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Presidente eleito herda dívida de R$ 11,1 trilhões e juros de R$ 1,18 tri ao ano

Presidente eleito herda dívida de R$ 11,1 trilhões e juros de R$ 1,18 tri ao ano

Juros da dívida exigem R$ 1,182 trilhão ao ano; dívida bruta chegou a 82,9% do PIB. O Orçamento, com 92% obrigatório, aperta a máquina pública.

Ilustração: Atlantic Ambience (Pexels)

O próximo presidente da República terá de lidar, desde o início do mandato, com uma conta de juros da dívida pública que já exige o desembolso de R$ 1,182 trilhão em um ano. A cifra, reportada pelo Estadão a partir do cenário fiscal atual, resume a escala do desafio que aguarda quem vencer o segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato Flávio Bolsonaro.

Em agosto de 2026, a dívida bruta do governo federal chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 11,1 trilhões, segundo dados do Banco Central citados pela reportagem. Projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que, neste ano, apenas Egito e Bahrein devem gastar mais com juros do que o Brasil.

O governo federal projeta déficit de R$ 80,9 bilhões em 2026, agravado por medidas lançadas na tentativa de reeleição. Para 2027, há superávit estimado de R$ 18,6 bilhões, mas o Orçamento deverá ser refeito, com revisão de receitas e disputa sobre como acomodar as promessas da campanha.

O que aconteceu

As despesas obrigatórias — aquelas que a União não pode deixar de pagar — somam 92% do Orçamento. Previdência e benefícios sociais acompanham o salário mínimo, cujo piso cresce acima da inflação. Em 2024, o governo Lula limitou o aumento real a 2,5% ao ano, o mesmo teto de crescimento de despesas do arcabouço fiscal, mas a pressão permanece.

Saúde e educação seguem carimbadas e atreladas à arrecadação federal, avançando mesmo sob as regras do arcabouço. Somadas Previdência, assistência, saúde e educação, essas rubricas superam 80% do Orçamento. A 17 dias do primeiro turno, o presidente reajustou o Bolsa Família em 15%, elevando o comprometimento com gastos obrigatórios; a equipe econômica afirma que o aumento será acomodado com remanejamento de rubricas e redução da projeção de outras despesas.

Flávio Bolsonaro, do PL, passou a negar cortes em programas sociais e mudanças no reajuste de benefícios e pisos, embora prometa ajuste fiscal da ordem de R$ 200 bilhões. Segundo o Estadão, a gestão Lula já projetou falta de recursos para despesas não obrigatórias a partir de 2028, caso nada seja feito — o que compromete a manutenção da máquina pública e pressiona investimentos.

O consultor de Orçamento do Senado Daniel Couri defende recuperar a credibilidade da gestão fiscal e enfrentar, sobretudo, a indexação do Orçamento. A economista Selene Peres Nunes, uma das autoras da Lei de Responsabilidade Fiscal, afirma não ver ajuste sem mexer em Previdência, assistência, saúde e educação, mas pede também corte de penduricalhos e reforma administrativa no “andar de cima”. Outro ponto de atrito são as emendas: no Orçamento de 2026, o Congresso aprovou R$ 62 bilhões, dos quais R$ 49,9 bilhões carimbados diretamente pelos parlamentares.

Claudiano Albuquerque, consultor do FMI e ex-secretário adjunto de Orçamento, argumenta que o desafio não se resolve só com corte pontual: é preciso um processo permanente de governança fiscal e orçamentária, com horizonte de médio prazo e menos dependência de contingenciamentos e improvisos.

Impacto na prática

Na prática, o aperto fiscal pode reduzir o espaço para serviços e investimentos que dependem de despesas discricionárias — o restante do Orçamento depois das obrigações legais. Em tese, famílias que dependem de programas sociais e usuários de saúde e educação pública ficam no centro do debate: qualquer ajuste nessas rubricas pode alterar o ritmo de reajustes ou a oferta de políticas, enquanto a ausência de correção pode apertar ainda mais a máquina e os investimentos públicos.

Para o Brasil, as projeções e os alertas reunidos na reportagem sugerem, em hipótese, que a credibilidade fiscal e a trajetória da dívida podem influenciar juros, confiança de investidores e a capacidade do Estado de financiar obras e manutenção. Não há, nas fontes, garantia de colapso imediato; o quadro aponta risco crescente se a compressão das despesas livres se confirmar a partir de 2028.

Quem assumir o Planalto herdará, portanto, não só números elevados de dívida e juros, mas uma estrutura orçamentária rigidamente indexada. Se o capital político do pós-eleição for usado para reabrir a discussão sobre regras, emendas e governança de médio prazo — como defendem os especialistas ouvidos —, o país pode ganhar margem de manobra; se o improviso prevalecer, a pressão sobre a máquina pública e sobre o custo da dívida tende, segundo o diagnóstico das fontes, a se intensificar.

Fontes: GN economia BR 1d

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