Zelenski pede apoio a sanções dos EUA contra a Rússia após Trump pausar pacote

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O presidente ucraniano pediu apoio à Lei Lindsey Graham horas depois de Donald Trump assinar decreto que suspende restrições à economia russa, em meio a ataques noturnos e tensão com Washington.

Redação Mundo dos Negócios · 17/10/2026

Foto: RDNE Stock project (Pexels)

O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, pediu neste sábado, 17 de outubro de 2026, aos apoiadores que se manifestem em defesa de novas sanções dos Estados Unidos contra a Rússia. O apelo veio poucas horas depois de o presidente americano, Donald Trump, assinar um decreto que pausa um amplo pacote de restrições voltado à economia russa.

A decisão da Casa Branca reforçou o receio de que a Ucrânia possa ficar mais exposta à escalada dos ataques de Moscou com a chegada do inverno. Na mesma madrugada, autoridades relataram mortes e dezenas de feridos em bombardeios russos; do lado russo, drones ucranianos mataram uma mulher em região fronteiriça e levaram ao cancelamento de voos nos aeroportos de Moscou.

Zelenski classificou a suspensão das sanções como lamentável, mas evitou criticar Trump diretamente, em um contexto de tensões crescentes entre Kiev e Washington nos últimos dias.

O que aconteceu

Em mensagem pública, Zelenski afirmou que foi tomada na América uma decisão de “desconsiderar completamente a Lei Lindsey Graham”, legislação que, na avaliação dele, deveria impor pressão eficaz sobre a Rússia para encerrar a guerra. Ele manteve a esperança de reativação das medidas: “Esta lei poderia ter ajudado enormemente – e ainda pode! Mas ela precisa realmente funcionar, e cada voz em apoio a ela é importante”, disse.

A lei leva o nome do falecido senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul. Segundo a reportagem, o texto buscava reprimir com mais rapidez o fluxo de recursos financeiros que sustentam o conflito entre Rússia e Ucrânia, já com quatro anos e meio de duração. O projeto previa sancionar autoridades russas, bancos e uma frota de petroleiros associada ao transporte de energia russa.

Trump havia assinado pessoalmente a legislação no mês anterior. A pausa anunciada neste sábado ocorreu dois dias antes do prazo previsto na própria lei para implementação. O presidente informou ao Congresso que a suspensão atendia ao interesse nacional, sem detalhar os motivos.

O senador Richard Blumenthal, coautor do projeto, disse em comunicado que Trump estaria virando as costas para “a maioria dos americanos, seus representantes em ambas as casas do Congresso e nossos aliados europeus”. Blumenthal afirmou que as isenções “não têm nada a ver com a nossa segurança nacional e têm tudo a ver com adular Vladimir Putin”. Críticos avaliam que a medida favorece o líder russo.

A decisão surgiu uma semana após Trump declarar que os EUA concordaram em comprar diesel da Rússia para tentar reduzir preços globais de energia — medida que, segundo parlamentares republicanos e democratas citados na matéria, poderia ajudar Moscou na guerra sem aliviar combustíveis elevados principalmente pela campanha americana contra o Irã. Trump disse que a Rússia fornecerá imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel, seguidas por 500 mil toneladas em novembro e 1 milhão de toneladas “imediatamente depois”.

No campo militar, Zelenski relatou ataque massivo russo à infraestrutura de energia, com mais de 15 locais atingidos. A Força Aérea ucraniana informou quatro mísseis de cruzeiro e 332 drones lançados na noite; todos os mísseis e 289 drones teriam sido neutralizados ou destruídos. Autoridades ucranianas alertaram que a Rússia estocaria mísseis balísticos para novos ataques nos próximos meses. Em Sloviansk, três mortes e danos a prédios foram reportados; em Kherson, um motorista de ambulância morreu e outras 33 pessoas ficaram feridas em ataque com bombas guiadas, segundo administradores locais.

O Ministério da Defesa da Rússia disse ter derrubado 610 drones ucranianos durante a noite em 15 regiões, na Crimeia e no Mar Negro. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, citou mais de 100 drones abatidos rumo à capital; a mídia local apontou mais de 350 voos cancelados ou atrasados. O Kremlin informou que Vladimir Putin aprovou programa para restaurar instalações comerciais e logísticas danificadas por drones.

Impacto na prática

Para a Ucrânia, a suspensão temporária do pacote de sanções americano pode, em tese, facilitar o acesso da Rússia a recursos e rotas de comércio de energia que a legislação Lindsey Graham pretendia restringir — justamente quando Kiev denuncia bombardeios intensos à rede elétrica antes do inverno. Casos como os de Sloviansk e Kherson ilustram como a população civil segue exposta a mortes e ferimentos enquanto autoridades tentam manter aquecimento e serviços básicos sob pressão nos setores de energia.

Nos Estados Unidos e na Europa, o episódio pode ampliar o debate político sobre alinhamento com aliados e sobre compras de combustível russo. Parlamentares citados na fonte sugerem que a pausa contradiz o apoio bipartidário à lei e pode ser lida como concessão a Putin, enquanto a Casa Branca invoca interesse nacional sem abrir o conteúdo da decisão.

No plano econômico internacional, a combinação de sanções em suspenso, volumes de diesel russos anunciados por Trump e preços de energia ainda pressionados pelo conflito no Irã pode, hipoteticamente, manter incerteza sobre fluxos de petróleo e derivados e sobre o custo do transporte aéreo em regiões afetadas por drones — como os aeroportos de Moscou, onde centenas de voos foram impactados neste sábado.

Se o apelo de Zelenski mobilizar apoio público e pressão legislativa nos EUA, as sanções previstas na lei Lindsey Graham poderiam voltar a entrar em vigor no prazo original; se a pausa se prolongar, o cenário descrito na reportagem aponta para maior espaço financeiro e logístico à economia russa em plena escalada militar — sem que isso, segundo críticos do governo americano, necessariamente reduza o preço global dos combustíveis para consumidores.

Fontes: InfoMoney (Estadão Conteúdo)

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