Servidor britânico admite erros ao acumular cinco empregos públicos

Kashim Chowdhury, acusado de fraude de mais de 284 mil libras com cargos sobrepostos, diz ao júri que errou sem intenção criminosa. Julgamento segue em Londres.
Foto: Brett Sayles (Pexels)
O servidor público britânico Kashim Chowdhury, acusado de ter ganhado de forma fraudulenta mais de 284 mil libras ao acumular vários empregos de tempo integral no setor público, admitiu ter cometido erros, mas afirmou ao júri que não acredita ter agido com intenção criminosa.
Em depoimento no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, o homem de 55 anos, do leste da capital, disse ter se sentido sobrecarregado e estressado e ter experimentado terror e pânico diante da possibilidade de perder o sustento. Ele enfrenta nove acusações de fraude e nega desonestidade ou intenção de obter ganho ilícito.
O que aconteceu
Segundo a acusação, no auge do esquema Chowdhury teria mantido cinco empregos de tempo integral com salários integrais no setor público. Na primavera de 2023, ele estaria contratado pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra), pela Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido, pela Agência de Normas Alimentares, pelo Departamento de Negócios e Comércio e pelo Ministério do Interior. O júri ouviu que, nesse período, ele estava contratado para trabalhar 183 horas por semana — mais horas do que existem em sete dias.
Cada cargo pagava salário de tempo integral. Em um único mês de 2023, Chowdhury teria recebido 11 mil libras. A acusação alega que ele conseguiu ocultar os vínculos sobrepostos porque trabalhava totalmente à distância e que explorou o fato de ter dito aos empregadores ser o único cuidador da mãe idosa.
A acusação afirma ainda que ele não revelou aos empregadores que já tinha outros empregos de tempo integral. Chowdhury respondeu que alguns gestores sabiam: os do Defra, do bairro londrino de Tower Hamlets, do East London NHS Trust e do Departamento de Saúde e Assistência Social (DHSC).
Uma sucessão de chefes diretos afirmou ao júri que o desempenho dele era fraco. Abigail Mounde, gestora no Departamento de Negócios e Comércio, disse que tarefas básicas pedidas a ele chegavam atrasadas ou abaixo do padrão esperado. A acusação também alega uso de atestados médicos como parte da cobertura: enquanto dizia a alguns empregadores estar doente e incapaz de trabalhar por transtorno misto de ansiedade e depressão, não entregava atestados a outros — o que, segundo a promotoria, sublinharia a desonestidade do conjunto.
Aleesha Adams, chefe na Agência de Segurança Sanitária, relatou uma videochamada em maio de 2023 para apoiar o retorno ao trabalho após ausência. Disse ter se surpreendido ao vê-lo com maquiagem branca e que, com o suor, o produto começou a sair da testa, revelando tom mais escuro por baixo e no pescoço. A advogada da acusação, Lucy Organ, afirmou que o episódio quase cômico mostraria até onde o réu estaria disposto a ir na fraude. Chowdhury disse ao júri ter sido diagnosticado com transtorno de estresse pós-traumático em 2015, reativado em 2021. O julgamento continua.
O que isso pode mudar
O caso pode reforçar o debate no Reino Unido sobre controles de contratação remota e verificação de vínculos múltiplos no setor público, sobretudo onde o trabalho à distância reduz o contato presencial. Se a acusação prevalecer, órgãos públicos poderiam endurecer cruzamento de dados entre departamentos e exigências de declaração de outros empregos.
Ainda assim, o resultado depende do que o júri concluir sobre intenção e desonestidade. Uma absolvição poderia admitir que falhas de gestão e comunicação, e não necessariamente fraude, explicam parte dos fatos. Em qualquer cenário, o processo tende a pressionar gestores a documentar melhor desempenho, ausências e autorizações para acumulação de cargos.
Fontes: BBC Business.
Fontes: BBC Business
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