Trump suspende sanções e tarifas à Rússia pouco antes de lei entrar em vigor

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Decreto da Casa Branca adia medidas previstas na lei de sanções apoiada por Lindsey Graham; Zelensky diz que decisão encoraja Putin.

Redação Mundo dos Negócios · 17/10/2026

Foto: Th2city Santana (Pexels)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu sanções e tarifas importantes ligadas à Rússia poucos dias antes de elas começarem a valer sob uma lei que ele mesmo assinou no mês passado. A medida abrange tarifas sobre produtos e penalidades pela compra de petróleo e gás russos, segundo reportagem da Reuters publicada neste sábado (17).

Em decreto divulgado pela Casa Branca na sexta-feira (16), Trump afirmou que a suspensão atende ao interesse nacional dos Estados Unidos. A legislação visava intensificar a pressão sobre Moscou em razão da invasão da Ucrânia, iniciada em 2022.

Na mesma linha de uma postura que a reportagem descreve como mais favorável a Moscou, Trump tem criticado publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e chegou a sugerir que Kiev precisa de um novo líder.

O que aconteceu

A lei em questão — cujo principal apoiador no Congresso foi o falecido senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul — teria imposto tarifas de até 100% em 30 dias sobre todas as mercadorias trazidas aos EUA pelos cinco maiores importadores de petróleo bruto ou gás russo. Também previa penalidades para qualquer país que, de forma consciente, comprasse petróleo ou gás 30 dias após a promulgação ou estivesse entre os cinco principais que ajudassem a Rússia a contornar sanções.

Trump assinou a Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026 em meados de setembro. No decreto desta semana, ele disse ter apresentado ao Congresso uma certificação de que a emissão da isenção neste momento é do interesse nacional. O texto determina que a isenção permaneça em vigor até que Trump ou seus principais assessores concluam que “outras medidas sejam apropriadas”.

A própria lei permite que o presidente conceda isenção das sanções ao informar ao Congresso que determinou que elas não são do interesse nacional — mecanismo que Trump utilizou agora, às vésperas do início das tarifas e penalidades previstas.

Em mensagem publicada no X neste sábado, Zelensky afirmou que a decisão encoraja Vladimir Putin. “A suspensão das sanções dos EUA, o alívio da pressão sobre o agressor, as recompensas financeiras para Putin — tudo isso apenas o encoraja a continuar atacando. Não devemos ceder terreno”, escreveu. Ele acrescentou que a Rússia atacou, na sexta-feira, mais de 15 instalações ucranianas de geração e transmissão de energia e defendeu que a prioridade é encerrar a guerra “e não dar a Putin todos os motivos para continuá-la indefinidamente”.

Países como China e Índia, entre os maiores compradores de petróleo russo, haviam manifestado preocupação com o projeto. Pequim disse que “se opõe consistentemente à jurisdição de longo alcance que carece de base no direito internacional”. A Índia alertou Washington de que novas tarifas poderiam afetar as relações bilaterais.

Impacto na prática

Para os consumidores norte-americanos, analistas citados pela Reuters sugerem que a entrada em vigor das novas medidas poderia, em tese, correr o risco de pressionar ainda mais os preços do petróleo. Isso ocorre em um momento em que eleitores já enfrentam custos em alta, atribuídos em grande parte, segundo essa leitura, à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã — contexto que também pesa nas semanas que antecedem as eleições de meio de mandato, nas quais republicanos ligados a Trump buscam manter o controle estreito sobre as duas câmaras do Congresso.

No comércio internacional, a suspensão pode, em hipótese, aliviar a tensão imediata para economias que importam petróleo russo em grande volume, como China e Índia, que já haviam sinalizado resistência às sanções extraterritoriais. Para a Ucrânia, Zelensky indica que o efeito percebido é o oposto: menos pressão financeira sobre Moscou no curto prazo, em meio a novos ataques à infraestrutura energética.

Para os mercados de energia e câmbio global, a decisão pode influenciar expectativas sobre o fluxo de petróleo e gás russos e sobre o grau de coerência entre a lei aprovada pelo Congresso e a política executada pela Casa Branca — sem que a reportagem projete efeitos diretos sobre outras economias além do que decorre desse rearranjo nas relações EUA-Rússia e no preço do barril.

Se a isenção se prolongar, o cenário descrito pelos analistas aponta para um alívio temporário nas pressões inflacionárias ligadas ao petróleo nos EUA; se Moscou interpretar o gesto como espaço político, como sugere Kiev, a guerra na Ucrânia pode seguir com intensidade nos alvos energéticos — reforçando a disputa diplomática entre Washington, Kiev e aliados europeus sobre quanto castigar a Rússia sem encarecer a vida econômica doméstica em ano eleitoral.

Fontes: InfoMoney / Reuters

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