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Barclays corta 5 mil vagas e aponta eficiência com inteligência artificial

Barclays corta 5 mil vagas e aponta eficiência com inteligência artificial

O banco britânico prevê eliminar cerca de 5% do quadro, com foco em funções de suporte, em meio a realocação de recursos para inteligência artificial.

Foto: Yaroslav Shuraev (Pexels)

O Barclays, banco e grupo de serviços financeiros do Reino Unido, revelou em relatório financeiro trimestral desta semana que pretende cortar 5 mil empregos, cerca de 5% da força de trabalho. A instituição liga o movimento a simplificação organizacional e a ganhos de eficiência tecnológica impulsionados por inteligência artificial (IA).

O anúncio entra numa onda maior: empresas grandes estão redistribuindo orçamento, às vezes às custas de postos humanos, para bancar a infraestrutura e as capacidades de IA, num momento em que também crescem temores de bolha no setor.

O que aconteceu

Segundo a Fast Company, o Barclays afirmou buscar “simplificação organizacional e eficiência de mudança tecnológica impulsionada por IA”. Cerca de 60% dos cortes devem cair sobre funções de suporte, inclusive desenvolvedores. Em outras palavras, o ajuste não se concentra só na linha de frente do varejo bancário: atinge também quem sustenta sistemas, processos e operações internas.

A mesma reportagem situa instituições financeiras entre as mais ativas na adoção de IA, frequentemente com impacto sobre o emprego. Além do Barclays, cita cortes anunciados em paralelo a empurrões de IA no DNB, da Noruega, e no Commerzbank, da Alemanha. O texto da Associated Press republicado pela Fast Company descreve o fenômeno de forma ampla: o custo de construir a infraestrutura para atender à demanda por IA está mudando como as grandes companhias alocam recursos. Isso pode significar o fim de alguns trabalhos feitos por pessoas; em muitos casos, significa redirecionar dinheiro que ia para mão de obra para ampliar capacidades de IA.

O panorama não se limita aos bancos. A Fast Company destaca que a rede de supermercados Kroger informou na semana passada a demissão de 3 mil funcionários corporativos ao longo dos próximos três anos, enquanto intensifica o uso de IA. Em memorando aos empregados, o CEO Greg Foran escreveu que a tecnologia está reformulando o que é possível e que o modo de trabalhar muda em todos os setores, com necessidade de adotar capacidades, reduzir trabalho duplicado e olhar onde as tarefas são melhor executadas.

A matéria da Fast Company apresenta o Barclays como o exemplo mais recente de uma lista de empresas que, neste ano, anunciaram demissões ou redução de contratações de alguma forma ligadas ao gasto massivo com IA. O fio comum é a pressão por eficiência e a prioridade do capital tecnológico sobre parte do quadro tradicional.

O que isso pode mudar

Se o padrão descrito pela Fast Company se consolidar, o setor financeiro pode acelerar uma troca silenciosa: menos gente em funções de suporte e desenvolvimento “repetível”, mais orçamento em modelos, dados e infraestrutura. Isso não implica, por si só, que a IA substitua o banco inteiro; sugere, com cautela, que tarefas administrativas, de código de manutenção e de processos internos tendem a ser as primeiras a entrar no radar de enxugamento.

Para os trabalhadores, o risco imediato seria a compressão de carreiras técnicas e de back-office que, até pouco tempo, pareciam relativamente protegidas. Para as instituições, a aposta seria gerar folga de custo para financiar a corrida por IA sem necessariamente elevar a base de despesas operacionais. Ainda assim, o próprio texto alerta que o volume de dinheiro despejado em IA alimenta debates sobre bolha: se os retornos demorarem, cortes feitos em nome da eficiência podem virar, em retrospecto, ajuste de ciclo, e não só “modernização”.

No varejo e em outros ramos, o caso Kroger ilustra que a lógica pode se espalhar além das mesas de trading e dos centros de desenvolvimento bancário. A hipótese mais plausível, por ora, é de uma transição desigual: empresas com escala e capital para investir em IA avançam no enxugamento; equipes e regiões mais expostas a funções automatizáveis absorvem o choque primeiro. O Barclays, ao amarrar 5 mil cortes a eficiência “driven by AI”, torna explícito um trade-off que o mercado de trabalho deve continuar a medir nos próximos balanços.

Fontes: Fast Company

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