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Ações do Google caem 10% com desaceleração da busca e temores sobre IA

Ações do Google caem 10% com desaceleração da busca e temores sobre IA

Alphabet cede cerca de 10% no pré-mercado após resultado do 3º trimestre abaixo do esperado, com Search crescendo menos e dúvidas sobre o retorno dos gastos em inteligência artificial.

Ilustração: Abhishek Navlakha (Pexels)

As ações da Alphabet, controladora do Google, cederam cerca de 10% no pré-mercado desta quinta-feira (29), depois que o balanço do terceiro trimestre ficou abaixo das projeções de Wall Street. A receita avançou 25%, para US$ 127,6 bilhões, mas ficou aquém dos US$ 128,22 bilhões esperados por analistas, e o lucro ajustado por ação foi de US$ 2,67, contra a estimativa de US$ 3,02.

O ponto que mais inquietou o mercado foi a desaceleração da busca, o motor histórico da empresa, em meio a dúvidas sobre o retorno dos gastos massivos em inteligência artificial (IA). A receita de Search e outros produtos cresceu 12%, para US$ 63,35 bilhões — ritmo inferior aos 17% do trimestre anterior e abaixo dos US$ 64,96 bilhões projetados.

O que aconteceu

De acordo com a Quartz, a Alphabet divulgou na quarta-feira um resultado que, segundo dados de analistas citados pela publicação, falhou em bater as expectativas em praticamente todas as linhas-chave, com exceção da nuvem. O lucro líquido disponível aos acionistas comuns caiu para US$ 26,2 bilhões, ou US$ 2,12 por ação, ante US$ 35,0 bilhões, ou US$ 2,87 por ação, um ano antes.

No Search, a companhia afirmou que a taxa de crescimento das consultas, na comparação anual, é a mais alta em cinco anos — um contraste com a receita, que perdeu força frente ao trimestre anterior e às projeções. Já o Google Cloud disparou 103%, a US$ 30,7 bilhões, acima dos US$ 28,7 bilhões esperados, e a renda operacional da unidade chegou a US$ 11,1 bilhões, contra US$ 3,6 bilhões no mesmo período de 2025.

No consolidado, a renda operacional subiu 30%, para US$ 40,6 bilhões, ainda assim abaixo dos US$ 43,19 bilhões previstos. O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 9,1 bilhões. As compras de imóveis e equipamentos somaram US$ 51,4 bilhões, e a dívida de longo prazo saltou para US$ 125,1 bilhões, vindos de US$ 46,5 bilhões no fim de 2025. A diretora financeira Anat Ashkenazi disse que a empresa segue esperando aumento significativo do investimento de capital em 2027.

A Quartz registra que a queda colocava a Alphabet a caminho da maior perda de valor de mercado de sua história. Futuros do Nasdaq 100 recuavam 0,9% por volta das 7h07 em Nova York. Michael O’Rourke, da JonesTrading, escreveu que, após errar as projeções em quase todas as métricas relevantes salvo a nuvem, o Google entraria na disputa pela IA “em posição de fraqueza”. Sundar Pichai, por sua vez, afirmou que os investimentos em IA impulsionam o crescimento das consultas de busca e que o aplicativo Gemini atingiu 1 bilhão de usuários.

O que isso pode mudar

Se a desaceleração da receita de busca se confirmar nos próximos trimestres, o mercado pode cobrar com mais rigor a rentabilidade dos bilhões aplicados em infraestrutura de IA — já refletidos no caixa negativo e na dívida elevada. A nuvem, por ora a única linha claramente acima das expectativas, pode ganhar peso na narrativa de valuation, mas talvez não bastasse, sozinha, para compensar um arrefecimento prolongado do Search.

Há também o risco de que a expectativa de novos saltos de capex em 2027 alimente pressão sobre o fluxo de caixa e sobre o múltiplo das ações. Por outro lado, consultas em alta de cinco anos, Cloud dobrando a receita e Gemini na casa do bilhão de usuários sugerem, em tese, que a demanda por produtos de IA não sumiu — o desafio seria converter isso em lucro e em confiança renovada dos investidores. No curto prazo, a reação de cerca de 10% indica que Wall Street lê o balanço menos como tropeço pontual e mais como teste da tese de que a IA salvará, e não apenas onerará, o modelo do Google.

Fontes: Quartz

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