada no preço da própria casa nos próximos 12 meses foi a 3,5%, de 3,4%. A expectativa de juros de hipotecas em 12 meses manteve-se em 4,9%, inalterada desde julho. A parcela líquida de lares que relatam aperto no acesso ao crédito nos últimos 12 meses aumentou frente a agosto, assim como a que espera condições mais restritas nos próximos 12 meses. O trabalho de campo ocorreu entre 27 de agosto e 28 de setembro; a próxima divulgação, com dados de outubro, está prevista para 27 de novembro de 2026.

O que isso pode mudar

Os números, se confirmados nas próximas rodadas, podem reforçar a leitura de que a inflação de curto prazo ainda pesa no bolso, enquanto o horizonte mais longo permanece ancorado perto da meta de estabilidade de preços. Isso, em tese, poderia manter o foco do debate de política monetária na distância entre a percepção recente e as expectativas de médio prazo, sem que a pesquisa represente a visão dos órgãos decisórios do BCE — ressalva do comunicado.

A combinação de crescimento esperado negativo, desemprego um pouco mais alto e crédito mais apertado pode, eventualmente, frear o apetite por consumo mais à frente, mesmo com renda e gasto nominais previstos em alta. Famílias de menor renda, que reportam inflação e desemprego mais elevados e juros de hipoteca mais caros, tendem a sentir antes qualquer aperto adicional. Ainda assim, trata-se de um termômetro mensal de expectativas, não de um veredito sobre a trajetória oficial da economia da área do euro.

Fontes: ECB Press

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