Boeing obtém aprovação da FAA para o 737 Max 10 após anos de atraso

Boeing obtém aprovação da FAA para o 737 Max 10 após anos de atraso

A FAA certificou o maior modelo da família 737 Max, atrasado desde o plano de voar em 2020, após crises de segurança e mudanças de engenharia.

Foto: Rafael Minguet Delgado (Pexels)

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) autorizou nesta terça-feira (20) o Boeing 737 Max 10, o maior modelo da família mais vendida da fabricante. A decisão encerra o ciclo de aprovação governamental da linha e chega após anos de atraso em relação ao plano original de entrada em serviço.

O sinal verde chega semanas depois de autoridades federais terem analisado uma falha no sistema de navegação da aeronave e concluído que o problema não representava risco à segurança do voo, segundo a CNBC.

O que aconteceu

O 737 Max 10 deveria começar a voar em 2020, mas a certificação foi adiada diante do escrutínio reforçado após dois acidentes com jatos Max em 2018 e 2019 e de outras questões de segurança. Também foram necessárias mudanças de engenharia, inclusive no sistema anticongelamento dos motores.

O administrador da FAA, Bryan Bedford, afirmou que a decisão segue uma revisão completa do projeto e dos requisitos de segurança da aeronave, e que o órgão continuará cobrando da Boeing os mais altos padrões de segurança.

O diretor-executivo Kelly Ortberg disse, em 16 de setembro, em evento do Morgan Stanley, que os pedidos do Max 10 representam cerca de 30% da carteira de encomendas da Boeing. Entre os clientes estão Alaska Airlines, American Airlines, United Airlines e Delta Air Lines.

Companhias aéreas podem começar a transportar passageiros pouco depois da certificação, mas a inclusão das aeronaves nas malhas costuma levar meses. Em agosto, o CEO da United, Scott Kirby, disse à CNBC que a espera pelo Max 10 foi tão longa que os assentos reclináveis lie-flat previstos para o modelo deixaram de fazer sentido e estão armazenados. Já a Alaska Airlines afirmou no mês passado que pretende instalar assentos desse tipo em parte de sua frota Max 10, em busca de oferta premium.

A FAA havia aprovado no início de agosto o menor modelo da família, o Max 7. A Boeing segue acelerando a produção dos 737 Max e dos 787 Dreamliner, peças centrais da recuperação financeira da empresa, já que clientes pagam a maior parte do valor na entrega. Em julho, a fabricante abriu uma quarta linha de montagem em Everett, no estado de Washington, dedicada aos 737 Max.

O que isso pode mudar

A certificação pode destravar entregas e ajudar a Boeing a converter em caixa uma fatia relevante do backlog, se a produção acompanhar a demanda das aéreas. Para United, Alaska e demais operadores, o Max 10 pode ampliar capacidade em rotas de maior densidade e, em alguns casos, sustentar cabines mais premium — embora a adaptação de assentos e horários ainda dependa de meses de planejamento operacional.

No médio prazo, o aval pode reforçar a narrativa de recuperação industrial da fabricante, desde que a execução em fábrica e o cumprimento contínuo das exigências da FAA se mantenham estáveis. Qualquer novo incidente ou atraso de engenharia, porém, ainda poderia pressionar prazos de entrega e a confiança de clientes e reguladores.

Fontes: CNBC.

Fontes: CNBC

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