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Private equity injeta bilhões em tech de defesa e acende alerta de bolha

Private equity injeta bilhões em tech de defesa e acende alerta de bolha

Investimentos de growth do private equity em defesa chegaram a US$ 4 bilhões em nove meses de 2026, segundo a PitchBook, enquanto gestores alertam para avaliações infladas.

Ilustração: RDNE Stock project (Pexels)

O capital privado (private equity) está despejando bilhões na tecnologia de defesa, empurrado pelo aumento dos gastos militares e pelas tensões geopolíticas. Dados da PitchBook mostram que os investimentos de crescimento (growth) do setor no ramo chegaram a US$ 4 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, ante US$ 500 milhões em 2024.

O movimento, reportado pela CNBC nesta segunda-feira (26), mistura oportunidade industrial e risco de bolha. Gestores tradicionais de buyout passam a financiar empresas mais jovens e de alto crescimento, território que costumava ser do capital de risco (venture capital).

O que aconteceu

Segundo a PitchBook, o número de negócios de growth do private equity em defesa subiu de 15 em 2024 para 31 em 2025 e chegou a 48 até setembro de 2026. Essas operações representaram 41% do valor dos deals de PE no setor neste ano, contra apenas 3% em 2024. Jim Corridore, analista industrial da PitchBook, disse à CNBC que o PE “está entrando no território que o VC costumava dominar”.

A onda de capital de risco também cresceu. Startups de países da Otan e aliados levantaram US$ 27,1 bilhões até setembro, quase o dobro do total de 2025, de acordo com relatório de outubro da Dealroom e da Resilience Media. No campo do PE, a Advent International anunciou em março um compromisso de até US$ 1 bilhão em defesa de nova geração, incluindo apostas em sistemas autônomos como Shield AI e Saronic. Shonnel Malani, sócio-gestor da Advent e chefe global de aeroespacial e defesa, afirmou que cerca de três quartos desse montante já foram aplicados.

Uma pesquisa da banca White & Case com 250 executivos seniores de empresas de defesa do Reino Unido indicou que 97% esperam buscar financiamento externo significativo nos próximos 12 meses. Daniel Turgel, sócio da firma, disse à CNBC que o capital privado passou a ter papel crítico no financiamento da tech de defesa, com PE, VC, fundos soberanos e family offices querendo investir mais — mudança relevante em relação a poucos anos atrás, quando muitos investidores hesitavam ou enfrentavam restrições.

O pano de fundo são guerras, rivalidades e a corrida por capacidade militar, abrindo espaço para drones autônomos, defesa antimísseis e satélites. Malani, porém, alertou para “muita espuma” no sistema: empresas cada vez mais precificadas pela promessa tecnológica, e não por receita, lucro ou carteira de pedidos. Ele afirmou à CNBC haver “risco muito grande” de bolha e disse ter abandonado negócios porque as avaliações ficaram “absurdas”.

Nem todos seguem o mesmo roteiro. Lionel Mestre, sócio da francesa Weinberg Capital Partners, afirmou que sua casa ainda mira negócios lucrativos, com produtos estabelecidos, clientes e fluxo de caixa positivo. Para ele, as avaliações dos fornecedores menores e consolidados que a Weinberg busca não dispararam tanto, e o mercado de drones ainda seria cedo demais para a estratégia clássica de buyout. Mestre vê espaço para financiar expansão fabril e consolidar a cadeia fragmentada de defesa na Europa, sob pressão renovada por maiores gastos militares.

O que isso pode mudar

Na leitura dos analistas citados pela CNBC, o PE, a dívida e outras formas de financiamento tendem a ganhar peso para ligar inovação à produção em escala industrial — um salto que o venture capital sozinho pode não financiar. Se esse capital chegar com disciplina operacional, startups e fornecedores médios poderiam acelerar fábricas, capital de giro e acesso a clientes governamentais.

O outro cenário, admitido por Malani, é uma correção se parte das empresas não transformar promessa tecnológica em resultado comercial. A PitchBook contabiliza 504 deals de PE em defesa desde 2021, contra apenas 101 saídas (exits); ofertas públicas iniciais (IPOs) responderam por 70% do valor das saídas até setembro de 2026, o que deixaria investidores mais expostos ao humor das bolsas. Corridore, por sua vez, relativiza o aquecimento e aponta orçamentos em alta, estoques de munição consumidos e novas tecnologias de drone e antidrone como base de receita mais previsível para apostas de longo prazo.

No curto prazo, o que pode mudar é o perfil do dinheiro que chega à defesa: menos só capital de risco em estágio inicial, mais PE em growth e buyouts industriais. O teste, nos próximos ciclos, será se esse fluxo sustenta produção e consolidação — ou se as avaliações “absurdas” cobram o preço de uma bolha.

Fontes: CNBC Top News

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