Scania amplia motor 11 litros e atualiza cabines de caminhões no Brasil

A Scania amplia a oferta de caminhões no Brasil com motor de 11 litros (390 e 430 cv) a partir do ano que vem e apresenta as novidades na Fenatran.
A Scania ampliou a gama de motores na oferta de caminhões que mantém no mercado brasileiro e, a partir do ano que vem, passa a contar com uma versão de 11 litros em duas faixas de potência, 390 cv e 430 cv. As novidades serão apresentadas em novembro na Fenatran, a maior feira do setor de transportes no país, como parte da estratégia que busca oportunidades em segmentos de cargas mais leves.
Segundo a montadora, o novo motor estará disponível em diferentes configurações de chassi, com transmissão Opticruise G25 de 14 marchas. A atualização também alcança a linha de ônibus, que adota a plataforma Super com blocos de 11 e 13 litros, e as cabines das linhas P, G, R e S, com recursos de segurança, conforto e conectividade — inclusive comando de voz para funções do veículo e serviços de emergência.
A reportagem do C-Level, site de negócios da Folha, foi publicada em 19 de outubro de 2026. O caminhão Scania XT Super P390 é uma das atrações da marca sueca na Fenatran 2026.
O que aconteceu
De acordo com a marca, a oferta inclui versões 4x2 e 6x2, voltadas a aplicações que representam uma parcela importante do transporte rodoviário de cargas. Há também opções 6x4, para operações de construção leve, e 8x2, direcionadas a segmentos como o transporte de frutas, produtos de granja e outros alimentos.
"O motor 11 litros é versátil e atende a diversas aplicações, como carga geral, e-commerce, carga frigorificada, contêiner e diversas outras aplicações em que o cliente queira buscar menor consumo de combustível", disse Marcelo Gallão, diretor de desenvolvimento de negócios da montadora.
A gama de caminhões Super chegou ao Brasil em 2022 e, desde então, soma pouco mais de 25,5 mil unidades vendidas. O motor promete uma redução de até 8% do consumo de diesel na comparação com a média do mercado. Para essa economia, a arquitetura incorpora comando de válvulas variável (VVT) e freio auxiliar por liberação de compressão (CRB). A fabricante também reposicionou os filtros de óleo e de combustível lado a lado em uma região menos quente no cofre do motor, visando facilitar a manutenção e reduzir o tempo de parada.
Outro recurso é a unidade de otimização que, segundo a Scania, eleva de 87% para 97% a parcela de combustível efetivamente utilizável no tanque, ampliando a autonomia. Nos ônibus, os motores de 11 litros equipam os chassis K 350, K 390 e K 430 (350 cv, 390 cv e 430 cv). O propulsor de 13 litros atende às versões K 460 e K 500, para operações rodoviárias de longa distância e configurações de dois andares.
Nas cabines, as mudanças incluem o backset, que limita o movimento da cabeça em colisão ou frenagem; cama reclinável em até 60 graus; carregador de celular por indução; e ar-condicionado de teto como alternativa ao umidificador. Há um display central interativo com dados do motorista, do caminhão, do implemento, da carga e da gestão de frota, além de comandos de voz — inclusive para acionar serviços de emergência sem tirar as mãos do volante. Baterias AGM permitem, segundo a fabricante, alimentar o ar-condicionado de estacionamento por cerca de oito horas sem o motor ligado. Externamente, faróis H7 e conjunto óptico com LEDs reduzem 750 gramas no peso, afirma a empresa. As atualizações também serão apresentadas na Fenatran.
Impacto na prática
Na prática, a motorização de 11 litros pode facilitar a presença da marca em operações de carga mais leve e em rotas nas quais o consumo de combustível pesa no custo do frete, conforme o perfil descrito pela Scania. Em tese, transportadores de e-commerce, carga frigorificada, contêiner ou alimentos podem avaliar se os chassis 4x2, 6x2, 6x4 e 8x2 se encaixam melhor às suas aplicações.
Para motoristas, recursos como backset, cama reclinável, comando de voz e ar-condicionado de estacionamento podem, nos casos previstos pela montadora, reduzir distrações e oferecer mais conforto em paradas. No transporte coletivo, a renovação dos chassis de ônibus com motores de 11 e 13 litros pode, em hipótese, ampliar o leque de escolhas para linhas rodoviárias e veículos de dois andares. Promessas de menor consumo e maior autonomia sugerem, em tese, algum alívio potencial no custo operacional das frotas no Brasil — embora o resultado dependa do uso real e a fonte não traga projeções agregadas para o setor.
Com a Fenatran em novembro e a oferta de 11 litros prevista para o próximo ano, o desempenho da linha Super — que já soma pouco mais de 25,5 mil unidades desde 2022 — pode indicar se a aposta em cargas mais leves e cabines mais conectadas encontra demanda entre transportadores e operadores de ônibus.
Fontes: C-Level / Folha — Scania atualiza cabines e lança nova motorização para seus caminhões no Brasil
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