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Wired dá nota 7 à Hyve Smart Package Locker contra furtos na varanda

Wired dá nota 7 à Hyve Smart Package Locker contra furtos na varanda

A Wired testou por semanas a caixa inteligente da Hyve, de US$ 297, e viu utilidade real — com falhas de adesão dos entregadores, bateria e montagem.

Ilustração: Jan van der Wolf (Pexels)

A revista Wired publicou neste domingo (25) a avaliação da Hyve Smart Package Locker, caixa inteligente de US$ 297 pensada para guardar encomendas quando o morador não está em casa. O crítico Christopher Null atribuiu nota 7 de 10 após semanas de uso em rua suburbana com entregas quase diárias de UPS, FedEx e, com menor frequência, DHL e Amazon.

No balanço, o aparelho oferece ponto seguro com estrutura razoavelmente resistente e alertas úteis no aplicativo móvel. Do outro lado, entregadores tendem a ignorá-lo — e não há como impor o uso —, a montagem é trabalhosa, a bateria falhou cedo no teste e o recurso de devoluções recorrentes só existe em duas cidades.

O que aconteceu

Segundo a Wired, a Hyve aposta em um modelo conhecido de “parcel lockbox”: o entregador deposita o pacote por uma tampa eletrônica com PIN de quatro dígitos; o dono retira o conteúdo depois. A unidade mede cerca de 81 cm de altura por 51 cm de largura e profundidade (32 × 20 × 20 polegadas), com volume interno de 7,4 pés cúbicos. A empresa diz caber cerca de 80% dos tamanhos de pacote da Amazon; no teste, kits de vinho entraram, mas volumes maiores foram deixados do lado de fora.

O produto chega desmontado, sem manual impresso — só QR code para vídeo e PDF —, e Null levou quase uma hora para montá-lo. Há suporte e cabo para prender a caixa a um ponto fixo: vazia, ela pesa cerca de 18 kg (40 libras) e, sem travamento, poderia ser carregada. A alimentação usa quatro pilhas AA, painel solar para carga auxiliar e porta USB-C de emergência. A Hyve estima cinco a seis meses de duração das pilhas; no teste, o primeiro jogo morreu em menos de três semanas, sem aviso.

No software, um PIN mestre serve a todos; o plano Essentials (US$ 5 ao mês ou US$ 50 ao ano, com um mês incluso na compra) permite códigos por transportadora e registra quem abriu a tampa. O plano de devoluções (US$ 15 ao mês) só opera, por enquanto, em Los Angeles e Seattle, com coletas duas vezes ao mês. Fora disso, quem tem Essentials pode acionar Uber Courier; no caso do autor, o frete de devolução à Amazon variou entre US$ 8 e US$ 18.

O contexto do teste reforça a demanda. Pedidos de retenção de pacotes nem sempre são cumpridos pelas grandes transportadoras e, segundo Null, a FedEx aparentemente encerrou a opção de “vacation hold” sem aviso formal — confirmação que ele obteve de um representante. Guardar volumes em centros de coleta costuma custar cerca de US$ 5 por pacote, ou mais conforme o prazo, além da ida ao posto.

No dia a dia, a adesão dos motoristas foi o principal atrito. No início, caixas da FedEx ficavam ao lado da Hyve; depois de conversa presencial e instruções no aplicativo, o uso melhorou e Null estimou taxa próxima de 75% com FedEx, UPS e Amazon. Em casa com muitas entregas, porém, um único drop da UPS podia lotar o compartimento, limitando a utilidade em viagens longas. O CEO da Hyve admitiu à Wired que a baixa adesão é problema recorrente; a empresa oferece adesivo de orientação e testou o placard “Snack Stop” com lanches para incentivar o motorista a abrir a tampa.

O que isso pode mudar

Se o padrão observado no teste se repetir em outras residências, caixas como a Hyve podem reduzir o risco de “porch piracy” — o furto de encomendas na varanda — sem depender só da boa vontade de vizinhos ou de retenções caras nos correios das transportadoras. A hipótese, porém, depende menos do hardware e mais da rotina dos entregadores e dos campos de instrução nos apps das carriers, que, no relato, nem sempre permitem indicar “lockbox” com clareza.

Para lares de alto volume de compras online, o teto de capacidade e a falha precoce de bateria sugerem que a solução ainda precisa amadurecer antes de virar infraestrutura padrão da temporada de presentes. Em cidades sem o plano de devoluções, o ganho fica concentrado na recepção segura — útil, mas incompleto frente ao ciclo completo de e-commerce. Ainda assim, Null conclui que, apesar das dores de crescimento, o aparelho pode merecer um lugar permanente na porta da frente.

Fontes: Wired

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