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Zen Browser aparece como substituto do Arc sem IA, segundo The Verge

Zen Browser aparece como substituto do Arc sem IA, segundo The Verge

Terrence O’Brien, do The Verge, abandona o Arc pelo Zen Browser, que copia a interface e dispensa inteligência artificial e excessos.

Ilustração: Yaroslav Shuraev (Pexels)

O editor de fim de semana do The Verge, Terrence O’Brien, afirma ter deixado o navegador Arc há algum tempo em favor do Zen Browser e diz não sentir falta do anterior. Em texto publicado em 25 de outubro de 2026, ele descreve o Zen como quem copia os melhores elementos do Arc, mas deixa de lado a inteligência artificial (IA) e o que considera excesso de recursos.

O cenário de fundo é a transição da empresa por trás do Arc após a compra pela Atlassian no ano passado, com foco no Dia, navegador ainda mais centrado em IA. Segundo o autor, o Arc deve deixar de existir oficialmente em breve, o que deixa usuários dedicados em situação delicada.

O que aconteceu

O’Brien parte do luto de muita gente pelo Arc, que, em sua visão, foi o primeiro aplicativo em muito tempo a propor uma abordagem realmente nova ao desenho de navegadores. Ele próprio, porém, já tinha migrado para o Zen e recomenda o salto a quem topar “pequenos inconvenientes”.

Visualmente, diz o texto, Arc e Zen são quase indistinguíveis. O Zen traz sites fixados no estilo de um lançador, barra de abas à esquerda, espaços separados e “mods” para personalizar a interface. São, na leitura do editor, as partes que faziam a interface do Arc parecer fresca — sem o que, para ele, tornava o produto pesado.

O ponto mais destacado é a ausência de IA. Não há agente na barra lateral cobrando tarefas, nem preocupação declarada com treino de modelos de linguagem a partir da navegação. “É só um navegador web”, resume O’Brien. O projeto se apresenta como gratuito, de código aberto, voltado à privacidade e sustentado por voluntários e doações — contraste que o autor faz com a sensação de que, no Arc, os dados pareciam parte do plano de negócio.

No dia a dia, links abrem em visão “glance”, uma aba temporária em sobreposição, útil para pesquisa rápida ou “vitrine” online; um clique transforma isso em aba plena. Há também uma barra flutuante acionada por Command+T ou Ctrl+T para nova aba, troca de aba, busca no motor escolhido e acionamento de extensão. Além dos Zen Mods, dá para instalar extensões do Firefox; o autor diz, de forma anedótica, que o Zen lida melhor com extensões do que o Arc com as do Chrome, embora nem todas se exibam bem em interfaces tão distintas.

As limitações entram no mesmo relato. O Zen ainda não reproduz vídeo com proteção DRM — Netflix, Spotify, HBO, Disney+ e similares ficam de fora. A equipe trabalha para obter licença Widevine da Google; enquanto isso, O’Brien usa o Chrome para filmes. Como o Zen é baseado no Firefox e o suporte a Web MIDI desse motor é fraco, ele também abre o Chrome com alguma frequência. Em alguns casos, sente falta dos Boosts do Arc, mas diz ter aprendido a “aceitar a web como ela é”. Quem experimentou builds antigas e as achou instáveis, afirma, pode notar que o projeto avançou bastante.

O que isso pode mudar

Se a descontinuação oficial do Arc se confirmar no ritmo sugerido pelo The Verge, a procura por alternativas com a mesma lógica de interface — e sem obrigar o usuário a abraçar IA embutida — tende a crescer entre quem valorizava o desenho, não o “clima” de agente. O próprio O’Brien sugere que quem está “all in” nas funções de IA do Arc pode preferir o Dia; para ele, o Zen “simplesmente parece certo”.

Na prática, a hipótese é de uma bifurcação no pós-Arc. De um lado, produtos mais agressivos em IA, alinhados à aposta da Atlassian no Dia. De outro, um navegador gratuito e aberto que aposta em privacidade declarada, personalização e foco na tarefa — com o ônus de ainda depender de outro navegador para streaming protegido e certos usos técnicos. Para quem prioriza interface e leveza, o relato do The Verge posiciona o Zen como candidato natural; para quem não abre mão de DRM e MIDI no mesmo app, a convivência com o Chrome pode continuar sendo o preço do experimento.

Fontes: The Verge

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