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Barclays cortará cerca de 5 mil empregos este ano com uso de inteligência artificial

Barclays cortará cerca de 5 mil empregos este ano com uso de inteligência artificial

Banco britânico prevê eliminar cerca de 5% do quadro em 2026, com foco em funções de apoio, e reporta lucro do 3º tri abaixo das previsões.

Foto: Yaroslav Shuraev (Pexels)

O banco britânico Barclays anunciou nesta quinta-feira (22) em Londres que cortará cerca de 5.000 empregos neste ano — o equivalente a 5% de sua força de trabalho — enquanto amplia o uso de tecnologias como a inteligência artificial (IA) para reduzir custos fixos e buscar melhora da rentabilidade.

O anúncio veio junto com a divulgação do lucro do terceiro trimestre, de 2,3 bilhões de libras (3,08 bilhões de dólares), acima do registrado no ano anterior, porém abaixo das previsões dos analistas. Segundo a Reuters, o resultado ficou aquém das expectativas sobretudo pelo desempenho abaixo do esperado no negócio de negociação de renda fixa.

A instituição também informou ter realizado mais 201 milhões de libras em “medidas de redução de custos estruturais” no trimestre, no âmbito de um plano de longo prazo para cortar despesas — inclusive com pessoal — por meio de maior uso de tecnologia.

O que aconteceu

De acordo com a reportagem da Reuters publicada pelo InfoMoney, cerca de 60% do total dos cortes deve atingir funcionários em funções de apoio, como desenvolvedores. A informação foi dada pela diretora financeira Anna Cross a jornalistas e foi descrita como um dos sinais mais claros até agora, vindos de um grande banco, de como a inteligência artificial está permitindo que empresas reduzam o quadro nessas áreas.

Cross afirmou que 1.000 cargos já foram eliminados e que o restante deve ser cortado até o fim do ano. O movimento se soma ao esforço estrutural de redução de custos já contabilizado no trimestre.

Nas bolsas, as ações do Barclays caíam 2,5% no início do pregão, com desempenho inferior ao de outras instituições financeiras. No acumulado do ano, os papéis do banco recuaram 14%, em linha com pares europeus, que, segundo a Reuters, sofreram correção após anos de alta, num cenário em que taxas de juros mais elevadas haviam impulsionado os lucros do setor.

A Shore Capital, em nota citada pela agência, avaliou que os resultados ficaram abaixo do esperado devido ao desempenho decepcionante do banco de investimentos. A receita total dessa área no terceiro trimestre foi de 3,1 bilhões de libras, abaixo das previsões de 3,3 bilhões de libras.

As provisões do Barclays para perdas de crédito — que cobrem empréstimos inadimplentes — recuaram para 503 milhões de libras no trimestre, queda anual de 20%. A Reuters também lembrou que os resultados do terceiro trimestre de concorrentes do banco em Wall Street, divulgados no início deste mês, ilustraram a natureza cíclica da receita dos bancos de investimento: as negociações desaceleraram e as mesas de renda fixa tiveram desempenho abaixo do esperado, enquanto apenas a negociação de ações manteve o forte ímpeto observado no primeiro semestre.

Impacto na prática

Na prática, o anúncio pode alterar a rotina de milhares de profissionais ligados ao Barclays, sobretudo em funções de apoio e desenvolvimento, área em que a maior parte dos cortes deve se concentrar, conforme a diretora financeira. Em tese, a substituição parcial de tarefas por automação e IA pode reduzir a demanda por postos nessas frentes ao longo do próprio ano, já que mil cargos já saíram e o restante está previsto até dezembro.

Para investidores e mercados financeiros, o episódio pode reforçar a leitura de que grandes bancos europeus seguem sob pressão de custos e de resultados cíclicos no banco de investimentos, num momento em que as ações do Barclays já acumulavam queda no ano e reagiam com baixa no pregão da divulgação. No Reino Unido, onde o banco tem sede e de onde partiu o comunicado, o caso pode alimentar o debate sobre o ritmo em que a tecnologia — em especial a inteligência artificial — passa a encolher estruturas de suporte em instituições financeiras de grande porte, sem que a fonte garanta o mesmo padrão em outros países ou setores.

O quadro desenhado pela Reuters sugere, em hipótese, que o uso mais intenso de tecnologia para cortar despesas fixas pode continuar a moldar decisões de quadro e de rentabilidade em bancos globais, sobretudo quando lucros e receitas de áreas voláteis, como renda fixa e banco de investimentos, frustram as projeções do mercado — sem que isso signifique, por si só, que cortes semelhantes ocorram automaticamente fora do contexto apresentado pelo Barclays.

Fontes: InfoMoney / Reuters — Barclays vai cortar 5 mil empregos por redução de custos impulsionada pela IA

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