Carta e NewView unem forças para facilitar liquidez antecipada a funcionários

Parceria une plataforma de equity e estruturação secundária para simplificar tender offers em startups que ficam privadas por mais tempo, segundo a TechCrunch.
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Startups que permanecem privadas por mais tempo deixam funcionários com ações que quase não conseguem vender. Para facilitar programas de liquidez antecipada, a plataforma de equity Carta e a NewView anunciaram parceria, segundo a TechCrunch nesta sexta-feira (23).
O movimento busca simplificar as chamadas tender offers — operações em que empregados e, com frequência, investidores iniciais vendem parte das ações a um preço pré-definido, muitas vezes com desconto sobre a avaliação plena mais recente, a um investidor aprovado.
O que aconteceu
Empresas de estágio avançado vêm recorrendo cada vez mais a essas ofertas para mitigar a falta de liquidez precoce na remuneração em ações. A colaboração une a experiência da NewView em estruturação de operações no mercado secundário — em que papéis já emitidos mudam de mãos fora de uma abertura de capital — à plataforma de equity da Carta, com o objetivo de lançar e administrar programas de liquidez de forma mais fluida.
Ravi Viswanathan, fundador e managing partner da NewView, afirmou à TechCrunch que a esperança é tornar mais fácil para CEOs e companhias pensarem em tender offers. Ele defende a liquidez antecipada para funcionários como um “ganha-ganha-ganha” para trabalhadores, empresas e investidores.
Um estudo recente da NewView Capital e da Carta projeta que, nos últimos três anos, as tender offers devem triplicar entre startups de Series C — rodada de financiamento típica de empresas mais maduras — e estágios posteriores. O fenômeno deixa de se restringir às privadas mais valiosas, como OpenAI, Databricks ou Anduril, segundo Viswanathan. No ano passado, sua firma liderou uma tender da HighTouch, startup de personalização de marketing com sete anos, a uma avaliação de US$ 1,3 bilhão.
Ainda assim, o alcance segue limitado: Carta e NewView identificaram apenas 44 ofertas executadas no primeiro semestre de 2026. Entre companhias que realizaram operações recentes estão a Decagon, de suporte ao cliente com inteligência artificial (sistemas que simulam capacidades humanas de raciocínio e linguagem), a Wayve, de tecnologia para veículos autônomos, e a ElevenLabs, geradora de voz por IA, que concluiu duas ofertas em menos de um ano.
Viswanathan classifica as tenders como ferramentas de retenção e de ânimo. Há uma década, ser unicórnio — empresa privada avaliada em pelo menos US$ 1 bilhão — bastava para atrair talentos; com tantas companhias bilionárias hoje, esse status perde força como chamariz. Oferecer uma tender, disse ele, “é uma oportunidade de dizer que você também terá liquidez na jornada conosco”.
Ele observou ainda que as empresas permanecem privadas por 12 a 15 anos e que isso não está mudando. Nesse intervalo, para evitar a fuga de talentos de companhias apoiadas por venture capital — capital de risco em startups — para rivais já listadas em bolsa, é preciso haver liquidez para os funcionários.
O que isso pode mudar
Se a parceria realmente reduzir atrito operacional, é possível que mais fundadores passem a tratar a liquidez parcial de equity como política recorrente de gestão de pessoas, e não como exceção reservada a gigantes. Em um cenário em que o IPO — oferta pública inicial de ações — demora mais a chegar, programas bem desenhados poderiam, em tese, amarrar retenção à expectativa concreta de caixa no caminho, sem depender só do status de unicórnio.
O próprio volume ainda baixo no primeiro semestre de 2026 sugere, contudo, que a adoção pode continuar seletiva. A hipótese é que a combinação de estruturação secundária com infraestrutura de equity acelere a decisão de CEOs que já consideravam a ferramenta, sem garantir, por si só, uma onda ampla de ofertas em todas as Series C e além.
Fontes: TechCrunch
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