Vacina personalizada de mRNA corta risco de recidiva de melanoma em 42%

Moderna e Merck avançam com intismeran mais Keytruda após fase 3; Fast Company aponta possível disponibilidade em 2027.
Foto: Laura Beauty Designer | Brasil (Pexels)
A Fast Company informa que Moderna e Merck se preparam para pedir aprovação regulatória de uma vacina experimental contra melanoma após resultados promissores em estudo avançado. O tratamento, baseado em RNA mensageiro (mRNA), a mesma plataforma das vacinas contra a Covid-19 da Pfizer e da Moderna, pode chegar aos pacientes já em 2027.
Segundo a reportagem, a combinação da vacina com o medicamento Keytruda reduziu em 42% o risco de o câncer de pele mais letal voltar ou de o paciente morrer. O produto ainda sem marca comercial é chamado, por ora, de intismeran.
O que aconteceu
Na quinta-feira, as duas farmacêuticas divulgaram dados de um ensaio clínico randomizado de fase 3 com 1.137 pessoas que tiveram o melanoma retirado por cirurgia, mas seguiam com alto risco de recidiva. No braço experimental, os participantes receberam intismeran junto com Keytruda; no de controle, Keytruda com placebo. O acompanhamento durou cerca de um ano, até recorrência da doença ou toxicidade inaceitável, e o desfecho principal foi a sobrevida livre de recidiva.
A Fast Company destaca que a vacina de mRNA é moldada às peculiaridades genéticas do tumor de cada paciente, o que a diferencia de abordagens genéricas. Os resultados completos devem ser apresentados no sábado, na Espanha, perante a Sociedade Europeia de Oncologia Médica.
O texto aponta ainda que, embora o foco imediato seja o melanoma, equipes já testam a mesma lógica em outros cânceres graves, entre eles pulmão, mama, próstata, pâncreas e cérebro. Em estudo clínico preliminar publicado neste ano, dez de 14 pacientes com câncer de mama agressivo permaneceram sem doença e mostraram sinais de imunidade após vacina personalizada de mRNA.
O que isso pode mudar
Se reguladores aceitarem o pedido e o cronograma sugerido se confirmar, o mercado de oncologia pode ver, já no próximo ano, a primeira onda comercial de imunoterapia individualizada por mRNA fora dos ensaios. Isso tenderia a pressionar hospitais e pagadores a organizar sequenciamento tumoral, logística de fabricação sob medida e prazos curtos entre cirurgia e dose, um fluxo bem distinto do de vacinas de prateleira.
Para as empresas envolvidas, o marco pode abrir uma franquia além da Covid-19 e reforçar a tese de que mRNA serve tanto à prevenção de infecções quanto ao combate a tumores. Ao mesmo tempo, o benefício de 42% na redução de recidiva ou morte é um sinal clínico forte, mas ainda depende de aprovação e de como o perfil de segurança e o custo se traduzirão na prática.
No horizonte mais longo, a expansão para mama e outros órgãos, se corroborada em estudos maiores, pode redesenhar a concorrência entre imunoterapias clássicas e terapias neoantigênicas sob medida. Por ora, o que a Fast Company descreve é um passo concreto no melanoma e uma hipótese de calendário para 2027, não um produto já disponível nas clínicas.
Fontes: Fast Company
Leia mais em: www.mundodosnegocio.com.br