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Chile corta PIB de 2026 para até 0,75% e mantém juros em 4,5%

Chile corta PIB de 2026 para até 0,75% e mantém juros em 4,5%

Banco Central do Chile revisa crescimento de 2026 para 0,25%–0,75%, mantém taxa em 4,5% e projeta inflação perto de 3% no 2º trimestre de 2027.

Ilustração: Atlantic Ambience (Pexels)

O Banco Central do Chile reduziu de novo a faixa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 e manteve a taxa básica de juros em 4,5%, em meio a demanda interna fraca, desemprego alto e o choque de petróleo ligado ao conflito no Oriente Médio. A leitura está na apresentação do Relatório de Política Monetária (IPoM) de setembro de 2026 — o terceiro do ano — feita pela presidente Rosanna Costa ao Senado, em Santiago, em 9 de setembro.

No discurso republicado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), a inflação ao consumidor ficou em 4,1% em 12 meses e a medida núcleo, sem itens voláteis, em 3,3%. A autoridade segue projetando convergência para cerca de 3% no segundo trimestre de 2027 e vê a atividade voltar a ritmos mais altos a partir de 2027, com apoio de investimento e preços elevados do cobre.

O que aconteceu

No fim de 2025, o cenário central previa inflação em torno de 3% por boa parte de 2026 e expansão entre 2% e 3%. Nos primeiros meses do ano, o ambiente externo e a melhora das expectativas internas pareciam reforçar esse quadro. A eclosão do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo e de outras commodities mudaram a avaliação. Costa afirmou que o Chile entrou no episódio com inflação próxima da meta e sem desequilíbrios macroeconômicos relevantes.

Desde então, a inflação evoluiu em linha com as previsões, mas em contexto distinto. A economia mundial mostrou-se mais resiliente do que o esperado, com apoio de investimentos ligados ao desenvolvimento e à adoção de inteligência artificial. Já a economia chilena perdeu impulso: às interrupções de oferta do início do ano somaram-se deterioração do mercado de trabalho, queda de confiança e maior fraqueza de consumo e investimento. No IPoM de setembro, o banco cortou novamente a perspectiva de crescimento deste ano.

A faixa do PIB para 2026 passou de 1,0%–1,75% para 0,25%–0,75%. Consumo e formação bruta de capital fixo devem fechar 2026 com variações anuais de 1,7% e −0,3%, ante alta de 2,2% esperada antes para ambos. No segundo trimestre, o PIB total caiu 0,2% na comparação anual, após −0,3% no primeiro. O gasto doméstico desacelerou de 2,3% para 0,1%. O indicador mensal de atividade (Imacec) de julho recuou 1,5% no ano, sob clima adverso e menor produção mineral. A taxa de desemprego chegou a 9,5%, com perdas sobretudo no emprego formal.

Na reunião citada por Costa, o Conselho manteve a taxa em 4,5% e destacou incerteza acima do usual: riscos do Oriente Médio se intensificaram, e a fraqueza doméstica pode se mostrar mais persistente. A trajetória da taxa será reavaliada reunião a reunião, visando inflação projetada de 3% em horizonte de dois anos. Para 2027, a faixa de PIB permanece em 2% a 3%; para 2028, sobe para 2,25%–3,25%. O cenário incorpora cerca de 0,5 ponto percentual de crescimento anual adicional em 2027 e 2028 pela Lei de Reconstrução. Pesquisa da Corporação de Bens de Capital apontou alta de 15% nos investimentos previstos para 2027–2028, com cobre elevado.

O que isso pode mudar

Se a recuperação do investimento for menor do que o pressuposto, demanda e emprego podem demorar mais a reagir, o que, na leitura do próprio banco, reduziria pressões inflacionárias de médio prazo e poderia justificar juros mais baixos no horizonte. No outro extremo, se o choque de custos ou sua propagação superar o esperado — sobretudo com atividade mais dinâmica —, a inflação poderia ficar mais persistente e exigir postura mais contracionista para garantir a convergência à meta.

No curto prazo, combustíveis ainda empurram preços, enquanto a demanda fraca contém parte das pressões. Para mercados e empresas, a mensagem é de política cautelosa, reunião a reunião, e de aposta na retomada via investimento e cobre — cenário que depende da Lei de Reconstrução e da dissipação dos choques de oferta.

Fontes: BIS Speeches

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