AT&T e OpenAI redesenham o trabalho jurídico interno com LegalEdge

A operadora norte-americana amplia o LegalEdge com a OpenAI para facilitar o acesso ao conhecimento jurídico e escalar o julgamento dos advogados internos.
Foto: Sanket Mishra (Pexels)
A AT&T está aprofundando a parceria com a OpenAI para tornar mais acessível o conhecimento acumulado do departamento jurídico interno. O movimento se apoia no LegalEdge, equipe que reúne advogados, profissionais do direito, tecnólogos e gestores de projetos focados em aplicar inteligência artificial (IA) a matérias jurídicas relevantes.
Segundo o blog da OpenAI, a companhia busca conectar mais a expertise dispersa entre equipes ao trabalho que chega à mesa do advogado, sem transferir a decisão final para as ferramentas.
O que aconteceu
O departamento jurídico interno da AT&T conta com centenas de advogados e profissionais do direito em várias regiões. Antes de orientar o negócio, eles precisam reunir fatos, documentos e trabalhos anteriores, muitas vezes dependendo de conhecimentos espalhados por diferentes times. Para David McAtee, vice-presidente executivo sênior e general counsel da AT&T, facilitar o acesso a essa experiência é central para melhorar o funcionamento da área.
Na descrição da OpenAI, a parceria visa construir a “canalização” que alimenta a camada de conhecimento em toda a empresa e da qual os profissionais passam a se valer. McAtee afirma que a colaboração com a OpenAI permitirá erguer essa base comum de informação jurídica e organizacional.
O LegalEdge já concentra esforços para usar IA em grandes demandas jurídicas. A próxima etapa, segundo o relato, é aproximar ainda mais o acervo de precedentes, pesquisas e trabalhos passados do fluxo diário de pedidos que chegam de várias áreas do negócio. As equipes jurídicas precisam responder com rapidez sem deixar de lado riscos, o que torna o intake — a porta de entrada das solicitações — um ponto crítico de proteção da empresa.
Bill Ryan, chief compliance officer da AT&T, descreve uma iniciativa planejada como um sistema de intake com uma “porta da frente” baseada em linguagem natural. A ideia é classificar e priorizar pedidos, conectá-los a precedentes, pesquisas e trabalhos anteriores e oferecer ao profissional responsável contexto histórico e primeiros passos recomendados. Com isso, os advogados teriam um ponto de partida mais informado e gastariam menos tempo apenas coletando material para avaliar o caso.
Ryan destaca o interesse em ampliar a capacidade da área de oferecer julgamento jurídico em maior escala. McAtee, por sua vez, reforça o princípio que orienta o trabalho: a tomada de decisão permanece com os advogados. O objetivo da parceria, conforme a OpenAI, é colocar melhor informação ao alcance desses profissionais para que dediquem mais tempo à aplicação da própria expertise.
O que isso pode mudar
Se o intake em linguagem natural e a conexão automática a precedentes avançarem como descrito, o departamento jurídico da AT&T poderá reduzir o tempo gasto em triagem e busca documental e concentrar esforço em análise e orientação ao negócio. Em tese, isso ampliaria o alcance do julgamento jurídico sem aumentar na mesma proporção o número de profissionais dedicados a cada demanda rotineira.
A abordagem também pode influenciar outras grandes corporações que enfrentam o mesmo gargalo: conhecimento jurídico fragmentado, volume alto de pedidos internos e pressão por respostas rápidas. Ao manter a decisão humana no centro e tratar a IA como camada de apoio informacional, o modelo sugerido pela parceria tende a ser visto como um caminho de governança mais prudente do que automações que tentam substituir o parecer do advogado.
Ainda assim, os ganhos dependem de qualidade dos dados, integração entre sistemas e disciplina no uso das recomendações geradas. Sem esses elementos, o “ponto de partida mais informado” pode virar ruído. O que a AT&T e a OpenAI apresentam, por ora, é uma aposta clara em escalar contexto e priorização — e não em automatizar a responsabilidade jurídica.
Fontes: OpenAI Blog – How AT&T is rethinking in-house legal work with OpenAI
Fontes: OpenAI Blog
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