Trump promete poderes inacreditáveis e se coloca no centro das eleições nos EUA

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Em comício no Kentucky, o presidente exaltou o segundo mandato, defendeu candidatos republicanos e condicionou novas promessas à vitória do partido no Congresso.

Redação Mundo dos Negócios · 17/10/2026

Foto: Xabi Oregi (Pexels)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exaltou neste sábado (17) o poder que diz ter no segundo mandato na Casa Branca, em um comício no Kentucky voltado a mobilizar republicanos em ano de eleições de meio de mandato. “Posso fazer coisas inacreditáveis”, afirmou diante da plateia.

O evento ocorreu em Highland Heights, onde Trump apoiou candidatos do partido, entre eles Ed Gallrein, que concorre a uma cadeira na Câmara dos Representantes. O discurso veio em um momento em que o Partido Republicano enfrenta dificuldades na corrida pelo controle do Congresso, e o próprio presidente assumiu um papel central na campanha.

Além de temas domésticos e de política externa, Trump reiterou promessas condicionadas à vitória republicana nas duas Casas — incluindo pagamentos em dinheiro aos americanos e um investimento federal no Kentucky — em um contexto de insatisfação de parte do eleitorado e de preocupação de aliados do partido com o impacto de sua figura nas urnas.

O que aconteceu

Trump usou o palco para comparar os dois mandatos. Citou a mudança na forma como o governo americano passou a se referir ao Golfo do México, agora chamado de Golfo da América, e disse: “Não acho que poderia ter feito isso no meu primeiro mandato. Este é um mandato muito mais poderoso”. Mencionou também a alteração do nome de um lago no Canadá para “Lago América”, em referência ao Lago Ontário.

A reportagem da Associated Press, reproduzida pelo InfoMoney, descreve essa fala como uma demonstração de poder reivindicada pelo presidente. O texto associa o momento à insatisfação de eleitores com o exercício de suas prerrogativas: tarifas comerciais e a guerra contra o Irã teriam pressionado preços, enquanto cresce, segundo a cobertura, o número de americanos que acreditam que Trump prioriza os próprios interesses em detrimento dos do país.

Com a disputa pelo controle da Câmara e do Senado, Trump colocou a si mesmo no centro da campanha. A matéria lembra que, caso os democratas conquistem a maioria, poderão abrir investigações sobre o governo. Nos bastidores, republicanos temem que o presidente se torne um fator prejudicial ao desempenho do partido nas eleições.

No comício, Trump falou sobre preços de combustíveis e afirmou que a guerra contra o Irã terminará em breve — previsão que já repetiu diversas vezes ao longo dos quase oito meses de conflito, segundo a fonte. Disse que os preços da gasolina cairão para níveis ainda mais baixos; a plateia reagiu com aplausos.

O presidente voltou a defender a promessa de que, se os republicanos conquistarem a maioria na Câmara e no Senado, todos os adultos americanos receberão US$ 5 mil. A medida provavelmente custaria mais de US$ 1 trilhão, dependeria da aprovação do Congresso e poderia agravar o déficit orçamentário anual dos EUA, que se aproxima de US$ 1,8 trilhão, conforme a Associated Press.

Trump acrescentou ainda uma promessa ligada ao Kentucky: se o partido vencer as eleições, o Departamento de Defesa investirá na revitalização de uma fábrica de medicamentos no estado.

Impacto na prática

Para o eleitor americano, o tom do comício pode reforçar a leitura de que o segundo mandato de Trump se traduz em mudanças administrativas e narrativas de poder — como as renomeações citadas — além de uma agenda eleitoral que mistura política externa, custo de vida e benefícios financeiros prometidos apenas em caso de vitória republicana no Congresso.

Em hipótese, a combinação de tarifas, conflito no Oriente Médio e promessas de gasto bilionário pode manter no radar a pressão sobre preços e sobre as contas públicas federais, temas que a própria cobertura associa ao clima de descontentamento antes do meio de mandato.

No plano institucional dos EUA, a centralização da campanha na figura do presidente pode, em tese, influenciar a mobilização da base republicana e, ao mesmo tempo, alimentar o receio de lideranças do partido de que Trump desvie votos ou energize o eleitorado adversário. Uma eventual maioria democrata no Congresso, conforme a reportagem, abriria espaço para investigações ao executivo — cenário que pode alterar o ritmo da política em Washington independentemente do resultado em cada estado.

Promessas como os US$ 5 mil por adulto e o investimento na fábrica farmacêutica no Kentucky permanecem condicionadas a resultados eleitorais e a decisões do Legislativo; até que isso se defina, elas funcionam sobretudo como mensagem de campanha, num ano em que o equilíbrio de forças no Capitol Hill pode definir não só a agenda econômica, mas também o grau de confronto entre Casa Branca e Congresso.

Fontes: InfoMoney (Estadão Conteúdo / Associated Press)

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