Tuesday Labs abre reservas do Voxel, robô doméstico de cerca de US$ 20 mil

Tuesday Labs abre reservas do Voxel, robô doméstico de cerca de US$ 20 mil

Laboratório de Nova York abre reservas limitadas do Voxel Series-1 por US$ 200; preço final deve ficar perto de US$ 20 mil e envio só em 2028.

Foto: ThisIsEngineering (Pexels)

A Tuesday Labs, laboratório de robótica e estúdio de design com sede em Nova York, abriu reservas limitadas do Voxel Series-1, um robô bípede pensado para aprender e assumir tarefas rotineiras em casa. O modelo é descrito pela empresa como um “mordomo droid” e, segundo a reportagem da The Verge, não deve ser enviado antes de 2028.

Quem quiser garantir uma unidade pode reservar agora por US$ 200, enquanto o preço completo deve ficar em torno de US$ 20 mil na entrega. O aparelho entra na mesma linha de robôs domésticos voltados a afazeres além de aspirar ou passar pano, como o Issac 1 da Weave Robotics.

O que aconteceu

O Voxel Series-1 tem design majoritariamente humanoide, com algumas liberdades de forma. O foco está em um par de braços altamente articulados, com sete graus de liberdade, que terminam em garras mais simples do que as mãos com dedos de robôs como o Atlas da Boston Dynamics. Esses braços saem do topo do tronco, que também parece funcionar como cabeça, com uma pequena “boca” e um conjunto de olhos pixelados e animados posicionados mais perto da cintura.

Acima desses olhos fica um par oculto de câmeras estéreo RGB (vermelho, verde e azul), que trabalha com uma segunda câmera de campo amplo para monitorar um cômodo inteiro. A visão avançada é um dos pilares do sistema, ao lado da locomoção bípede. Para se deslocar, o Series-1 usa pernas em formato de Z, com joelhos que dobram no sentido oposto ao dos humanos. A escolha é intencional: permite equilibrar o corpo, subir e descer a altura e trabalhar perto de armários de cozinha, mesas e prateleiras.

Nas capacidades, a Tuesday Labs detalha bastante o hardware no site, mas é mais cautelosa sobre o que o robô fará no dia a dia. Pelo que a The Verge resume, o Voxel deve executar tarefas autônomas básicas, como organizar a casa e devolver objetos aos lugares certos, regar plantas, buscar itens como livros e ajudar a localizar algo extraviado — por exemplo, o controle remoto da TV — ao perguntar ao robô onde ele viu o objeto pela última vez.

No lançamento, não se espera que prepare jantar ou troque fraldas. O argumento de valor, na leitura da reportagem, gira em torno de memórias de curto prazo falhas: se o aparelho lembrar com confiabilidade onde ficaram as chaves, o preço elevado pode parecer justificável para parte dos interessados.

O que isso pode mudar

Se as reservas se converterem em entregas reais em 2028, o Voxel pode reforçar a tese de que robôs domésticos de uso geral — e não só limpeza de piso — estão saindo do laboratório para um mercado de pré-venda. O ticket de cerca de US$ 20 mil, porém, sugere um produto inicial de nicho, mais próximo de early adopters do que de adoção em massa.

A comparação com rivais como o Issac 1 indica um segmento em formação, no qual braços articulados e visão computacional disputam espaço com a promessa de “mordomo” residencial. Ainda assim, o intervalo até 2028 e a própria reserva de US$ 200 deixam claro que há risco de atraso, mudança de escopo ou frustração de expectativa — cenário comum em hardware ambicioso anunciado com anos de antecedência.

No limite, o que pode mudar não é só a rotina de quem perde o controle remoto: é o padrão de comercialização desses aparelhos, com fila de reserva, preço premium e promessas de autonomia limitada no começo. Se o Voxel entregar de forma confiável as tarefas básicas descritas, pode fortalecer a demanda por assistentes físicos em casa; se falhar, pode alimentar ceticismo sobre o calendário e o custo dessa nova geração de robôs.

Fontes: The Verge – The $20,000 Voxel bot will help you find misplaced things around your home

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