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Roberta Luchsinger diz que Lulinha se reuniu inúmeras vezes com ministros na CNN

Roberta Luchsinger diz que Lulinha se reuniu inúmeras vezes com ministros na CNN
Imagem ilustrativa

A lobista Roberta Luchsinger afirmou à CNN Brasil que Lulinha encontrou ministros diversas vezes, rebateu Lula e disse que pretende delação premiada.

Foto: Rafael Rodrigues (Pexels)

A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou em entrevista à CNN Brasil, veiculada na noite deste sábado (17), que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reuniu-se “inúmeras vezes” com ministros do governo federal. A declaração contraria versões públicas atribuídas ao chefe do Executivo, candidato à reeleição em 2026.

Luchsinger, de 41 anos e diretora da RL Consultoria e Intermediações, está no centro da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e também é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência envolvendo Lulinha. Ela disse ainda que pretende fechar acordo de delação premiada e que não poupará o presidente nem o filho na colaboração com as autoridades.

A entrevista ampliou o embate político às vésperas do segundo turno. O Palácio do Planalto respondeu por nota que Lula “desconhece inteiramente” os fatos narrados pela empresária e classificou o timing das declarações como tentativa de tumultuar o processo eleitoral.

O que aconteceu

Segundo Luchsinger, é “público” e “notório” que Lulinha esteve com ministros em diversas ocasiões, inclusive com viagem à casa do ministro da Educação, Camilo Santana, no Ceará. Ela sustentou que o presidente mente ao dizer que o filho nunca se encontrou com representantes do alto escalão federal.

A empresária classificou Lula como “mentiroso ou senil” ao argumentar desconhecimento do que ocorre “na antessala” do Planalto, citando a entrevista do presidente à Rede Globo, dois dias antes, na qual ele afirmou não saber que o Bolsa Família não havia sido reajustado em seu governo.

Luchsinger rebateu o presidente por tê-la chamado de “pilantra” — termo usado por Lula na Globo em 27 de agosto e repetido pouco antes do primeiro turno, quando a comparou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do caso Master. Ela afirmou que o Executivo sabia das reuniões promovidas pelo filho e que adotou “dois pesos e duas medidas” ao criticar sua atuação sem responsabilizar Lulinha da mesma forma.

“Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu”, declarou. Relatou apoio público a Lula no passado, inclusive quando ele foi preso em abril de 2018, e disse não acreditar mais na inocência do presidente. Acusou Lula de contribuir para sua exposição e afirmou ter recebido ameaças de morte, com intimidações contra as duas filhas. Em outro trecho, disse-se usada como “boi de piranha” no episódio.

Em nota à CNN, a comunicação presidencial negou qualquer interlocução de Lula com Luchsinger, o recebimento de demandas ou conhecimento de “supostas tratativas”, e ressaltou que não há contrato do governo federal com ela. O texto apontou “estranheza” pelas declarações às vésperas do segundo turno e evocou episódios anteriores de denúncias sem comprovação em campanhas, como instrumento de manipulação da opinião pública.

Impacto na prática

O caso pode reforçar a pauta de integridade e influência política no debate eleitoral nacional, em um momento em que pesquisas citadas pela imprensa mostram disputa acirrada para a Presidência. Em tese, novas colaborações ou provas derivadas da Operação Sem Desconto e da apuração sobre tráfico de influência podem alterar o ritmo das investigações e a percepção de risco institucional entre investidores que acompanham governança e política fiscal no Brasil.

Para beneficiários e contribuintes ligados ao INSS, as fraudes apuradas na operação já mobilizam bloqueios e medidas cautelares; a delação anunciada por Luchsinger, se concretizada, pode, em hipótese, ampliar o escopo das responsabilizações sem que isso signifique, por si só, mudança imediata nas regras do benefício.

Do ponto de vista de mercado, episódios de crise política em ano eleitoral costumam elevar a volatilidade de ativos locais, embora o efeito dependa de confirmação judicial e do calendário processual — aspectos que ainda não constam da entrevista veiculada neste sábado.

Se a narrativa de reuniões entre Lulinha e ministros ganhar respaldo em investigações ou documentos, pode intensificar pressão sobre o governo federal e sobre a campanha de reeleição nas semanas finais de outubro, mantendo o tema no centro do noticiário político-econômico.

Fontes: Money Times

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