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Warhound sai do stealth para clonar cães de elite e editar genes até 2027

Warhound sai do stealth para clonar cães de elite e editar genes até 2027

Startup de Palmer Luckey e Ben Lamm levanta US$ 200 mi, coleta amostras de cães de alto desempenho e promete primeiros filhotes no início de 2027.

Foto: Nuhyil Ahammed (Pexels)

A Warhound saiu do modo stealth na quarta-feira com US$ 200 milhões em financiamento e a missão de criar “cães de trabalho de elite” com “colete balístico avançado”. Segundo a reportagem da Wired publicada nesta quinta-feira (22), a empresa mira as Forças Armadas, a polícia e os socorristas dos Estados Unidos.

O projeto une Palmer Luckey, da Anduril, e Ben Lamm, cofundador da Colossal Biosciences. A meta declarada é reconstruir o suprimento doméstico americano de cães de elite e reduzir a dependência de criadores europeus para caninos militares.

O que aconteceu

Lamm disse à Wired que a Warhound já está no processo de edição genética — alteração precisa do material genético — do primeiro lote de animais. A empresa coletou amostras de sangue de cães “de alto desempenho” das Forças Armadas, da polícia e de equipes de emergência nos Estados Unidos, com o objetivo de cloná-los. As raças serão “em sua maioria pastor belga Malinois, alguns labradores e alguns pastores”, afirmou ele. A companhia prevê o nascimento da primeira leva de filhotes no início de 2027.

Nas rodadas iniciais, a edição genética deve mirar problemas de saúde comuns nessas raças, como displasia de quadril. Mais adiante, Lamm imagina incorporar genes de receptores olfativos de lobos para “aprimorar” os cães militares — linha que ecoa o trabalho da Colossal com lobos editados no chamado projeto de “desextinção” do lobo-terrível.

Com sede no Texas, a Warhound também pretende equipar os animais com “aumentos cibernéticos avançados da Anduril, software e consciência situacional de campo de batalha”, segundo um comunicado citado pela Wired. Questionado se isso significaria cães ciborgues, Lamm esclareceu que o plano atual é fornecer ferramentas como colete balístico avançado, e não embutir computadores no corpo dos animais. Sobre “cães com lasers”, respondeu que não pode comentar o que a Anduril planeja. A missão, segundo ele, é segurança e desempenho dos cães, além de reforçar o vínculo entre o animal e o condutor humano.

Nem Luckey nem Lamm atuarão no dia a dia; Lamm integra o conselho. O comando executivo ficou com David Spirk, ex-chefe de dados do Departamento de Defesa dos EUA e mais recentemente na Palantir. Entre os investidores estão In-Q-Tel, Sequoia Capital e ARK Invest. Luckey não é sócio nem tem participação acionária; a Anduril também não. A Colossal Biosciences, sim, tem fatia na empresa. Lamm afirmou que ele e Luckey trabalham no projeto há mais de um ano e só recentemente decidiram sair do stealth. A empresa planeja operar sob orientação da American Humane Society.

O que isso pode mudar

Se a cronologia se confirmar, o início de 2027 pode marcar a entrada em cena de uma cadeia doméstica de cães de trabalho clonados e editados geneticamente — um deslocamento, ainda hipotético, da dependência de criadores europeus para um modelo industrial americano de biologia e equipamento. Em tese, eliminar doenças herdadas e, depois, ampliar o olfato com genes de lobos poderia elevar a taxa de aproveitamento e o desempenho em missões, embora os efeitos práticos e éticos ainda dependam de resultados que a Wired não descreve como comprovados.

A combinação de genética da órbita Colossal com kit e software da Anduril sugere, na leitura da própria Lamm citada pela reportagem, algo como um “programa Capitão América para cães” com “tecnologia Homem de Ferro por cima”. Isso pode redesenhar o papel do animal no campo: menos criatura de criação tradicional, mais plataforma de desempenho e proteção. Ainda assim, a ausência de equity de Luckey e da Anduril na Warhound, com a Colossal no capital e Spirk no comando, indica que a execução cotidiana deve pesar mais no lado biotecnológico e de governança do que no marketing de defesa.

Para investidores e órgãos públicos, o aporte de US$ 200 milhões e nomes como In-Q-Tel e Sequoia sinalizam apetite por ativos na fronteira entre biologia e segurança. O que ainda não está claro — e a Wired trata como intenção, não como entrega — é até onde vão os “aumentos” da Anduril e se a edição genética avançará além da saúde para capacidades sensoriais. O primeiro teste concreto deve ser o nascimento dos filhotes; até lá, a Warhound existe sobretudo como promessa capitalizada e cronograma.

Fontes: Wired

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