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Al-Sayari no IMFC alerta que conflito no Oriente Médio amplia pressão global

Al-Sayari no IMFC alerta que conflito no Oriente Médio amplia pressão global

Governador do banco central saudita diz ao IMFC que o conflito no Oriente Médio espalha efeitos por comércio, inflação e financiamento.

Ilustração: Ben Bouh (Pexels)

O governador do banco central da Arábia Saudita, Ayman Al-Sayari, afirmou ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês) que o conflito no Oriente Médio continua a pesar sobre as perspectivas globais, num ambiente já marcado por elevada incerteza, dívida alta e espaço limitado para políticas. A declaração, feita em Bangcoc em 17 de outubro de 2026 e divulgada pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), descreve efeitos que, após o choque inicial em energia e rotas marítimas, se espalham por comércio, transporte, inflação, condições de financiamento e confiança.

Segundo o texto, a resiliência ajudou até agora a conter o impacto, mas a capacidade dos países de absorver novos choques permanece desigual e restrita. Al-Sayari destaca o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) na cooperação multilateral, na vigilância equilibrada e no apoio adaptado aos membros.

O que aconteceu

Na visão apresentada ao IMFC, a economia mundial resistiu melhor do que se temia no início, mas a um custo. Amortecedores fiscais e financeiros se erodiram, o crescimento de médio prazo segue contido e o quadro agregado esconde divergências entre países e setores. A incerteza sobre políticas comerciais pesa sobre investimento, comércio e confiança. Rendimentos soberanos elevados nas principais economias aumentam o serviço da dívida e apertam as condições financeiras globais, com consequências potencialmente desproporcionais para mercados emergentes e economias em desenvolvimento, sobretudo devedores vulneráveis com pouco espaço fiscal.

O governador aponta riscos mais interconectados. Oscilações de fluxos de capital e custos mais altos de refinanciamento podem deslocar investimentos essenciais. Alavancagem elevada, desalinhamentos de liquidez e exposições opacas em algumas instituições financeiras não bancárias podem amplificar mudanças abruptas no apetite a risco. O investimento em inteligência artificial sustenta a atividade e oferece ganhos potenciais de produtividade, mas avaliações elevadas concentradas em poucas empresas pedem vigilância contínua. O uso crescente de stablecoins, inclusive em alguns mercados emergentes, pode abrir novos canais de transmissão de vulnerabilidades monetárias e financeiras.

O conflito no Oriente Médio é descrito como motor importante da deterioração das perspectivas, ao reforçar a interdependência entre segurança energética e estabilidade financeira global. O choque inicial em petróleo, gás e rotas de navegação migrou para produtos refinados — sobretudo combustíveis de transporte, fertilizantes e outros insumos —, com efeitos sobre inflação, segurança alimentar e produção. Reencaminhamento de oferta e uso de estoques suavizaram o impacto imediato, mas reduziram a margem para novas interrupções. Países de baixa renda e Estados frágeis enfrentam, segundo a declaração, custos essenciais mais altos, dívida elevada, financiamento apertado e assistência oficial em declínio.

Al-Sayari acolhe a direção geral da Agenda de Política Global da diretora-geral do FMI — com ênfase em políticas críveis, crescimento liderado pelo setor privado e cooperação internacional — e diz que a prioridade imediata é preservar a estabilidade sem respostas que enfraqueçam o crescimento de médio prazo ou erodam ainda mais os amortecedores. A Arábia Saudita reafirma apoio ao desenvolvimento de capacidades do FMI, incluindo um compromisso de US$ 279 milhões e o escritório regional em Riade, e saúda a extensão de um ano da presidência do IMFC.

O que isso pode mudar

Se a leitura do governador se confirmar, pressões prolongadas em energia e logística poderiam pesar ainda mais sobre um crescimento de médio prazo já contido, com carga maior sobre economias menos capazes de absorver custos. Isso poderia reforçar a demanda por vigilância do FMI mais ágil e voltada a riscos macrofinanceiros, por programas adaptados às circunstâncias dos membros e por coordenação entre credores — inclusive no Quadro Comum do G20 — onde a dívida for insustentável.

No campo da inovação, a mensagem sugere que autoridades poderiam integrar à vigilância a análise dos efeitos da inteligência artificial sobre produtividade, mercado de trabalho e estabilidade financeira, e aprofundar a compreensão das stablecoins. O avanço consensual na representação dos membros, preservando um FMI forte e baseado em cotas, pode se tornar o teste prático da agenda defendida em Bangcoc.

Fontes: BIS Speeches

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