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Campo Rosebank no Atlântico Norte vira próximo teste energético do Reino Unido

Campo Rosebank no Atlântico Norte vira próximo teste energético do Reino Unido

Após o sinal verde ao gás de Jackdaw, a secretária de Energia enfrenta a decisão sobre Rosebank, projeto maior, mais emissivo e disputado.

Ilustração: Wolfgang Weiser (Pexels)

O campo de petróleo Rosebank, a cerca de 80 milhas a noroeste das Shetland, voltou ao centro do debate energético britânico horas depois de Londres autorizar a produção de gás em Jackdaw, no Mar do Norte. A reportagem da BBC no local descreve a instalação flutuante Petrojarl Rosebank à espera do próximo parecer da secretária de Energia, Miatta Fahnbulleh.

Maior que Jackdaw, o projeto geraria mais emissões de gases de efeito estufa e poderia ser bem mais lucrativo para os donos Adura e Ithaca — e já divide trabalhadores, governo e campanhas ambientais.

O que aconteceu

Segundo a BBC, a equipe do editor da Escócia James Cook chegou de helicóptero na quarta-feira, poucas horas após o consentimento à produção de gás em Jackdaw. A atenção deslocou-se então para esse trecho ventoso do Atlântico Norte, apontado como a próxima grande decisão do gabinete de Energia.

Diferente da plataforma fixa de Jackdaw — a 150 milhas a leste de Aberdeen —, Rosebank opera em um navio de produção, armazenamento e transferência flutuante (FPSO, na sigla em inglês), o Petrojarl Rosebank, fretado junto à Altera, de Aberdeen. Nos 48 horas a bordo, a embarcação rolava suavemente no marulho; o técnico mecânico Ewan Leonard, das Órcades, lembrou, porém, um embate de 30 metros na semana anterior e antecipou invernos mais duros. O presidente-executivo da Altera, Chris Brett, classificou o ambiente a oeste das Shetland como “tão severo quanto se encontra em qualquer lugar do mundo”.

Há 122 pessoas a bordo. Nicola Boyd, responsável pelo helideck, trabalha há quase uma década no mar, com um ano em Rosebank no ritmo de duas semanas a bordo e três de folga. Douglas Hogge, supervisor de produção, defendeu a aprovação: as reservas estimadas de 300 milhões a 500 milhões de barris poderiam sustentar cerca de 25 anos de atividade — “até a aposentadoria” para muitos, disse ele à BBC.

A autorização de produção em Rosebank foi concedida sob o governo conservador em 2023. Em 2025, após desafio de Greenpeace e do grupo Uplift, a Court of Session em Edimburgo considerou ilegais as aprovações do maior campo de petróleo ainda não explorado do Reino Unido e de Jackdaw, por não levarem em conta o impacto climático da queima dos combustíveis. O juiz Lord Ericht permitiu trabalhos aquém da produção enquanto novos estudos ambientais forem avaliados.

Neil McCulloch, presidente-executivo da Adura — que detém 80% de Rosebank e é joint venture entre a Shell e a norueguesa Equinor —, destacou também o gás, que seguiria por tubulação às Shetland e ao terminal de St Fergus, em Aberdeenshire, com potencial para aquecer 500 mil residências britânicas no pico. Aprovação, argumentou, poderia abrir caminho a quatro desenvolvimentos de gás no porte de Jackdaw a oeste das Shetland: Tornado, Tornado East, Tobermory e Suilven.

Tessa Khan, diretora executiva da Uplift, rejeita o projeto: “A futura do setor energético no Reino Unido é a energia renovável.” Ela pediu ao primeiro-ministro Andy Burnham prioridade às renováveis e alertou que um sinal verde a um grande campo de petróleo poderia minar a confiança de investidores nesse caminho. Fontes disseram à BBC que a decisão sobre Rosebank deve sair antes do Natal.

O que isso pode mudar

Se Londres autorizar a produção, o petróleo tenderia a ser carregado em petroleiros e vendido no mercado internacional, em geral com destino à Europa continental para refino — argumento usado por críticos para questionar o benefício doméstico, e por defensores para lembrar a interdependência energética britânico-europeia e a receita fiscal potencial.

A aprovação de Jackdaw parece ter animado parte da tripulação, mas também expôs o risco de um “não” a Rosebank. No longo prazo, a própria BBC lembra tendência de declínio: faz um quarto de século que a produção de petróleo no país atingiu o pico, e empregos em óleo e gás têm sumido mais rápido do que nascem em eólicas e solares. A decisão iminente, portanto, pode definir não só o destino de um FPSO no Atlântico, mas o tom da política energética britânica entre segurança de abastecimento, arrecadação e clima — com mares agitados à frente, de um jeito ou de outro.

Fontes: BBC Business

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