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Poundland pede 10 dias e se aproxima de colapso no varejo britânico

Poundland pede 10 dias e se aproxima de colapso no varejo britânico

A rede de desconto Poundland protocolou aviso de intenção de nomear administradores. A dona americana Gordon Brothers restringiu financiamento e mira desmembrar as lojas.

Ilustração: Centre for Ageing Better (Pexels)

A Poundland, uma das maiores redes de desconto do Reino Unido e da Irlanda, entrou em zona de risco extremo nesta quinta-feira (29). A direção protocolou um aviso de intenção de nomear administradores, medida que abre uma janela de dez dias para tentar um acordo de salvamento antes de um processo formal de insolvência.

O movimento ocorre depois que o diretor-geral Barry Williams enviou um memorando aos cerca de 12 mil funcionários afirmando que a controladora americana restringiu o acesso da rede a financiamento, apesar de vendas descritas como fortes. O futuro da marca, nascida em 1990, ficou em aberto.

O que aconteceu

Segundo a BBC, a dona da Poundland é a Gordon Brothers, que comprou a operação do grupo varejista polonês Pepco em junho do ano passado por uma libra nominal. Pouco mais de um ano depois, colocou o negócio à venda. A firma americana herdou um empréstimo de acionista de cerca de 30 milhões de libras e busca recuperá-lo no desenlace atual.

Há uma proposta da irlandesa Martin Property Group (MPG) para manter a empresa em funcionamento — a opção preferida pela gestão. A oferta, porém, teria ficado em cerca de 5 milhões de libras à vista, com o restante diferido, e não teria atendido às expectativas da Gordon Brothers. Com o impasse, a Poundland caminha para um processo de insolvência.

No memorando aos funcionários, Williams apontou que a controladora limitou o acesso a recursos que, em condições normais, estariam disponíveis sob o acordo de empréstimo vigente. A BBC descreve a rede como tendo cerca de 600 lojas no Reino Unido e na Irlanda — onde opera sob a marca Dealz —, cerca de 20 milhões de clientes por ano e um sortimento de produtos do dia a dia, mercadoria geral e moda em preços baixos nas principais ruas comerciais.

Fontes ligadas ao processo indicam que a Gordon Brothers prefere desmembrar o grupo. Rivais como Poundstretcher, B&M e Lidl teriam interesse em comprar pacotes de lojas. Uma saída possível é a chamada administração pré-empacotada (pre-pack), em que um novo dono assume ativos já negociados dentro do processo. A hipótese vista como mais provável, contudo, é a venda em fatias da rede de pontos de venda.

O secretário de Negócios britânico, Jonathan Reynolds, disse à BBC que o governo acompanha de perto o caso, mas não tem papel formal no processo. Avaliou que a empresa “foi reerguida” e emprega milhares de pessoas, e que um comprador capaz de manter esse avanço “soa naturalmente como o melhor caminho”. Um insider da Gordon Brothers argumentou que o desmembramento permitiria aos credores recuperar mais recursos e, na visão da firma, seria o melhor desfecho também para o quadro de pessoal.

O que isso pode mudar

Se a janela de dez dias não produzir um resgate integral, a Poundland pode deixar de operar como uma única cadeia sob a atual estrutura e virar um mosaico de lojas sob novos operadores. Isso poderia preservar parte do emprego e da presença nas high streets, mas também reconfigurar a concorrência no varejo de desconto britânico e irlandês, com marcas rivais absorvendo endereços estratégicos.

A tensão entre gestão e controladora — vendas firmes de um lado, restrição de caixa e meta de recuperar o empréstimo de 30 milhões de libras do outro — sugere que o desfecho deve depender menos do desempenho operacional imediato e mais do preço e da estrutura financeira aceitos pela Gordon Brothers. Uma venda como empresa em funcionamento, nos moldes defendidos pela direção e pela proposta da MPG, ainda é possível na teoria, inclusive via pre-pack; na prática, o cenário mais citado aponta para o desmembramento.

Para fornecedores, locadores e consumidores habituados à marca única Poundland/Dealz, os próximos dias devem trazer mais clareza sobre quantas lojas seguem abertas, sob qual bandeira e com qual garantia de continuidade operacional. Até lá, a rede permanece em compasso de espera, com o relógio da administração correndo.

Fontes: BBC Business

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