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Rehn no BIS vê eurozona resiliente e inflação ainda concentrada na energia

Rehn no BIS vê eurozona resiliente e inflação ainda concentrada na energia

Governador do Banco da Finlândia diz que o choque energético do Oriente Médio elevou a inflação, mas efeitos de segunda rodada ainda não apareceram, e aponta três frentes para a Europa.

Ilustração: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

O governador do Banco da Finlândia, Olli Rehn, afirmou em discurso publicado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) que a economia da zona do euro se mostrou resiliente e um pouco melhor do que o esperado, apesar das tensões no Oriente Médio. A avaliação foi feita em webinar do grupo Macro do Centre for European Policy Studies (CEPS), em Helsinque, em 20 de outubro de 2026.

Rehn destacou que o Banco Central Europeu (BCE) elevou em setembro as projeções de crescimento e que a alta recente dos preços ao consumidor ainda parece concentrada em categorias ligadas à energia, sem evidência clara, até agora, de efeitos de segunda rodada sobre a inflação subjacente.

O que aconteceu

Segundo o discurso, as expectativas de crescimento para o restante do ano se fortaleceram em relação a projeções anteriores. A leitura dos dados, porém, exige cautela por causa da volatilidade do Produto Interno Bruto (PIB) da Irlanda, influenciado por multinacionais. O crescimento revisado da zona do euro no segundo trimestre foi de 0,6%; uma medida ajustada que usa a demanda doméstica modificada da Irlanda aponta crescimento trimestral moderado e estável de 0,3% no primeiro semestre.

A atividade, disse Rehn, é sustentada por mais investimento em defesa e infraestrutura, por consumo privado mais resiliente do que o antecipado e pela expansão da inteligência artificial, visível em serviços digitais, investimento empresarial e exportações. Nas projeções de setembro do BCE, a economia da zona do euro deve crescer pouco menos de 1% neste ano (0,9%), cerca de 1,4% no ano seguinte e 1,5% no posterior. A continuidade ou possível escalada do conflito no Oriente Médio segue como risco de baixa para o cenário.

As condições financeiras mais apertadas também pesam. Juros e expectativas de juros mais altos, com outros fatores que elevaram o custo do crédito, aumentaram as taxas bancárias para famílias e empresas. Embora os estoques de crédito tenham continuado a crescer nos meses recentes, o aperto pode frear a demanda por empréstimos e, no período à frente, moderar o crescimento e reduzir pressões inflacionárias.

Em setembro, a inflação ficou em 3,8%, puxada pela energia, a 18,9%. Além das commodities, margens de refino e redistribuição empurraram o preço ao consumidor. A inflação núcleo — sem energia e alimentos — foi de 2,5%. Nas projeções de setembro do BCE, a inflação cheia deve permanecer, em média, acima da meta de 2% no próximo ano, com núcleo em 2,6%; depois, a trajetória aponta para 2,1% em 2028 e núcleo de 2,3%.

Rehn observou que a alta não está espalhada pela cesta de consumo. Só 19 dos 136 subcomponentes do Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor (HICP) registraram inflação acima de 5%, patamar semelhante à média de 2025. A aceleração segue concentrada em bens e serviços ligados à energia — combustíveis, eletricidade e transporte —, enquanto outras categorias, em média, não avançaram de forma material desde a escalada do conflito. Em comparação com 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia coincidiu com recuperação rápida pós-pandemia e mercado de trabalho mais apertado, o momento cíclico atual é mais contido, a demanda por trabalho amoleceu e o crescimento salarial permanece relativamente moderado.

Na reunião de setembro, o BCE elevou as taxas-chave em 0,25 ponto percentual. Rehn afirmou que a perspectiva de inflação e os riscos ao redor justificavam o movimento, e que as decisões seguem reunião a reunião, sem compromisso prévio com uma trajetória de juros. Em dezembro, o Conselho terá projeções macroeconômicas atualizadas.

O que isso pode mudar

A resposta da política monetária, segundo o próprio Rehn, tende a depender de a inflação se tornar mais ampla. Até agora, o discurso não aponta efeitos de segunda rodada, mas ele pediu vigilância contínua — o que pode manter o BCE sensível a qualquer disseminação de pressões de preços, especialmente se o choque energético se prolongar.

Para além dos juros, o governador ligou o futuro da Europa a três frentes — defesa, energia e produtividade — e à conclusão da União de Poupanças e Investimentos, para canalizar a poupança europeia, hoje fragmentada, para investimento produtivo. Se esses passos avançarem, a zona do euro poderia reforçar segurança energética e competitividade enquanto a política monetária, na formulação de Rehn, atua com mão firme para preservar a estabilidade de preços e apoiar crescimento sustentável e emprego. O risco inverso é o conflito no Oriente Médio continuar a ditar o ritmo da inflação e a incerteza das próximas decisões do BCE.

Fontes: BIS Speeches

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