Sentimento de construtores de imóveis nos EUA cai ao menor nível em 14 anos

Sentimento de construtores de imóveis nos EUA cai ao menor nível em 14 anos

Índice NAHB/Wells Fargo cai a 29 em outubro, o menor desde 2012, em meio a hipotecas a 7,4% e pressão do boom de IA sobre o setor de habitação, segundo a Axios.

Foto: Martijn Stoof (Pexels)

O sentimento dos construtores de imóveis residenciais unifamiliares nos Estados Unidos caiu ao menor nível em 14 anos, segundo a Associação Nacional de Construtores de Habitação (NAHB), em dado destacado nesta terça-feira (20) pela Axios. O indicador acompanha um cenário em que o setor de habitação concentra pressões de juros mais altos e de disputa por capital e insumos com o boom da inteligência artificial.

A reportagem da Axios, assinada por Neil Irwin e publicada em 20 de outubro de 2026, descreve uma situação desfavorável tanto para construtores quanto para compradores. De um lado, as empresas enfrentam capital mais caro e concorrência por recursos escassos de construção; de outro, potenciais compradores encontram algumas das taxas de hipoteca mais elevadas deste século.

Dados oficiais e de entidades setoriais reforçam o diagnóstico. O número de unidades habitacionais iniciadas pelos construtores caiu 5,2% em setembro, para 1,22 milhão, informou o Census Bureau, com queda de 7,4% na comparação anual e nível próximo das mínimas pós-pandemia.

O que aconteceu

O Índice do Mercado Habitacional (HMI) NAHB/Wells Fargo, divulgado na segunda-feira (19), recuou três pontos, a 29 em outubro — a leitura mais baixa desde junho de 2012. A Axios resume que o sentimento dos construtores caiu neste mês ao menor patamar desde 2012.

As inícios de casas unifamiliares caíram 4,6% em setembro, ao menor nível desde março de 2023, segundo o Census Bureau. As vendas pendentes de imóveis recuaram 7,3% no mês passado, informou a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR), ao menor nível da série iniciada em 2001.

A taxa média da hipoteca fixa de 30 anos estava em 7,4% no início deste mês, de acordo com a Freddie Mac. A Axios observa que a taxa foi brevemente mais alta em 2023, mas não se manteve de forma consistente acima desse patamar desde o outono de 2000.

O presidente da NAHB, Bill Owens, construtor em Worthington, Ohio, afirmou no comunicado sobre o sentimento que as taxas de hipoteca subiram bem acima de 7% nas últimas semanas e que preços mais altos de combustível e a inflação enfraqueceram o fluxo de compradores em grande parte do país. Segundo ele, em âmbito nacional, mais de um terço dos construtores relatou atividade de fiscalização de imigração em suas áreas de mercado no mês passado, com atrasos nas obras e desencorajamento de trabalhadores legais a comparecer ao trabalho.

A Axios aponta ainda que a demanda “sem fundo” por capital de hiperescaladores de IA e do governo dos EUA tem comprimido o setor habitacional. O investimento residencial subtraiu do PIB em cinco dos últimos seis trimestres, segundo a reportagem. Construtores de moradias também competem com projetos de data centers por mão de obra e materiais como cobre, concreto e equipamentos de climatização (HVAC).

Os três componentes principais do HMI caíram em outubro: condições atuais de venda a 33, expectativas de vendas futuras a 32 e tráfego de potenciais compradores a 18. O economista-chefe da NAHB, Robert Dietz, disse que a demanda persiste, mas juros mais altos, custos de construção elevados e confiança do consumidor mais fraca mantêm mais compradores à margem; o tráfego de compradores caiu ao menor nível desde abril de 2012, excluindo o início da pandemia em abril de 2020.

Impacto na prática

Em termos práticos, o quadro descrito pela Axios pode tornar ainda mais difícil a compra de uma casa nova ou usada nos Estados Unidos para famílias que dependem de financiamento, enquanto construtores podem adiar ou reduzir o início de obras diante de custos e juros elevados.

Em hipótese, a combinação de hipotecas em torno de 7,4%, oferta ainda apertada e disputa por insumos com a expansão de data centers pode agravar a insatisfação com o custo de moradia — tema que a Axios liga à insatisfação mais ampla dos americanos com as condições econômicas — sem garantir, por si só, uma recuperação rápida da oferta.

Para quem já possui imóvel com hipoteca anterior a 2022, a reportagem sugere, em tese, menor disposição de se mudar, porque trocar de casa pode implicar assumir um financiamento bem mais caro. Já quem constrói ou compra pode enfrentar, nos casos relatados, prazos alongados e preços de materiais sob pressão.

Se o alinhamento atual de juros, oferta e custos de construção se mantiver, a Axios indica que o setor tende a permanecer sob tensão — um desfecho que, em hipótese, pode continuar a pesar sobre o ciclo econômico americano, no qual a habitação tem papel desproporcional, sem projetar automaticamente o mesmo movimento em outros países.

Fontes: Axios; NAHB

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