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BCE mantém juros inalterados com inflação a 3,8% e energia em alta

BCE mantém juros inalterados com inflação a 3,8% e energia em alta

Lagarde e Vujčić mantêm as três taxas do BCE estáveis, com inflação a 3,8% em setembro e energia a 18,9%, sem rota prévia de juros.

Ilustração: Masood Aslami (Pexels)

O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, manter inalteradas as três taxas de juro principais da instituição. Em Frankfurt, a presidente Christine Lagarde e o vice-presidente Boris Vujčić afirmaram que a alta contínua dos preços da energia eleva riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento, sem compromisso prévio com uma trajetória de juros.

A inflação da zona do euro acelerou para 3,8% em setembro, ante 3,2% em agosto, puxada sobretudo pela energia, cuja variação chegou a 18,9%. O BCE reiterou o objetivo de estabilizar a inflação em 2% no médio prazo e disse permanecer bem posicionado para navegar a incerteza elevada.

O que aconteceu

Na declaração de política monetária, Lagarde e Vujčić explicaram que os efeitos plenos do choque energético ainda se desdobram. Até agora, a inflação subjacente manteve-se em geral estável e os salários não mostram resposta material nesta etapa. Ainda assim, o aumento na magnitude e na duração do choque, com possíveis efeitos indiretos e de segunda rodada, tende a elevar a inflação e a reduzir o crescimento, segundo o comunicado.

As condições de financiamento apertaram desde a reunião anterior, o que deve pesar sobre preços e atividade. As decisões de juros seguirão abordagem dependente de dados e reunião a reunião, com base na perspectiva de inflação e nos riscos ao redor dela, nos dados econômicos e financeiros, na dinâmica da inflação subjacente e na força da transmissão da política monetária.

No detalhe dos preços, a inflação energética saltou de 14,3% em agosto para 18,9% em setembro. Diesel e gasolina atingiram novos picos, em parte por margens de refino elevadas. Sem energia, a inflação subiu para 2,3%, de 2,1%. Alimentos avançaram a 1,3% e serviços a 3,2%. Expectativas de curto prazo aumentaram, mas a maior parte das medidas de longo prazo permanece em torno de 2%.

Na atividade, dados apontam expansão contínua no terceiro trimestre. Serviços se recuperaram após enfraquecimento no início do conflito no Oriente Médio. Manufatura, serviços digitais e exportações se beneficiam de investimentos ligados à inteligência artificial (IA), enquanto gastos públicos em infraestrutura e defesa também sustentam a atividade. Em agosto, o desemprego ficou em 6,4%. A confiança do consumidor, porém, sofreu com a renovada alta da energia.

Nos riscos, o BCE vê viés de baixa para o crescimento e de alta para a inflação, citando o conflito no Oriente Médio e desenvolvimentos recentes na guerra da Rússia contra a Ucrânia. Uma interrupção prolongada no fornecimento energético poderia manter preços elevados por mais tempo. Nas condições financeiras, juros de mercado subiram e as ações caíram. O crédito às firmas desacelerou para 4,2% ao ano e o crédito imobiliário recuou a 3,0% em setembro, com demanda em queda diante de juros mais altos.

O que isso pode mudar

Se o choque energético se intensificar ou durar mais do que o esperado, a inflação cheia poderia permanecer bem acima da meta por vários trimestres, o que poderia forçar o Conselho a reavaliar a postura em reuniões futuras — sem rota pré-anunciada. Por outro lado, se conflitos geopolíticos forem resolvidos de forma sustentável ou se efeitos de segunda rodada forem mais brandos, a inflação poderia ceder mais cedo, segundo os cenários descritos pelo próprio BCE.

No curto prazo, o aperto das condições de financiamento poderia frear investimento e consumo. No médio prazo, recuperação de confiança e de rendas reais, com queda gradual dos preços da energia e mercado de trabalho robusto, poderia reforçar a demanda interna, enquanto IA e gastos públicos em infraestrutura e defesa seguiriam como apoios potenciais ao crescimento.

O Conselho afirmou estar pronto a ajustar todos os seus instrumentos dentro do mandato para estabilizar a inflação na meta de médio prazo e preservar o funcionamento suave da transmissão monetária. Em paralelo, o comunicado insiste em reformas estruturais, finanças públicas sólidas e respostas fiscais ao choque energético temporárias, bem direcionadas e sob medida.

Fontes: ECB Press

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