Bolsa

Semafor alega que bilionária miraria filhos de jornalista do Times

Semafor alega que bilionária miraria filhos de jornalista do Times

Semafor alega que Amy Griffin teria mirado filhos de jornalista do Times após reportagem sobre The Tell; a bilionária nega as acusações.

Ilustração: Andrea Davis (Pexels)

Uma reportagem exclusiva do Semafor, deste domingo (25), alega que a bilionária e memorialista Amy Griffin teria deslocado parte de sua reação à cobertura do The New York Times para o entorno familiar da jornalista Katherine Rosman. O eixo remonta a 24 de setembro de 2025, quando o jornal publicou a investigação de 4.980 palavras "The Billionaire, the Psychedelics and the Best-Selling Memoir", assinada por Rosman e Elisabeth Egan.

O livro de Griffin, The Tell, narra trauma na infância e o papel da 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA) na recuperação de memórias de abuso sexual. Segundo o Semafor, a matéria do Times transformou o êxito editorial em parábola sobre classe e a nova ultrarrica americana — e discutiu a hipótese de que a memória de abuso da autora pudesse ter sido "emprestada" de uma colega de escola.

O que aconteceu

Amigos teriam sugerido que Griffin ignorasse a má imprensa; ela, contudo, teria ficado furiosa, disseram pessoas próximas ao Semafor. Nos dias seguintes, houve troca de mensagens no Snap entre o filho de Rosman, estudante da University of Southern California, e um amigo de um dos filhos de Griffin — acaloradas, porém respeitosas, segundo o veículo.

No fim de semana após a reportagem, Griffin e o marido, John Griffin — cuja gestora de fundos de hedge seria a origem dos bilhões do casal — estavam no retiro anual do superagente Ari Emanuel em Aspen, "The Weekend". Uma interlocutora teria ouvido que o Times buscara destruir a vida dela e da família e, em seguida, que Rosman tornara miserável a vida de Griffin e dos filhos — e que ela faria o mesmo ao filho da repórter.

Por porta-voz, Griffin contestou: nunca teria ameaçado os filhos de Rosman nem agido para prejudicar a jornalista ou a família; as alegações seriam "categoricamente falsas". O canal afirmou que adolescentes discutiam a cobertura em um grupo com a filha de Griffin e que a autora teria expressado a um amigo o impacto sobre a filha — palavras depois "tiradas de contexto" e caracterizadas erroneamente como ameaça.

Quem ouviu os comentários em Aspen os teria entendido como ameaça e pedido a um contato mútuo que avisasse Rosman, segundo três pessoas a par da troca. A jornalista alertou o empregador; o consultor jurídico geral do Times, David McCraw, falou com o advogado de Griffin, Tom Clare, com versões divergentes. Não há indício, segundo o Semafor, de ação concreta contra o filho de Rosman.

A colega Joleene Altum processou Griffin por sofrimento emocional e invasão de privacidade; Griffin rebateu com ação por difamação, ainda em curso. Meses depois, segundo pessoa com conhecimento direto, Griffin teria pedido a alguém com influência em admissões universitárias que usasse esse poder para negar vaga aos filhos de Rosman. A pessoa não teria atendido. O porta-voz negou contato com universidade ou escola sobre os filhos de Rosman.

Em nota, o porta-voz do Times, Charlie Stadtmiller, afirmou que, se os relatos forem precisos, trata-se de "abuso impressionante de poder e influência" contra a família de uma jornalista no ofício. Defendeu a reportagem de setembro de 2025 como cuidadosa, justa e precisa sobre memória, trauma e memórias publicadas.

O que isso pode mudar

Se as alegações ganharem peso no debate público e jurídico, o episódio pode reforçar o escrutínio sobre até onde sujeitos ultrarricos podem ir quando uma cobertura toca a esfera íntima — e sobre como redações protegem familiares de repórteres. O próprio Semafor relativiza a leitura de uma classe bilionária sem âncora moral: no círculo de Griffin, a ideia de vingança contra filhos de jornalista teria chocado.

O caso ilustra vulnerabilidade paradoxal: figuras com vastos recursos podem reagir com intensidade à crítica midiática, enquanto o jornalismo sobre memórias e status social segue sob pressão. O desfecho da briga com Altum e o eco das versões conflitantes tendem a definir se prevalece a narrativa de ameaça de influência ou a de mal-entendido após reportagem devastadora.

Fontes: Semafor

Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br