American Airlines prevê prejuízo maior em 2026 com alta do combustível e freia expansão

American Airlines prevê prejuízo maior em 2026 com alta do combustível e freia expansão

Companhia corta projeção para 2026 apesar de receita recorde no 3º trimestre e planeja desacelerar o crescimento da capacidade no próximo ano.

Foto: Tom Fisk (Pexels)

A American Airlines prevê um prejuízo maior em 2026, mesmo após registrar receita recorde no terceiro trimestre, diante da forte alta do combustível de aviação. A companhia, sediada em Fort Worth, no Texas, também sinalizou que pretende desacelerar o crescimento da capacidade no próximo ano.

A revisão coloca a empresa como a quarta grande aérea dos Estados Unidos a cortar a projeção para 2026 neste mês, no rastro do salto nos preços do querosene de aviação após o início da guerra no Irã. As ações da companhia recuavam cerca de 4% no pré-mercado.

O que aconteceu

Na quinta-feira, a American Airlines informou que espera perder entre US$ 1 e US$ 1,60 por ação, em base ajustada, no ano cheio de 2026. Em julho, a faixa ia de lucro de até 65 centavos por ação a prejuízo de até 65 centavos. Para o quarto trimestre, a previsão ajustada é de perda entre 50 centavos e US$ 1,10 por ação, com receita podendo subir até 22,5% na comparação anual e capacidade avançando entre 5,5% e 6,5%.

No terceiro trimestre, a receita chegou a US$ 16,34 bilhões, alta de 19,3% ante o ano anterior e acima da estimativa de Wall Street compilada pela LSEG, de US$ 16,22 bilhões. O prejuízo líquido foi de US$ 269 milhões, ou 41 centavos por ação, ante US$ 114 milhões, ou 17 centavos, no mesmo período de 2025. Em base ajustada, a perda ficou em 28 centavos por ação, melhor que os 35 centavos esperados pelo mercado.

O diretor-presidente Robert Isom afirmou, em comunicado, que a companhia entregou receita recorde no trimestre e o crescimento anual mais forte de sua carreira, com desempenho premium na dianteira. Segundo ele, os investimentos nos quatro pilares da estratégia comercial estão funcionando e a empresa espera outro trimestre de crescimento recorde de receita para fechar o ano.

A conta de combustível da American subiu 67,5% no terceiro trimestre, para US$ 4,64 bilhões. O combustível de aviação é o maior custo das aéreas depois da mão de obra, e o pico de preços já acrescentou bilhões às despesas do setor neste ano. A alta também empurrou as passagens aéreas mais de 20% acima do nível do ano passado. Delta Air Lines, United Airlines e Southwest Airlines também reduziram suas perspectivas neste mês.

Isom enfrenta pressão para elevar os lucros em uma companhia que tem ficado bem atrás das rivais lucrativas Delta e United. A American tem investido em novas salas vip e cabines reformadas com mais assentos premium. Neste mês, nomeou um novo chefe de rede, no âmbito de uma remodelação da gestão que também alcançou operações e a área comercial — no ano passado, contratou o veterano Nat Pieper como chefe comercial.

O que isso pode mudar

Se a alta do combustível persistir, a desaceleração da capacidade da American em 2027 pode ajudar a proteger margens, mas também pode limitar a recuperação de participação de mercado frente a Delta e United. Um freio coordenado de oferta entre as grandes aéreas dos EUA poderia sustentar tarifas elevadas por mais tempo, embora o efeito sobre a demanda ainda dependa do poder de compra dos passageiros.

Para os investidores, o contraste entre receita recorde e prejuízo ampliado pode reforçar o escrutínio sobre a execução da estratégia premium e da renovação da equipe. Caso o querosene de aviação ceda, a companhia poderia recuperar parte do caminho perdido na projeção de resultados; se os preços seguirem pressionados, o setor pode continuar a revisar para baixo o ano de 2026 e a adiar planos de expansão.

Fontes: CNBC.

Fontes: CNBC

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