Vice do Bank Negara pede auditoria interna com inteligência e integridade na Asean

Vice do Bank Negara pede auditoria interna com inteligência e integridade na Asean

Em Kuala Lumpur, Adnan Zaylani Mohamad Zahid abriu reunião da rede de auditoria dos bancos centrais da Asean e ligou confiança institucional a IA, dados e resiliência.

Foto: Matheus Natan (Pexels)

O vice-governador do Bank Negara Malaysia, Adnan Zaylani Mohamad Zahid, abriu em Kuala Lumpur a 11ª reunião da rede de chefes de auditoria interna dos bancos centrais da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) pedindo que a função de assurance — a garantia independente sobre controles, governança e conformidade — se modernize sem abrir mão da integridade. O encontro, de 8 de outubro de 2026 e divulgado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), teve como tema unir inteligência, resiliência e integridade.

Para Zahid, bancos centrais são instituições de confiança: sem ela, políticas bem desenhadas e estruturas robustas perdem força. Em meio a avanços tecnológicos, ameaças cibernéticas sofisticadas, tensões geopolíticas, incerteza econômica e exigências crescentes dos stakeholders, a auditoria interna deixa de ser só conformidade e opera na interseção de governança, risco, tecnologia e estratégia.

O que aconteceu

Na abertura, Zahid destacou a estreia de representantes da Papua-Nova Guiné no fórum, sinal de cooperação regional ampliada. A colaboração, disse, responde a riscos mais interconectados, em que um evento em uma instituição, setor ou jurisdição pode se espalhar com rapidez.

Ele listou cinco frentes ligadas à preservação da confiança. A primeira é o caráter transfronteiriço dos riscos: ataques cibernéticos cruzam fronteiras, a inteligência artificial (IA) tem efeitos em várias jurisdições, e ativos digitais e ecossistemas financeiros interligados geram dependências que não se compreendem isoladamente. A segunda é a incerteza, vista como mais prevalente e menos episódica — decisões importantes nascem com informação incompleta e em ritmo acelerado. O desafio não é eliminá-la, e sim navegar por ela com responsabilidade.

A terceira frente é o dado: política, supervisão, operações de mercado e gestão dependem cada vez mais de informações confiáveis, o que torna a governança de dados essencial à credibilidade. A quarta é a IA, capaz de reforçar análise, eficiência e detecção de riscos e de apoiar o julgamento humano, mas que exige responsabilização, transparência, qualidade da informação e uso ético. A pergunta, segundo Zahid, já não é se adotar essas tecnologias, e sim como usá-las e governá-las com supervisão humana significativa e decisões explicáveis.

Por fim, a resiliência virou imperativo estratégico. Cumprir o mandato exige resistir a incidentes cibernéticos, interrupções operacionais e estresse de mercado. Resiliência, enfatizou, não se mede pela ausência de rupturas, e sim pela capacidade de antecipar, absorver, recuperar e adaptar-se mantendo funções críticas e a confiança do público.

Nesse quadro, a auditoria interna segue responsável pelo assurance independente, mas conselhos e alta administração também pedem insights sobre vulnerabilidades emergentes e prontidão. Quando um risco se materializa, a pergunta “onde estava a auditoria interna?” costuma surgir cedo — o que revela confiança na função, embora nenhum provedor possa antecipar todos os eventos. O valor real, argumentou, está em melhorar o julgamento institucional, com priorização disciplinada e diálogo aberto sobre escopo e limites da garantia. O programa cobre auditoria de IA, ameaças cibernéticas e recuperação, prontidão em cibersegurança, gestão de dados e os Padrões Globais de Auditoria Interna.

O que isso pode mudar

Se a mensagem de Kuala Lumpur virar prática, as áreas de auditoria dos bancos centrais da Asean podem combinar capacidade tecnológica com julgamento profissional, agilidade diante de riscos novos e disposição de questionar pressupostos. A tecnologia ampliaria alcance e tempestividade, mas — na lógica do discurso — não substituiria independência, imparcialidade, ceticismo profissional e integridade.

Essa reorientação poderia aproximar a auditoria da estratégia e da preparação para disrupções, reforçando a cooperação regional. O efeito concreto, porém, dependeria de como cada instituição redefine o papel da função, alinha expectativas de conselhos e gestão e governa IA e dados sem prometer o que a assurance não pode entregar de forma razoável.

Fontes: BIS Speeches – Reimagining assurance - harnessing intelligence, resilience and integrity

Fontes: BIS Speeches

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