Bose esgota fones com fio de US$ 99 em onda antibleuetooth e nostalgia

Pré-venda dos Noise Cancelling Wired Earbuds da Bose esgotou dois meses de estoque em menos de 24 horas. Vendas de fones com fio sobem 15% em 2026, segundo a Circana.
Foto: RDNE Stock project (Pexels)
A Bose voltou aos fones com fio e viu a pré-venda evaporar em horas. Segundo a Fast Company, o retorno mistura nostalgia do cabo e cansaço com o Bluetooth, o padrão sem fio dominante no áudio portátil.
Os Noise Cancelling Wired Earbuds, a US$ 99, esgotaram o equivalente a dois meses de estoque em menos de 24 horas após o lançamento no fim de setembro. Os envios começaram em 15 de outubro, e novas remessas também sumiram rápido, na leitura da própria empresa.
O que aconteceu
É o primeiro produto de áudio com fio da Bose em 11 anos. O modelo une o visual “retrô-cool” a recursos já considerados padrão no mercado, como o cancelamento ativo de ruído, a tecnologia que reduz sons do ambiente. A Fast Company descreve a peça como uma tentativa de juntar o melhor dos dois mundos: o cabo nostálgico e funções que o público passou a esperar dos fones sem fio.
O sucesso não parece isolado. Dados da Circana, empresa de pesquisa de mercado citados pela Fast Company, mostram que as vendas de fones com fio subiram 15% na comparação anual entre 2025 e 2026, somando US$ 354 milhões em 2026. No mercado mais amplo de fones, de crescimento em geral fraco, o salto chama atenção, avalia Paul Gagnon, vice-presidente e conselheiro da Circana para tecnologia de consumo.
“Se você olhar os últimos seis ou sete anos, os fones com fio vinham caindo. Os consumidores preferiam o sem fio, especialmente no estilo earbud, como os AirPods da Apple”, diz Gagnon. “Começamos a ver a categoria de fones com fio voltar a crescer no ano passado.” Segundo ele, as vendas deixaram de cair em agosto de 2025 e vêm avançando mês a mês desde então.
O Bluetooth facilitou ouvir música sem cabos, e o cancelamento de ruído virou comum. Trouxe também preocupações práticas: carregar a bateria e achar o aparelho quando não está no estojo. A Fast Company liga o revival dos fios a essa “reação” e a um cenário econômico apertado. Parte da demanda por modelos baratos pode ser de preço: Gagnon cita média de US$ 12 por par. As cinco maiores marcas no segmento com fio — Apple, Sony, JLab Audio, Sennheiser e Skullcandy — ficam, em geral, abaixo de US$ 20. O interesse pelo Bose, bem mais caro, sugere também apetite por opções premium com cabo.
A empresa fala em “demanda avassaladora” e admite que novos lotes também se esgotam depressa. O entusiasmo em torno do modelo, que começou a ser enviado em 15 de outubro, ilustra o que a Fast Company chama de renascimento nos fones de ouvido.
O que isso pode mudar
Se a tendência se mantiver, fabricantes podem reavaliar o quase monopólio do sem fio no portfólio de áudio. A Circana já aponta crescimento mensal desde meados de 2025; o esgotamento do Bose em escala premium pode, em tese, acelerar lançamentos híbridos — cabo mais cancelamento de ruído — e pressionar rivais a tratar o fio não só como item de entrada.
Ainda assim, o quadro é incerto. Grande parte do volume continua em faixas muito abaixo dos US$ 99, e a recuperação pode refletir, em parte, orçamento apertado, não só estética ou fadiga do Bluetooth. O que a Fast Company deixa claro é que o cabo voltou a mover caixa — e, no caso da Bose, a esvaziar estoque quase tão rápido quanto chega.
Fontes: Fast Company
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