Saint Paul dá 20% da nota da 1ª etapa ao vídeo de apresentação na graduação

Na graduação em Administração da Saint Paul, em São Paulo, o vídeo obrigatório da Etapa 1 vale 2 de 10 pontos e tem de 1 a 3 minutos em português.
Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)
O vídeo de apresentação pessoal deixou de ser detalhe em parte dos processos seletivos de ensino superior no Brasil. Em texto publicado nesta quarta-feira (21) no blog da Saint Paul Escola de Negócios, na Exame, a instituição detalha o peso e as regras dessa etapa na seleção da graduação em Administração, no campus da Consolação, em São Paulo.
Segundo o edital do processo seletivo citado no material, o vídeo é item obrigatório da Etapa 1 e vale 20% da nota dessa fase, o equivalente a 2 de 10 pontos. O candidato tem de 1 a 3 minutos, em português, para mostrar como se comunica e explicar o que o levou a escolher a escola e o curso.
A produção, afirma o edital, não precisa ser profissional: um celular, um ambiente silencioso e um roteiro bem pensado bastam para a maior parte do trabalho. A avaliação combina critério técnico — imagem, som, luz, enquadramento e duração — e critério de conteúdo, centrado na autenticidade das motivações e na clareza dos objetivos do candidato.
O que aconteceu
Na Saint Paul, a Etapa 1 é chamada de avaliação integrada e soma três notas convertidas para uma escala de 0 a 10. A prova escolhida pelo candidato — Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), vestibular próprio, exame internacional ou histórico escolar — vale 60%. O portfólio de atividades extracurriculares vale 20%. O vídeo completa os outros 20%.
Para avançar, é preciso tirar 5 ou mais na etapa. Os classificados seguem para a Imersão Saint Paul Experience, um dia presencial de projeto em equipe no campus, e depois para uma entrevista individual online. O link para envio do vídeo chega ao candidato depois da confirmação da inscrição.
No critério de conteúdo, o edital observa três eixos: a autenticidade das motivações — por que cursar Administração e por que nessa escola, com razões próprias; a clareza de objetivos — o que o candidato pretende fazer com a formação; e a conexão entre os dois — como o curso pode contribuir para o desenvolvimento do estudante. O critério técnico pesa porque áudio ou imagem ruins atrapalham a avaliação do que foi dito: não se trata de estética, e sim de deixar a fala chegar inteira à banca.
O texto assinado por Raphaela Seixas lembra que a nota da prova mede desempenho acadêmico e o portfólio lista atividades, enquanto o vídeo é o momento em que a banca ouve o candidato com a própria voz. Na prática descrita pela escola, um bom vídeo pode compensar parte de uma nota de prova mais baixa, e um vídeo fraco pode tirar pontos de quem foi bem no exame.
O material também aponta falhas que conflitam com o edital: duração fora da faixa de 1 a 3 minutos; áudio com eco, ruído ou voz baixa; rosto no escuro, câmera tremendo ou enquadramento cortado; motivação genérica, sem explicar o porquê da escolha; omissão de objetivos de formação; e leitura de texto na câmera, com perda de naturalidade. Em sugestão de roteiro de cerca de 2 minutos e 50 segundos, a escola divide a fala em abertura, trajetória, razões pela escola e pelo curso, e um fechamento sobre o rumo pretendido.
Impacto na prática
Para jovens em processo de ingresso no ensino superior, a regra pode deslocar parte da disputa da sala de prova para a capacidade de se explicar em poucos minutos. Em tese, quem comunica com clareza motivações e planos pode recuperar pontos relativos diante de um desempenho acadêmico intermediário; o contrário também pode ocorrer, quando falhas técnicas ou fala genérica reduzem a nota de quem foi bem no exame.
No Brasil, onde processos seletivos tradicionais ainda costumam concentrar peso em provas escritas, o arranjo da Saint Paul pode ilustrar uma tendência de escolas de negócios a misturar evidência acadêmica, portfólio e presença em vídeo. Isso não significa que o modelo se espalhará pelo país, mas sugere, pelos critérios descritos no edital, que autenticidade e clareza de propósito passam a ter peso objetivo — e mensurável — na primeira etapa.
Se a banca, de fato, distinguir motivações concretas de frases prontas, o vídeo pode funcionar menos como vitrine estética e mais como filtro de comunicação. Em hipótese, famílias e escolas de ensino médio que acompanham candidatos a cursos de Administração podem passar a observar não só notas e atividades extracurriculares, mas também a capacidade do estudante de articular, em português e no tempo certo, por que quer começar aquela formação.
Fontes: Exame / Blog Saint Paul — Vídeo de apresentação para faculdade; Saint Paul Escola de Negócios
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