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Petróleo do Golfo Persa volta a fluir, mas preços podem demorar a cair

Petróleo do Golfo Persa volta a fluir, mas preços podem demorar a cair

Embarques do Golfo Persa superam 24 milhões de barris/dia, nível pré-guerra, mas frete, seguro e estoques baixos mantêm o Brent alto.

Foto: Tom Fisk (Pexels)

Os embarques de petróleo que saem do Golfo Persa voltaram, em outubro, a patamares próximos — e, em alguns números, superiores — aos registrados antes do conflito envolvendo o Irã. Ainda assim, o mercado segue cauteloso: o volume recuperou, mas o custo e o risco de mover o crude continuam elevados.

Dados da empresa de rastreamento de navios Kpler, citados pelo Wall Street Journal via MarketWatch, mostram que o fluxo médio na semana até 18 de outubro superou 24 milhões de barris por dia, ante cerca de 23,3 milhões no período pré-guerra. O Brent, referência internacional, seguia na casa dos US$ 108 a US$ 109 o barril nesta quarta-feira.

O que aconteceu

Após ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, Teerã tentou restringir o Estreito de Ormuz, rota por onde circulava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. A resposta do comércio foi improvisar: corredor protegido próximo à costa de Omã, transferências navio a navio no Golfo de Omã e maior uso de oleodutos terrestres até o Mar Vermelho e o próprio Golfo de Omã.

Pelos números da Kpler, o tráfego pelo estreito — incluindo transbordos offshore — ficou em torno de 14 milhões de barris diários, cerca de 80% a 82% do volume pré-guerra. Em setembro, cerca de 40% do crude não iraniano que saiu da região evitou Ormuz, ante 17% antes do conflito. As exportações iranianas, por sua vez, ficam de fora da conta: autoridades americanas afirmam que um bloqueio naval as cortou por completo.

O retorno do volume ocorre em meio a ataques intensificados. Em outubro, foram registrados cerca de 30 ataques a embarcações — algo como 20% de todos os incidentes da guerra, segundo a analista Michelle Wiese Bockmann, da Windward. O frete de um superpetroleiro do Golfo à China se aproximou de um recorde de US$ 37,37 por barril, e o seguro de risco de guerra chegou a até 10% do valor do navio, ante menos de 3% no pré-conflito.

Para Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do JPMorgan, o diagnóstico mudou: em abril, faltava crude; em outubro, o problema é o custo de transportá-lo. Margens elevadas — da ordem de US$ 20 a mais por barril no petróleo iraquiano revendável, segundo Homayoun Falakshahi, da Kpler — e bônus altos às tripulações mantêm o apetite de risco, mas não apagam a fragilidade da recuperação.

O que isso pode mudar

Se o sistema de escoamento se mantiver estável, a pressão sobre o déficit físico de oferta tende a aliviar. Isso, porém, não garante queda rápida dos preços. Estoques globais já foram drenados ao longo do conflito; qualquer nova interrupção — ataques a navios, a oleodutos ou escalada diplomática — encontraria um colchão menor. Frete e seguro caros continuam embutidos no preço entregue ao refinador, sobretudo na Ásia.

Uma acomodação mais duradoura exigiria, na prática, rotas previsíveis, fretes em queda e reposição de inventários — processo que analistas e executivos do setor estimam poder levar meses ou até anos. Enquanto Washington e Teerã distantes de um entendimento e os ataques se espalham para além de Ormuz, o mercado pode conviver com uma anomalia: mais petróleo saindo do Golfo Persa e, ainda assim, cotações teimosamente altas.

Fontes: WSJ Markets / MarketWatch — Oil is now flowing out of the Persian Gulf like before the Iran war

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