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Prioli gravou vídeos pelo Master com roteiro aprovado por Vorcaro, diz Estadão

Prioli gravou vídeos pelo Master com roteiro aprovado por Vorcaro, diz Estadão
Imagem ilustrativa

Reportagem do Estadão, citada pela Folha, aponta contrato de 12 meses, revisão de roteiros e rede de influenciadores; advogada nega vínculo comercial com o banqueiro.

Foto: K (Pexels)

A advogada e influenciadora Gabriela Prioli atuou como porta-voz informal do Banco Master sob contrato de um ano, com roteiros revisados pelo dono da instituição, Daniel Vorcaro, segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo na sexta-feira (16). O caso foi repercutido neste domingo (18) pelo site C-Level, da Folha, no recorte de finanças.

Em nota enviada ao Estadão, Prioli afirma que Vorcaro jamais editou, aprovou ou orientou seus conteúdos e que nunca houve vínculo comercial entre os dois. A matéria do jornal paulista se baseia em mensagens extraídas do celular do banqueiro, a partir de diálogos entre Vorcaro e Ana Matos, que comandou comunicação e marketing do banco de 2023 até o fim de 2025. Ana Matos foi procurada pelo Estadão e não respondeu.

A defesa da influenciadora cobra provas e sustenta que 100% do faturamento está documentado por notas fiscais, nenhuma delas emitida para o Master ou empresas ligadas a Vorcaro. Medidas cabíveis já estão sendo tomadas, diz o texto da nota citado pela Folha.

O que aconteceu

Segundo o Estadão, Ana Matos informou ao chefe que o contrato com Prioli estava assinado por 12 meses. A executiva também mencionou a montagem de uma rede de cerca de 15 influenciadores de diferentes campos políticos, com o objetivo de atacar a imprensa e defender os negócios do banco.

As mensagens, de acordo com a reportagem, indicam que Prioli submetia os vídeos à equipe do banco antes de publicá-los e incorporava alterações pedidas pelo próprio Vorcaro. Em 4 de abril de 2025, o banqueiro escreveu “Prioli ótima tacada”. Dois dias depois, classificou a contratação como a melhor estratégia do banco.

Ainda conforme o jornal, Vorcaro orientou que o roteiro o citasse — “Acho que no texto ela tem que me citar” — e pediu que o conteúdo evitasse referências ao PT. “Tira PT. Pessoas querem politizar”, disse, segundo o texto. Ana Matos informou ter incluído na fala da influenciadora a ideia de que Vorcaro sofria preconceito de grandes banqueiros: “Coloquei isso na Prioli. Pra dar esse gancho”, escreveu a executiva.

Após a primeira publicação, a reportagem relata que Ana Matos evitou comentar a contratação com quem a parabenizava: “Não tô abrindo tá? Pra ngm”, em 7 de abril de 2025. O primeiro vídeo saiu no início de abril de 2025, dias depois de vir a público a negociação para a compra do Master pelo BRB. Na ocasião, Prioli disse abordar finanças “não como especialista, mas como interessada”.

Em 18 de abril, Vorcaro sugeriu conteúdo sobre os CDBs do banco para manter investidores, segundo o Estadão. Em um dos vídeos, Prioli afirmou que o produto “é mais seguro porque é garantido pelo FGC [Fundo Garantidor de Crédito]”. O material voltou a circular depois que o site Poder360 revelou conversas do banqueiro com uma agência que representava a influenciadora.

Em maio de 2025, o banqueiro orientou que texto em preparação atacasse jornalistas: “Tem que bater em jornalista não no [banco] BTG”, diz a reportagem. Em 28 de julho de 2025, Ana Matos enviou a Vorcaro um vídeo gravado por Prioli e disse já ter combinado divulgação com veículos: “Temos a Prioli na manga”. Vorcaro reprovou o conteúdo e pediu ajustes; dois dias depois, a executiva escreveu que a influenciadora havia acatado a solicitação: “Ela absorveu nosso pedido”.

A publicação foi adiada por sugestão do banqueiro porque o noticiário daquele dia era dominado pelas sanções dos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, conforme o jornal. O Estadão aponta que ao menos quatro publicações de Prioli teriam sido feitas sob orientação da equipe do Master; todas foram apagadas pela influenciadora.

Impacto na prática

Se as mensagens forem corroboradas em investigações, o episódio pode reforçar o debate sobre transparência em campanhas de influenciadores ligadas a bancos e sobre o que investidores entendem como conteúdo editorial ou patrocinado. Em tese, casos semelhantes podem influir na avaliação de comunicação de risco em CDBs, inclusive com menção ao FGC.

Para o Banco Master — em negociação de compra com o BRB —, a divulgação de diálogos sobre roteiros pode, em hipótese, ampliar a pressão reputacional sobre Vorcaro, sem antecipar desfechos jurídicos. A rede de cerca de 15 influenciadores descrita na reportagem, se confirmada, sugere um modelo de defesa que pode ser comparado com práticas de comunicação de outras instituições financeiras.

A disputa entre a versão do jornal e a negativa de Prioli tende a manter o foco em provas, notas fiscais e contratos, enquanto o caso Master segue na agenda política e de mercado.

Fontes: Folha C-Level — Prioli gravou vídeos em defesa do Master sob contrato e com roteiro aprovado por Vorcaro, diz jornal (reportagem original atribuída ao O Estado de S. Paulo, 16.out.2026).

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