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Upwind levanta US$ 400 mi a US$ 3,8 bi e recusa oferta da Datadog

Upwind levanta US$ 400 mi a US$ 3,8 bi e recusa oferta da Datadog

Startup de San Francisco fecha Série C liderada pela Bessemer após recusar compra sem ágio da Datadog; ARR projetado de cerca de US$ 90 mi no ano.

Ilustração: Arnauld van Wambeke (Pexels)

A Upwind, startup de San Francisco que usa inteligência artificial (IA) para proteger infraestrutura em nuvem, anunciou nesta quarta-feira (28) uma rodada Série C de US$ 400 milhões a uma avaliação de US$ 3,8 bilhões. O aporte foi liderado pela Bessemer Ventures, com participação de investidores já existentes, entre eles Greylock Partners e Craft Ventures.

Segundo a TechCrunch, o financiamento quase naufragou depois que a Datadog, empresa de capital aberto especializada em observabilidade — o monitoramento de como softwares rodam —, tentou comprar a companhia. Sem oferecer ágio acima dos US$ 3,8 bilhões fixados pelos fundos de venture capital, a proposta não avançou e a Upwind optou por seguir independente.

O que aconteceu

A nova captação chega nove meses após a Upwind ter levantado US$ 250 milhões a uma avaliação de US$ 1,5 bilhão. A empresa, com quatro anos de vida, cresce em meio à alta de ameaças de cibersegurança impulsionadas por IA. De acordo com uma pessoa a par das finanças citada pela TechCrunch, a startup vem somando de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões em receita recorrente anualizada (ARR) a cada trimestre e deve encerrar o ano com cerca de US$ 90 milhões nesse indicador.

Nesse ritmo, fundos e a própria Datadog teriam avaliado a Upwind em mais de 40 vezes o ARR projetado, múltiplo comum no preço de empresas de software. O patamar ainda fica abaixo das cerca de 80 vezes o ARR atribuídas neste ano à Cyera, outra startup de cibersegurança em rápida expansão, conforme reportagens anteriores da TechCrunch.

A abordagem da Upwind é batizada de segurança em “runtime”: alertar e remediar ataques e vulnerabilidades em serviços ativos em tempo real. A companhia foi fundada por Amiram Shachar, que já vendeu a Spot.io — de gestão de gastos em nuvem — à NetApp por US$ 450 milhões. A TechCrunch afirmou ter buscado comentários da Upwind e da Datadog.

No panorama setorial, Tomasz Tunguz, general partner da Theory Ventures, escreveu recentemente em seu blog que a cibersegurança tende a ser a terceira grande onda de software de IA pela qual empresas pagarão, depois de ferramentas de codificação com IA e de atendimento ao cliente.

O que isso pode mudar

Ao recusar a compra, a Upwind sinaliza, na leitura da TechCrunch, a aposta de que pode valer mais do que os US$ 3,8 bilhões que a Datadog estaria disposta a pagar. Ainda assim, com poucas aberturas de capital de empresas de cibersegurança nos últimos anos, uma venda futura pode continuar como desfecho mais provável — e a startup seguiria atraindo interesse de aquisição, segundo uma fonte familiarizada com o tema.

Para o mercado de software empresarial, o episódio reforça, em tese, o prêmio dado a crescimento rápido em segurança de nuvem na era da IA, mesmo sem o múltiplo extremo visto em pares como a Cyera. Se a Upwind sustentar o ritmo de ARR e a independência, pode pressionar rivais e compradores potenciais a recalibrar ofertas; se a liquidez via IPO continuar escassa, a recusa de hoje pode, no médio prazo, apenas adiar — e não cancelar — um consolidado sob outro guarda-chuva.

Fontes: TechCrunch

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