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Sérvia vota em disputa apertada entre Vucic e movimento estudantil

Sérvia vota em disputa apertada entre Vucic e movimento estudantil

Eleitores sérvios escolhem o Parlamento sob pressão do movimento Lista Estudantil, que desafia Aleksandar Vucic após quase dois anos de protestos.

Ilustração: William Gevorg Urban (Pexels)

Eleitores da Sérvia vão às urnas neste domingo (25) em eleições parlamentares antecipadas que contrapõem o líder populista Aleksandar Vucic a um movimento estudantil anticorrupção e anti-autoritário. As pesquisas apontam disputa apertada.

O pleito ocorre após quase dois anos de manifestações lideradas por estudantes, iniciadas após o desabamento de uma cobertura na estação ferroviária de Novi Sad, em 2024, que matou 16 pessoas.

O que aconteceu

Segundo a Al Jazeera, com base em AFP e Reuters, os sérvios votam sob o impacto de um movimento de protesto de massa que busca destituir Vucic, no poder há mais de uma década — primeiro como primeiro-ministro e depois como presidente. As eleições antecipadas foram convocadas por ele em setembro.

Vucic renunciou à Presidência em setembro para disputar novamente o cargo de primeiro-ministro. A reportagem o descreve como um incumbente forte. Parte do eleitorado lhe atribui ter tirado o país de cerca de 6 milhões de habitantes da obscuridade econômica e ter conduzido um período de modernização sustentada.

Na campanha, prometeu pensões e salários do setor público mais altos, investimento na saúde estatal e subsídios a casais jovens. Equilibrou laços mais estreitos com a China, grande investidora, e com a Rússia, aliada tradicional e principal fornecedora de gás natural, sem fechar a porta à adesão à União Europeia. As relações com o bloco, porém, se deterioraram sob sua liderança, com frustração crescente por falta de reformas no Judiciário, no Estado de direito e no combate à corrupção.

A Lista Estudantil concentra a agenda em combater a corrupção e melhorar a educação, sem detalhar ambições internacionais. A chapa reúne 250 candidatos em grande parte pouco conhecidos — professores universitários, atores e agricultores — e é liderada pelo cardiologista Ilija Srdanovic. Na quinta-feira, cerca de 150 mil apoiadores do movimento se reuniram no centro de Belgrado; o comício final da Lista Estudantil na capital ocorreu em 22 de outubro.

Pesquisas preveem corrida apertada. Um levantamento da Ipsos publicado na quinta-feira atribuiu 47% dos votos ao Partido Progressista Sérvio de Vucic e 40% aos estudantes, embora outras sondagens tenham colocado o movimento à frente. Grupos de direitos humanos e ativistas afirmam que a repressão se agravou após o desastre de Novi Sad, amplamente associado a corrupção governamental. Vucic e seu partido negam acusações de repressão, corrupção e espionagem de opositores. O ex-presidente alega que os estudantes são financiados por agentes estrangeiros na Croácia e em Montenegro; o movimento rejeita a acusação.

O que isso pode mudar

Uma derrota de Vucic poderia representar uma virada política profunda no país balcânico, em linha com a leitura da Al Jazeera, que a compara à derrota de Viktor Orban na Hungria em abril. Mario Bikarski, analista sênior para a Europa da consultoria de risco Verisk Maplecroft, disse à Reuters que a eleição sérvia se configura como um momento decisivo, com a Lista Estudantil montando o maior desafio a Vucic até agora.

Se o incumbente se mantiver, o cenário mais provável, segundo o quadro descrito na cobertura, seria a continuidade de um equilíbrio externo entre China, Rússia e a porta aberta à União Europeia, sob pressão por reformas que o bloco cobra há anos. Se a Lista Estudantil avançar ou vencer, o eixo do poder poderia se deslocar para uma agenda centrada em corrupção e educação — ainda sem mapa claro de política externa —, o que, hipoteticamente, reabriria o debate sobre o rumo europeu de Belgrado e a estabilidade política de um país estratégico nos Bálcãs.

O resultado, qualquer que seja, deve ser lido à luz da margem estreita nas pesquisas e da polarização acumulada desde 2024. O voto de hoje testa se a mobilização estudantil traduz apoio de rua em maioria parlamentar — ou se a máquina do partido no poder e a memória de modernização econômica ainda pesam mais nas urnas.

Fontes: Al Jazeera

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