Bolsa

Rhode Island processa Meta por anúncios fraudulentos nas redes

Rhode Island processa Meta por anúncios fraudulentos nas redes

O procurador-geral de Rhode Island acusa a Meta de falhar no combate a anúncios de golpe e de lucrar com a inação. A empresa diz ter removido mais de 159 milhões de peças.

Foto: Mindaugas Skrupskelis (Pexels)

Rhode Island tornou-se, nesta quinta-feira (22), o primeiro estado americano a processar a Meta por sua abordagem a anúncios de golpe nas plataformas. Segundo a Engadget, o procurador-geral Peter F. Neronha alega que a companhia não faz o suficiente para barrar peças fraudulentas e que teria deixado de agir com mais rigor porque esses anúncios geram receita.

A Meta rebateu: o porta-voz Andy Stone afirmou à Reuters — que noticiou o caso antes — que a empresa já removeu mais de 159 milhões de anúncios de golpe. O embate coloca no centro o equilíbrio entre segurança do consumidor e o modelo de negócios da publicidade digital.

O que aconteceu

A ação aponta falhas no controle de anúncios fraudulentos em redes da Meta e liga essa omissão, segundo a denúncia, ao fato de que os golpes renderiam faturamento à empresa. Neronha afirmou que, para uma companhia que alcança tantos moradores de Rhode Island e americanos, manter padrões elevados de segurança do consumidor deveria ser prioridade. Nas palavras do procurador, conforme a Engadget, a Meta teria, segundo a denúncia, exposto usuários vulneráveis a fraudes e golpes e obtido lucros enormes com isso. Ele também disse que, quando empresas — grandes ou pequenas — se aproveitam de consumidores do estado, o gabinete usará sua autoridade para responsabilizá-las.

Stone, por sua vez, acusou o procurador-geral de ter se recusado a dialogar sobre as formas pelas quais a Meta protege residentes de Rhode Island contra golpes. Segundo o porta-voz, o estado teria contratado um escritório de advocacia privado de fora do estado para montar um processo que, na visão da empresa, ignora o conjunto de medidas adotadas no dia a dia contra fraudes.

O comunicado do gabinete de Neronha destaca que Rhode Island é o primeiro estado a agir contra a alegada omissão, embora a Meta já tenha sido alvo de ações semelhantes. A Consumer Federation of America ajuizou processo em abril, e o condado de Santa Clara, na Califórnia, fez o mesmo em maio. Um relatório da Reuters de 2025, citado pela Engadget, estimou que anúncios de golpe nas redes da Meta poderiam render bilhões de dólares à companhia — eventualmente até cerca de 10% da receita.

A própria Meta tem tomado medidas contra atores mal-intencionados por trás de parte desses anúncios falsos e processado criadores de outras peças. Também ampliou, no início deste ano, proteções aos usuários em mensagens suspeitas, conforme o relato da Engadget.

O que isso pode mudar

Se a tese de Rhode Island avançar nos tribunais, o caso pode reforçar a pressão estadual sobre a moderação de anúncios e sobre a responsabilidade das plataformas quando golpes circulam em troca de receita publicitária. Outros estados poderiam observar o precedente — a própria Engadget registra que Rhode Island seria o primeiro a processar nesses termos — e avaliar ações semelhantes, especialmente diante de litígios já em curso por entidades e governos locais.

Para a Meta, o risco, em tese, não se limita a uma condenação ou acordo: o debate público sobre a parcela da receita eventualmente ligada a anúncios fraudulentos — cifra que um relatório de 2025 da Reuters chegou a associar a bilhões e a até cerca de um décimo do faturamento — tende a endurecer exigências de transparência e de remoção mais agressiva. A empresa, contudo, aposta no volume de remoções já anunciado e nas ações contra fraudadores para sustentar que já combate o problema.

No curto prazo, o mais provável é um embate jurídico e de narrativa: de um lado, a acusação de exposição deliberada de usuários vulneráveis; de outro, a defesa de que o estado teria ignorado o arsenal de proteções e buscado litígio com apoio externo. O desfecho ainda é incerto, mas o processo amplia o escrutínio sobre quanto as grandes redes lucram — ou deixam de perder — quando anúncios de golpe permanecem no ar.

Fontes: Engadget

Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br