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Barclays eleva lucros e títulos franceses batem máxima de 24 anos

Barclays eleva lucros e títulos franceses batem máxima de 24 anos

Barclays lucra 2,3 bilhões de libras no trimestre e recompra ações; títulos franceses e petróleo pressionam mercados.

Foto: Mr Alex Photography (Pexels)

O banco britânico Barclays reportou nesta quinta-feira (22) alta de 12% no lucro antes de impostos no terceiro trimestre, para 2,3 bilhões de libras, e anunciou nova recompra de ações de 500 milhões de libras, às vésperas de um possível aumento de impostos sobre bancos no Orçamento do Reino Unido. No mesmo dia, o rendimento dos títulos franceses de dez anos atingiu o maior nível em 24 anos, o prêmio de risco frente aos títulos alemães ficou no patamar mais largo desde 2011 e o petróleo Brent superou 111 dólares o barril.

A cobertura ao vivo do The Guardian, assinada por Julia Kollewe, cruzou o balanço do banco, a pressão sindical por tributação e a tensão nos mercados europeus e asiáticos. O chanceler do Tesouro, John Healey, deve apresentar o Orçamento em 28 de outubro, sob o governo do primeiro-ministro Andy Burnham.

O desempenho inclui alta de 6% na receita líquida de juros no varejo britânico, para 2 bilhões de libras — cifra que se tornou ponto de atrito em campanhas por imposto bancário, ligada a juros que sobem com expectativas de inflação impulsionadas pela guerra no Irã.

O que aconteceu

No trimestre encerrado em 30 de setembro, a receita do grupo subiu 3%, para 7,4 bilhões de libras, acima das expectativas. No Reino Unido, os empréstimos cresceram 7% na comparação anual, com o negócio corporativo em alta de 14%. A nova recompra eleva o total devolvido aos acionistas no ano a 2,8 bilhões de libras, avanço de 46% ante o mesmo período do ano anterior.

O diretor-executivo C. S. Venkatakrishnan disse estar satisfeito com o ritmo operacional e financeiro e afirmou que, a um trimestre do fim do plano original de três anos, o banco alcançou ou está a caminho de cumprir todas as metas de grupo para 2026. Segundo ele, o banco de investimento teve desempenho forte em ações, compensando um ambiente desafiador em renda fixa, câmbio e commodities (FICC).

Essa unidade registrou receita de 3,1 bilhões de libras, abaixo do projetado. A receita de renda fixa caiu 19%, pior que a retração de 5% em bancos dos Estados Unidos. Richard Hunter, da interactive investor, descreveu o resultado como uma mistura improvável de dissipar as nuvens sobre o setor: o banco de investimento responde por 42% das receitas; renda de ações subiu 47%, FICC caiu 19% e o ganho geral ficou em 4%.

O Trades Union Congress (TUC) destacou que o lucro trimestral eleva o resultado do ano a 8,4 bilhões de libras, alta de 15%, e pediu imposto maior para financiar uma tarifa social de energia que reduziria contas em até 559 libras por ano para rendas baixas e médias. A sobretaxa bancária hoje é de 3% adicionais sobre lucros acima de 100 milhões de libras; os conservadores a cortaram de 8% para 3% em 2023, o que, segundo a central, custou 6 bilhões de libras ao Tesouro. Reverter o corte para 8% arrecadaria 9 bilhões em quatro anos; a meta sindical chega a 60 bilhões no período. Os quatro grandes bancos britânicos teriam lucrado 200 bilhões de libras desde 2021, afirmou o TUC. O secretário-geral Paul Nowak disse que os lucros extraordinários foram sustentados por dificuldades hipotecárias para milhões de pessoas.

Na França, o rendimento dos títulos de dez anos subiu 4 pontos-base, para 5,039%, o mais alto desde julho de 2002, após ultrapassar 5% na quarta-feira. O prêmio de risco sobre os Bunds alemães ampliou-se para 163 pontos-base, o mais largo desde novembro de 2011, com o Orçamento ainda não aprovado e após semanas de protestos. O petróleo Brent avançava 2,5%, a 111,58 dólares o barril, após novos ataques hutis na Arábia Saudita. Bolsas asiáticas recuaram: Nikkei (-2,65%), CSI 300 (-1,5%) e Kospi (-3,7%).

Impacto na prática

Para acionistas e clientes no Reino Unido, lucros e recompras podem reforçar a capacidade de retorno do banco, mas o debate tributário no Orçamento de 28 de outubro pode mudar o humor do setor. Em tese, segundo a analista Angeline Ong, da IG, um aumento confirmado afetaria mais ações de Lloyds e NatWest, quase inteiramente expostas ao mercado doméstico, enquanto o Barclays teria exposição parcial e o HSBC, a menor. Na França, o encarecimento do financiamento público pode pressionar o custo da dívida enquanto o Orçamento não avança. A alta do petróleo, se persistir, pode alimentar expectativas de inflação e tensão nos mercados de títulos.

Se a combinação de lucros bancários, tensão fiscal francesa e petróleo acima de 111 dólares permanecer no radar, os dias até o Orçamento britânico e eventuais desdobramentos no Oriente Médio podem indicar se o alívio dos balanços se traduz em confiança renovada ou em nova cautela nos mercados europeus.

Fontes: The Guardian – Business live (22/10/2026)

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