Warhound capta US$ 200 mi para cães de guerra com edição genética e kit Anduril

Ben Lamm e Palmer Luckey tiram a Warhound do stealth com avaliação de US$ 1,2 bi. A meta é criar cães de trabalho mais aptos e equipá-los com hardware da Anduril.
Foto: Ebru DOĞAN (Pexels)
A Warhound saiu do modo stealth nesta quinta-feira (22) com US$ 200 milhões em financiamento e avaliação de US$ 1,2 bilhão. A companhia nasce da ideia de Ben Lamm, da Colossal Biosciences, e de Palmer Luckey, cofundador da Anduril, de criar cães de guerra por engenharia genética para as Forças Armadas dos Estados Unidos, forças de segurança e equipes de resposta a emergências.
Entre os investidores estão In-Q-Tel, Sequoia e 8VC. O plano combina edição genética — alteração direcionada do material hereditário — de raças de trabalho com software e hardware da Anduril, como coletes e óculos para o animal e o condutor.
O que aconteceu
Segundo o TechCrunch, os cães-alvo fazem tarefas perigosas para humanos ou difíceis para máquinas, como detecção de bombas, buscas e operações especializadas. No anúncio de lançamento, a Warhound afirmou que mais de 80% dos cães de trabalho usados pelas Forças Armadas americanas vêm da Europa e que menos da metade está apta ao serviço. Há, portanto, oferta encolhida e dependência crescente de fornecedores estrangeiros para animais centrais na defesa e na segurança pública.
Lamm disse ter conhecido Luckey há cerca de um ano, em uma conferência, quando o cofundador da Anduril falou em fazer mais pelos cães de trabalho militares. A pesquisa seguinte apontou gargalos de criação e treinamento: muitos animais são excluídos por predisposições genéticas a visão fraca, câncer, displasia de quadril ou atrofia muscular. A aposta de Lamm é reforçar saúde e longevidade e traços como velocidade, agilidade e olfato para farejar explosivos.
A equipe partiu de linhagens de alto desempenho — o pastor belga malinois e o pastor alemão —, coletou linhas celulares e as guardou em um biobanco. A partir daí, pretende editar genes, inserindo os que elevem o desempenho e removendo os que prejudiquem, para chegar a “um novo tipo de cão”. A Colossal, conhecida por esforços de “desextinção” de animais como o dodô e o mamute, usa inteligência artificial — sistemas que aprendem padrões em dados — e tecnologia própria ou adquirida para clonar e identificar genes animais. Ela detém participação na Warhound e licencia sua tecnologia; Luckey, segundo Lamm, não tem equity e atua apenas como parceiro.
A Anduril entra com aprimoramentos “sobre o cão, não dentro do cão”: coletes de proteção, óculos e sensores que devolvem dados ao condutor, com o objetivo de melhorar consciência situacional e coordenação. Um exemplo citado por Lamm são coletes à prova de balas com sensores que ajudam a entender o que ocorre em campo. “Se tornarmos o cão mais seguro, mais saudável e com melhor desempenho, ele vai performar melhor no serviço”, afirmou ao TechCrunch.
O primeiro lote está prestes a ser clonado e incubado, com nascimentos previstos para o início do próximo ano e entrada em serviço idealmente em até dois anos. A Viagen, outra empresa da Colossal, apoia a clonagem — técnica que a Colossal já usa em programas de conservação. A Warhound ainda não definiu preço e mira primeiros respondentes, o Departamento de Defesa, grupos de serviço militar e polícias. Lamm disse que a empresa já apresentou o negócio a vários órgãos do governo e que os animais serão treinados como qualquer cão militar de trabalho, sob gestão de quem os comprar. A companhia afirma trabalhar com orientação da American Humane Society para certificar o programa de treinamento e, na aposentadoria, encaminhar os cães a programas de recolocação da entidade.
O que isso pode mudar
Se a promessa se concretizar, os Estados Unidos poderiam reduzir a dependência de criatórios europeus e elevar a taxa de animais aptos ao serviço — um ganho logístico e operacional difícil de medir só pelo cheque de US$ 200 milhões. A combinação de biologia editada com sensores da Anduril sugere um modelo em que o animal deixa de ser apenas “ferramenta viva” e passa a integrar um sistema de dados compartilhado com o condutor.
Ainda assim, o caminho é hipotético e cheio de atritos. Clonar e editar cães de elite, validar desempenho em missões reais e obter aceitação de compradores públicos costuma levar mais tempo do que o calendário otimista de “dois anos até o serviço”. Questões de responsabilidade civil, bem-estar animal e supervisão regulatória devem acompanhar cada lote. No curto prazo, o sinal mais concreto para o mercado de defesa e biotecnologia é outro: capital paciente — In-Q-Tel, Sequoia, 8VC — está disposto a financiar, em escala de unicórnio, a fronteira entre genoma e hardware tático.
Fontes: TechCrunch
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