Salvar a Previdência americana pode exigir mudança no reajuste do COLA

COLA de 3,6% em 2027 convive com risco de esgotamento dos fundos em seis anos e propostas para limitar o reajuste.
Ilustração: RDNE Stock project (Pexels)
A Previdência Social americana (Social Security) deve conceder em 2027 um reajuste anual pelo custo de vida — o cost-of-living adjustment, ou COLA — de 3,6%, acima dos 2,8% deste ano. Para o beneficiário médio, isso equivale a cerca de US$ 75 a mais por mês.
O mecanismo preserva o poder de compra, mas, com fundos fiduciários sob risco de esgotamento nos próximos seis anos, o MarketWatch aponta que alterar o próprio COLA entrou no radar de propostas para adiar a insolvência do programa.
O que aconteceu
Segundo o MarketWatch, a Social Security Administration calcula o COLA com fórmula ligada a um subconjunto do índice de preços ao consumidor (Consumer Price Index). O aumento ajuda quem depende do benefício, embora nem sempre acompanhe o gasto dos aposentados. A analista independente Mary Johnson, que acompanha reajustes de Social Security e Medicare há quase 30 anos, afirmou que beneficiários contam com o COLA para proteger o poder de compra — uma das poucas rendas de aposentadoria com proteção inflacionária.
Não há ingresso suficiente nos fundos. Especialistas esperam esgotamento em cerca de seis anos; se isso ocorrer, beneficiários poderiam enfrentar corte de cerca de 26%, com aprofundamento na ausência de lei. O Congresso ainda não deliberou de forma séria, embora tenham sido ventiladas ideias como eliminar o teto da base tributável, elevar a idade plena de aposentadoria (Full Retirement Age) ou ampliar tributação. Outra via é mexer no COLA.
Uma proposta de 1987 do ex-deputado Tim Penny prevê COLA de taxa fixa (flat-rate) no percentil 20 do benefício, o que, segundo Rich Johnson, do AARP Public Policy Institute, deixaria cerca de 80% dos beneficiários com reajuste menor. Em 2026, o COLA médio foi de US$ 58 com alta de 2,8%; no modelo flat-rate, cairia para US$ 34. Se a mudança tivesse valido desde 1998, o beneficiário médio teria perdido cerca de US$ 78 mil em 28 anos, disse Johnson.
O Committee for a Responsible Federal Budget (CRFB), com cálculos de Karen Smith do Urban Institute, estima que flat-rate no percentil 20 a partir de 2027 fecharia metade do déficit de 75 anos; no percentil 30, cerca de dois quintos. Um teto no COLA do percentil 75 fecharia cerca de 10% do déficit e pouparia US$ 115 bilhões em dez anos, segundo o CRFB. Trocar o CPI-W (trabalhadores urbanos) pelo CPI-E (gastos de adultos com 62 anos ou mais) a partir de dezembro de 2028 ampliaria o déficit de longo prazo em 7%. Um COLA “encadeado” (chained), no orçamento de 2014 do então presidente Barack Obama e depois abandonado, cortaria US$ 188 bilhões entre 2027 e 2036 e fecharia cerca de 12% do déficit, segundo o Cato Institute. Cortar 1 ponto percentual do COLA a partir de dezembro de 2027 eliminaria 44% do déficit de 75 anos, segundo a Social Security Administration.
O que isso pode mudar
Nenhuma medida isolada resolveria o desequilíbrio. O cenário mais plausível, no enquadramento do MarketWatch, é um pacote que combine receita e benefício — e o COLA pode ser uma peça. Legisladores teriam de equilibrar a flutuação dos fundos com o risco de erodir demais o reajuste. O primeiro COLA automático data de 1975; desde então, a dependência cresceu. Robert Conzo, da The Wealth Alliance, disse que muitos usam a Previdência como fonte principal de renda, algo para o qual o programa não foi desenhado. Relatório de 2024 do Census Bureau indica que cerca de 14% dos beneficiários com 65 anos ou mais dependem da Social Security para 90% ou mais da renda familiar.
Se avançarem caps, taxas fixas ou índices mais restritivos, aposentados com horizonte longo poderiam ver o poder de compra encolher. Se prevalecer a troca para o CPI-E, o custo fiscal sobe. Mary Johnson pediu prioridade à proteção do COLA, alertando para esforços de reduzir ou eliminar o reajuste para alguns grupos. Em linha com a reportagem, o desenho final ainda depende de acordo político.
Fontes: WSJ Markets
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