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Startup do Texas transforma água residual de petróleo em lítio para baterias elétricas

Startup do Texas transforma água residual de petróleo em lítio para baterias elétricas

Element3, de Houston, filtra lítio da água produzida na Permian para baterias de EV e mira fonte doméstica diante da China.

Ilustração: Tom Fisk (Pexels)

A startup Element3, de Houston, no Texas, quer transformar a água residual da perfuração de petróleo em matéria-prima para baterias de veículos elétricos (EV). Em reportagem publicada nesta segunda-feira (26) pela Fast Company, a empresa aparece como exemplo de economia circular na bacia Permian, onde o volume de água salobra extraída supera, em muito, o de óleo.

O fundador e diretor-executivo Hood Whitson descreve o negócio como uma história de “resíduo a valor”. A aposta é filtrar o lítio — o terceiro elemento da tabela periódica, daí o nome Element3 — contido nessa água, para reforçar uma fonte doméstica do mineral nos Estados Unidos e reduzir a dependência da cadeia concentrada na China.

O que aconteceu

Segundo a Fast Company, a Permian, no oeste do Texas, bombeia cerca de 6 milhões de barris de petróleo por dia. O volume de água suja e salobra que sobe junto chega a aproximadamente 26 milhões de barris diários — ordem de grandeza comparável ao consumo diário de água de toda a cidade de Nova York. Tradicionalmente tratada como subproduto da produção energética, essa água é água do mar pré-histórica concentrada, rica em minerais.

A Element3, fundada em 2021, identificou nesse efluente uma fonte viável de lítio e trabalha para filtrá-lo em escala comercial. A firma comercializa pesquisa do Departamento de Energia dos EUA (DOE) desenvolvida no Oak Ridge National Laboratory e opera no Texas em busca de ampliar a produção. Dados do PitchBook citados na matéria indicam pouco mais de US$ 20 milhões captados e 15 funcionários.

Whitson chama o processo de “mineração não convencional de salmoura”, linha que pesquisadores do DOE já exploram em outros pontos — por exemplo, extraindo lítio do Salton Sea, na Califórnia, ou metais de terras raras de resíduos industriais. Envelhecida por centenas de milhões de anos, a água da Permian seria cerca de cinco vezes mais salgada que os oceanos atuais e traria, além do lítio, magnésio e estrôncio.

O executivo destaca que as petroleiras já mantêm infraestrutura vasta para movimentar essa água. Na leitura da Element3, isso reduz o custo de montar a logística de extração e de devolver a água filtrada ao sistema. A reportagem enquadra a ideia como um “twist” poético: o resíduo do petróleo vira insumo para baterias de EV e para a transição energética.

O contexto, conforme a Fast Company, é a disputa pela economia das baterias. O lítio seria processado majoritariamente na China, e a matéria aponta importações americanas de baterias de íon-lítio chinesas superiores a US$ 16 bilhões em 2024. Whitson classifica a água da Permian como “um dos maiores recursos naturais inexplorados” do país.

O que isso pode mudar

Se a tecnologia ganhar escala, a hipótese mais imediata é encurtar a distância entre o complexo petrolífero americano e a cadeia de baterias. Em tese, um fluxo contínuo de água produzida — hoje custo e passivo ambiental — poderia alimentar oferta doméstica de lítio sem abrir novas minas convencionais, aproveitando dutos e operações já existentes.

Isso poderia alterar o cálculo de petroleiras e de fabricantes de EV: o subproduto deixaria de ser só despesa de disposição e passaria a ser, potencialmente, receita ou hedge de suprimento. Também poderia reforçar argumentos de política industrial nos EUA sobre minerais críticos, num cenário em que a China concentra o processamento.

Ainda assim, a trajetória descrita sugere cautela. Com pouco mais de US$ 20 milhões captados e equipe enxuta, a Element3 ainda precisa provar escala, custo competitivo e qualidade do lítio para baterias. Transformar salmoura em produto comercial, com regulação ambiental e contratos de offtake, é outra etapa.

Na leitura otimista, o modelo “resíduo a valor” pode inspirar projetos semelhantes em outras bacias. Na mais sóbria, o sucesso depende de engenharia, capital e demanda estável por EV. Por ora, a reportagem documenta uma startup texana tentando fazer do efluente do petróleo um elo da transição elétrica.

Fontes: Fast Company

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