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Sete petroleiros atingidos no Estreito de Ormuz reacendem temor de guerra total

Sete petroleiros atingidos no Estreito de Ormuz reacendem temor de guerra total

Teerã diz que sete petroleiros pegaram fogo ou foram danificados no Estreito de Ormuz; tensões sobem às vésperas de eleições em Israel e nos EUA.

Foto: RDNE Stock project (Pexels)

Sete petroleiros pegaram fogo ou sofreram danos no Estreito de Ormuz durante a madrugada, informou Teerã nesta quinta-feira (22). Segundo a televisão estatal iraniana, as embarcações foram atingidas pelo Irã ou por minas navais — um volume elevado que reacende o temor de retorno a um conflito em plena escala.

Os petroleiros seguem cruzando o estreito sob proteção militar dos Estados Unidos, apesar da recente onda de ataques. O cenário pressiona rotas e custos de energia às vésperas de uma eleição apertada em Israel e das eleições intermediárias americanas no mês que vem.

O que aconteceu

A emissora estatal iraniana atribuiu o relato à Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária, que voltou a ameaçar bases militares dos Estados Unidos na região caso Washington continue a ajudar a guiar navios comerciais pelo estreito. O boletim não mencionou baixas. A Associated Press, cuja reportagem a Fast Company reproduz, afirmou não ter podido confirmar de forma independente as alegações sobre os sete navios.

Outubro concentra o maior número de ataques reportados ao transporte comercial desde março, segundo o monitor britânico United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO). O órgão não registrou os ataques mais recentes e notou relutância de armadores em reportar incidentes.

Dados da Lloyd’s List Intelligence indicam que operadores levam petróleo pelo estreito à noite, com sistemas de localização e celulares desligados, em faixa protegida pelos EUA perto de Omã, e transferem a carga no Golfo de Omã para a Ásia. Em webinar nesta quinta, a Lloyd’s afirmou que esses operadores mostram “poucos sinais de recuo”, apesar de 28 ataques a navios em outubro — o pico desde o início do conflito. O “shuttle” noturno sob supervisão do Comando Central dos Estados Unidos teria ajudado a manter os embarques perto dos níveis do pré-guerra, com taxas spot de afretamento na casa das centenas de milhares de dólares por dia.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse na quarta-feira que Teerã permanece aberta à diplomacia, mas pronta a se defender. O Irã afirma ter aprendido lições desde o início da guerra, marcada por ataques americanos e israelenses em 28 de fevereiro, e sinalizou que poderia ampliar alvos para cabos submarinos e centros de dados. Washington envia mais meios à região, incluindo um terceiro porta-aviões e milhares de tropas. O Irã ainda defende reabrir o estreito em uma semana se os EUA atenderem condições, entre elas o fim do bloqueio a portos iranianos. No fim de setembro, o presidente Donald Trump rejeitou essa proposta; discussões indiretas, porém, continuam.

O que isso pode mudar

Uma volta à luta em larga escala poderia, segundo a análise da reportagem, colocar civis em risco e complicar entregas globais de petróleo, gás natural e fertilizantes, com provável novo salto de preços. Com a eleição israelense de 27 de outubro, na qual o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pode perder o poder, e antes das eleições intermediárias americanas, cresce a preocupação de que ataques americano-israelenses ao Irã possam ser retomados — preços altos ligados à guerra já irritam eleitores.

Danny Citrinowicz, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel e ex-especialista em Irã nas Forças Armadas e na inteligência do país, disse à Associated Press que Netanyahu “quer atacar o Irã, isso nem sequer é uma questão”, e que uma vitória clara em 27 de outubro tornaria um ataque “quase garantido”. Ele avalia que a região caminha para “outra escalada cinética”.

No plano econômico, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, reconheceu esta semana que o país sofrerá sob um bloqueio americano prolongado — sem igualar dor econômica a colapso estratégico, segundo a agência estatal IRNA. O conflito também se alarga com combates entre os hutis do Iêmen, apoiados pelo Irã, e a Arábia Saudita, ameaçando o corredor do Bab el-Mandeb. Enquanto o petróleo continua a fluir, o custo de manter o estreito aberto pode definir o próximo capítulo do mercado energético.

Fontes: Fast Company

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