Robert Half projeta salários de até R$ 93.550 no Guia Salarial 2027

Guia Salarial 2027 da Robert Half, exclusivo ao g1, projeta até R$ 93.550 por mês em mais de 450 cargos e aponta demanda por IA e dados.
Foto: Mikhail Nilov (Pexels)
Uma pesquisa da Robert Half, divulgada nesta terça-feira (20) com exclusividade ao g1, apresenta projeções salariais para mais de 450 cargos e indica quais profissionais devem ser mais disputados no mercado de trabalho brasileiro em 2027. O Guia Salarial 2027 reúne tendências de remuneração em oito áreas: Tecnologia, Engenharia, Jurídico, Vendas e Marketing, Finanças e Contabilidade, Mercado Financeiro, Seguros e Recursos Humanos.
Segundo o levantamento, os salários iniciais podem chegar a R$ 93.550 por mês, a depender do cargo e do setor. Os valores consideram apenas a remuneração-base, sem bônus ou benefícios, e refletem os salários pagos a profissionais conectados pela Robert Half a empregadores no Brasil. O estudo aponta ainda que 51% dos gestores pretendem aumentar o orçamento salarial no próximo ano.
Para elaborar o guia, a empresa ouviu 500 gestores de contratação e 1.000 profissionais das áreas de Finanças e Contabilidade, TI e Tecnologia, Suporte Administrativo e ao Cliente, Jurídico e Engenharia, em empresas privadas e de capital aberto de pequeno, médio e grande porte.
O que aconteceu
Na área de tecnologia, a disputa por talentos aparece ainda mais intensa. Mais da metade dos gestores (53%) afirma oferecer salários acima do planejado para garantir contratações. Além disso, 41% dos empregadores já pagam valores maiores a profissionais com experiência em inteligência artificial generativa.
O levantamento indica que a valorização profissional vai além do conhecimento técnico. Competências como análise de dados, aplicação prática de inteligência artificial, fluência em idiomas, pensamento analítico, visão de negócios e capacidade de comunicação estão entre os fatores que podem impulsionar a remuneração em diferentes áreas.
Entre as carreiras com os maiores salários previstos para 2027, destacam-se os cargos executivos do mercado financeiro; funções ligadas à inteligência artificial e à análise de dados também aparecem entre as mais valorizadas. No topo da lista está o diretor financeiro (CFO) de Finanças e Contabilidade em grandes empresas, com até R$ 93.550 por mês, seguido pelo Sales Trader — Diretor Executivo (Managing Director), com até R$ 90.050, e pelo diretor-geral de Finanças (CFO) do Mercado Financeiro, com até R$ 85.250.
Completam o top 10 o gerente-geral de Vendas e Marketing em grandes empresas (até R$ 85.000), o Trader — Diretor Executivo (Managing Director) (até R$ 84.600), o diretor executivo de ECM/DCM/Project Finance (até R$ 81.700), o diretor executivo de Fusões e Aquisições (M&A) (até R$ 80.650), o Chief Data Officer (CDO) de Seguros (até R$ 72.000), o diretor financeiro (CFO) de Seguros (até R$ 66.150) e o diretor comercial de Vendas e Marketing em grandes empresas (até R$ 62.100).
Entre os cargos não executivos com as maiores remunerações previstas, o guia aponta gestor de renda variável (até R$ 45.300), gestor de renda fixa (até R$ 43.500), associate de M&A (até R$ 35.550), associate de Crédito e Risco (até R$ 34.350) e associate de ECM/DCM/Project Finance (até R$ 30.200). Na tecnologia, aparecem engenheiro de inteligência artificial (até R$ 28.200), analista DevSecOps (até R$ 27.350), engenheiro de prompt (até R$ 27.150), arquiteto de software (até R$ 26.950) e especialista ou cientista de dados (até R$ 25.600).
Os salários representam remunerações iniciais e não incluem bônus, participação nos lucros ou outros benefícios. A Robert Half divide as faixas em três percentis conforme experiência e demanda: o 25º descreve o profissional novo na função; o 50º, quem desempenha as principais responsabilidades de forma consistente; e o 75º, quem agrega qualificações diferenciadas.
Flexibilidade de horário, trabalho híbrido, programas de saúde e bem-estar e apoio à saúde mental aparecem como diferenciais para a retenção de talentos. Segundo a Robert Half, a tendência é que os profissionais mais valorizados sejam aqueles capazes de combinar conhecimento técnico, domínio de ferramentas de inteligência artificial e habilidade para transformar dados em decisões estratégicas.
Impacto na prática
Os números do guia sugerem que a disputa por talentos em tecnologia, dados e mercado financeiro pode continuar pressionando remunerações e pacotes de benefícios em 2027, sobretudo onde há escassez de especialistas em inteligência artificial generativa. Em tese, quem atua nessas frentes — ou busca migrar para elas — pode encontrar maior margem de negociação salarial e de condições de trabalho.
Em hipótese, o quadro descrito pela Robert Half também pode influenciar a forma como empresas no Brasil estruturam orçamentos de pessoal e critérios de contratação, se 51% dos gestores de fato elevarem o gasto com salários. O estudo, contudo, reflete salários praticados nas conexões da própria recrutadora e não constitui previsão oficial para toda a economia.
Se as projeções do Guia Salarial 2027 se confirmarem no dia a dia das contratações, o mercado brasileiro pode seguir valorizando perfis híbridos — técnicos e estratégicos — e ampliando a importância de benefícios ligados a flexibilidade e saúde mental na retenção de profissionais disputados.
Fontes: G1 — Profissões em alta para 2027
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