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Pesquisas apontam Netanyahu sem maioria e Eisenkot como opção no centro-direita

Pesquisas apontam Netanyahu sem maioria e Eisenkot como opção no centro-direita

Às vésperas do voto de terça, analista da Chatham House avalia que a oposição pode frear a extrema direita sem encerrar a ocupação, se superar o impasse com partidos árabes.

Ilustração: Leonid Altman (Pexels)

Às vésperas de uma eleição geral que muitos consideram das mais decisivas da história recente de Israel, a percepção de empate entre a coalizão atual e a oposição não bate com o que a maioria das pesquisas indica. Segundo artigo de opinião de Yossi Mekelberg, fellow sênior do programa MENA da Chatham House publicado pela Al Jazeera em 25 de outubro de 2026, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus aliados de extrema direita e ultraortodoxos tendem a ficar aquém da maioria parlamentar.

Se as urnas de terça confirmarem esse cenário e a oposição superar o obstáculo de formar maioria, um novo governo poderia emergir sob o tenente-general da reserva Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e líder do partido Yashar, no centro-direita. A troca de elenco, avalia o autor, não encerraria a ocupação, mas poderia frear a extrema direita e aliviar tensões na região — com ressalvas relevantes.

O que aconteceu

No discurso político israelense, a disputa aparece como corrida cabeça a cabeça. Mekelberg afirma que esse quadro é incompleto. A maioria das sondagens sugere que Netanyahu e parceiros ficariam sem maioria no Parlamento. Ao mesmo tempo, a maior parte dos partidos de oposição, ao menos até o fechamento das seções, descartou coalizão com as legendas que representam sobretudo cidadãos palestinos de Israel, as chamadas “partidos árabes”. Sem esse apoio, a própria oposição também pode ter dificuldade para governar.

O analista situa Netanyahu após quase duas décadas no poder ao longo de três décadas, incluindo os últimos quatro anos à frente do que descreve como o governo mais de extrema direita e inepto da história do país. A busca por permanecer no cargo teria corroído a coesão nacional e aprofundado uma mentalidade de cerco, explorada politicamente. Os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro teriam agravado esses medos e empurrado a política ainda mais à direita.

Outro eixo do texto é o julgamento de Netanyahu em três casos de corrupção, com acusações de fraude, violação de confiança e suborno. Para Mekelberg, decisões de segurança nacional teriam sido distorcidas pela urgência de se manter no poder. Isso teria legitimado a extrema direita messiânica e viabilizado a coalizão com figuras como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich. Eisenkot e Benny Gantz teriam entrado em um governo de emergência após 7 de outubro e saído ao perceber concessões à extrema direita.

Outdoor em Kiryat Malachi, em 20 de outubro de 2026, já projetava o duelo simbólico entre Netanyahu, do Likud, e Eisenkot, do Yashar — registro fotográfico citado na peça da Al Jazeera.

O que isso pode mudar

A hipótese central do autor é de mudança parcial. Um primeiro-ministro sem o peso desses processos teria, em tese, mais margem para governar sem subordinar a agenda à própria sobrevivência política. Mekelberg argumenta, com alto grau de confiança, que outro governo há três anos teria conduzido a guerra em Gaza de forma diferente, aceitado cessar-fogo mais cedo, facilitado a libertação de reféns e poupado milhares de vidas palestinas civis. Um Executivo sem Ben-Gvir e Smotrich também seria, segundo ele, mais propenso a cooperar com o plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o chamado Board of Peace — o que, no curto prazo, poderia melhorar condições humanitárias em Gaza e abrir caminho a algum grau de retirada israelense, embora retirada imediata e completa permaneça improvável.

No plano interno, a oposição seria mais inclinada a frear e reverter a chamada reforma judicial, vista como ataque à separação de poderes. Outro Netanyahu com Ben-Gvir, alerta o texto, arriscaria deixar Israel como democracia apenas no nome, com efeitos sobre a opressão nos territórios ocupados e sobre as relações externas. Também haveria menor predisposição a propostas como abolir a Divisão Judaica do Shin Bet, o serviço de segurança interna — medida que, na leitura do autor, aumentaria a violência de colonos com quase total impunidade.

No Cisjordânia ocupada, suspender ou cancelar o projeto de assentamento E1, cujas licitações de construção já teriam sido emitidas, poderia ser um primeiro passo para conter a expansão. Em Líbano, Síria e, eventualmente, Irã, um novo governo tenderia a depender menos só da força militar e a explorar canais diplomáticos, além de reduzir o teatro político voltado à base ultranacionalista — como a lei da pena de morte para palestinos condenados por certos delitos terroristas e a proposta de cercar prisões com crocodilos.

Os limites, porém, são explícitos. Eisenkot se opõe a um Estado palestino e favorece controle de segurança israelense contínuo sobre território palestino; a recusa da oposição em trabalhar com partidos árabes reforça o teto da mudança. Ainda assim, Mekelberg defende que restaurar algum grau de normalidade no debate interno e nas relações regionais e internacionais pode importar — desde que o eleitorado abra essa janela nas urnas e a comunidade internacional mantenha engajamento ativo.

Fontes: Al Jazeera

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