Anúncios de ataque inundam disputa apertada ao Senado no Mississippi

Hyde-Smith fica em desvantagem no ar; spot sobre arquivos de Epstein passa de 1.200 exibições na semana, segundo a Axios.
Ilustração: raksasok heng (Pexels)
Na reta final da disputa pelo Senado no Mississippi, a senadora republicana Cindy Hyde-Smith enfrenta uma avalanche de anúncios negativos no ar — e, na última semana, ficou em desvantagem clara na televisão, segundo dados da AdImpact reunidos pela Axios.
O comercial mais veiculado nesse período traz uma sobrevivente do esquema de Jeffrey Epstein criticando o voto da senadora contra a liberação de arquivos ligados ao traficante de pessoas condenado, enquanto o desafiante democrata Scott Colom ganha espaço positivo ou vê a adversária atacada por seu histórico no Congresso.
O que aconteceu
De acordo com a Axios, apenas um dos oito anúncios mais exibidos recentemente retrata Hyde-Smith de forma favorável. Cinco peças ou valorizam Colom ou a atacam como senadora distante do eleitorado e mais atenta a doadores ricos; os outros dois comerciais tratam de disputas em níveis inferiores da cédula.
O spot com a sobrevivente Jena-Lisa Jones foi ao ar mais de 1.200 vezes na última semana e custou ao super PAC de orientação progressista New Deal for All mais de US$ 329 mil, segundo a AdImpact citada pela reportagem. No vídeo, Jones condena o voto de Hyde-Smith sobre os arquivos de Epstein e pede que o eleitorado do Mississippi vote contra a senadora, em nome da proteção das crianças.
Aquele voto, aprovado por 51 a 49 no ano passado, adiou indefinidamente uma emenda que exigiria a liberação completa dos arquivos de Epstein pela então procuradora-geral Pam Bondi. Em nota enviada ao Mississippi Free Press e reproduzida pela Axios, Hyde-Smith afirmou que deseja transparência e apoia a divulgação de informações que possam ser liberadas legalmente, com proteção às vítimas, mas que um voto procedimental sobre uma emenda não equivale a defender o segredo dos arquivos.
A campanha da senadora também investiu em ataque: um comercial chama Colom de “defensor de pessoas transgênero” e o rotula como “o candidato ao Senado mais radical da nossa geração”. A peça foi exibida mais de 2.800 vezes nos mercados de televisão do Mississippi e de Memphis, no Tennessee, nos 30 dias após a estreia em 10 de setembro, com gasto superior a US$ 854 mil. Entre 19 e 26 de outubro, porém, a campanha parece ter reduzido a pressão, destinando menos de US$ 150 mil à veiculação desse anúncio.
O presidente Donald Trump apareceu em comício a favor de Hyde-Smith em Corinth, no Mississippi, na segunda-feira, e disse estar ali porque “Cindy está indo muito bem”, mas que “precisa garantir” o resultado — sinal de que até aliados enxergam a corrida como mais apertada do que o previsto.
O que isso pode mudar
Ainda se espera, segundo a Axios, que Hyde-Smith vença. O volume e o tom dos comerciais, no entanto, sugerem que a disputa pode permanecer mais disputada do que o padrão histórico do estado indicaria, com o debate sobre transparência nos arquivos de Epstein e o contraste ideológico entre os candidatos ocupando o centro da propaganda.
Se a desvantagem no ar se mantiver até a eleição, a senadora pode precisar recalibrar mensagem e gastos para recuperar presença positiva na televisão. Para Colom, a janela de anúncios favoráveis e de ataques à adversária pode ampliar a percepção de competitividade, ainda que a virada continue, no cenário descrito pela reportagem, como um cenário improvável, não descartado.
Para o mapa do Senado, uma corrida inesperadamente apertada no Mississippi reforçaria a leitura de que até estados tradicionalmente seguros podem exigir reforço de campanha e presença presidencial na reta final — um alerta político e de custo eleitoral que vai além do anúncio da semana.
Fontes: Axios
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