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Anea eleva projeções de safra de algodão do Brasil e vê exportações recordes

Anea eleva projeções de safra de algodão do Brasil e vê exportações recordes

Associação revisa para cima a safra colhida neste ano e a de 2026/27, e projeta embarques recordes entre o 2º semestre de 2026 e o 1º de 2027.

Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) revisou para cima a estimativa da safra de algodão do Brasil colhida neste ano e também elevou a projeção para a temporada 2026/27. O comunicado, divulgado na quarta-feira (21), cita uma possível janela favorável ao plantio no país, descrito como o maior exportador global da pluma.

A maior parte do algodão brasileiro é cultivada na segunda safra, sobretudo em Mato Grosso, depois da colheita da soja. Uma semeadura acelerada da oleaginosa no principal Estado produtor, segundo a reportagem da Reuters republicada pelo Money Times, traz um cenário favorável ao calendário da fibra.

Os números foram debatidos na terça-feira em reunião do Comitê de Oferta e Demanda da Anea. A associação também apontou demanda firme e volumes elevados de embarques projetados até o primeiro semestre de 2027.

O que aconteceu

A estimativa de produção em 2026/27 foi ampliada em 5,9% em relação à previsão de agosto, para 4,267 milhões de toneladas. Esse volume ficaria próximo das 4,271 milhões de toneladas do ciclo anterior, cuja estimativa da Anea subiu 2,2% ante o volume previsto em agosto.

O presidente da Anea, Dawid Wajs, afirmou em nota que a revisão de 2026/27 considera a janela favorável de plantio da soja e as indicações dos produtores sobre as projeções para o próximo ciclo. Ele ponderou que a entidade acompanha os riscos climáticos, especialmente os ligados ao fenômeno El Niño, oscilação climática no Pacífico associada a alterações de chuva e temperatura em várias regiões.

Com duas safras consecutivas em patamares recordes acima de 4,2 milhões de toneladas, o Brasil deverá manter volumes expressivos na exportação, já que a demanda está firme, segundo Wajs. Em declaração citada pela Reuters, o dirigente disse acreditar que o país ainda deve bater recorde de exportação no combinado do segundo semestre de 2026 com o primeiro semestre de 2027, porque a safra é consideravelmente grande e “esse algodão tem que sair”.

Os embarques no segundo semestre deste ano são estimados em cerca de 1,6 milhão de toneladas. No primeiro semestre do ano que vem, a Anea vê cerca de 1,8 milhão de toneladas. O presidente da associação afirmou ainda que o setor tem visto “crescimento muito relevante” no terceiro trimestre nas exportações para países como Índia, Bangladesh, Turquia e Vietnã.

Com a produção elevada, a Anea também revisou os estoques de passagem em dezembro de 2026 para 3,038 milhões de toneladas, ante 2,914 milhões na previsão anterior.

Impacto na prática

A revisão das projeções pode influenciar o ritmo de oferta da pluma nos mercados internacionais que compram do Brasil. Em hipótese, volumes maiores de embarques no segundo semestre de 2026 e no primeiro de 2027 podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda nesses destinos, caso as saídas se confirmem perto das estimativas da associação.

Para importadores em países citados pela Anea — como Índia, Bangladesh, Turquia e Vietnã —, um fluxo mais intenso de algodão brasileiro pode, em tese, facilitar o abastecimento da indústria têxtil local, se a demanda permanecer firme como descrito pelo presidente da entidade. Ao mesmo tempo, estoques de passagem mais altos em dezembro de 2026 sugerem, segundo a própria revisão da Anea, que parte da produção elevada pode permanecer disponível no país ao fim do ano, o que pode afetar preços e margens ao longo da cadeia, sem garantia de direção única.

Riscos climáticos ligados ao El Niño, monitorados pela associação, podem ainda alterar o quadro de plantio e produtividade da safra 2026/27. Em tese, qualquer desvio climático em Mato Grosso e em outras áreas de segunda safra pode reduzir o que hoje aparece como janela favorável, segundo a leitura cautelosa do próprio comunicado.

Se a combinação de safras próximas de 4,2 milhões de toneladas e embarques somados de cerca de 3,4 milhões de toneladas entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro de 2027 se confirmar, o Brasil pode reforçar sua posição de maior exportador global da pluma no período — hipótese que depende, conforme a Anea, tanto da demanda externa quanto do acompanhamento dos riscos climáticos.

Fontes: Money Times (Reuters) — Anea eleva projeções de safra de algodão do Brasil e vê exportações em níveis recordes

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